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Clientes de banco renomado receberão valores em contas após cobranças indevidas

TJRN determina que banco indenize cliente por cobranças indevidas. Decisão reforça responsabilidade objetiva das instituições financeiras.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
MEI

Uma recente decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) chamou a atenção de consumidores e instituições financeiras em todo o país. A 2ª Câmara Cível condenou um banco a pagar indenização por danos morais no valor de R$ 2 mil a um cliente que sofreu cobranças indevidas em sua conta.

O caso serve de exemplo para reforçar a responsabilidade objetiva das empresas prevista no Código de Defesa do Consumidor (CDC), mesmo quando não há intenção de causar prejuízo.

A relatora do recurso, desembargadora Lourdes de Azevêdo, destacou que cabe ao banco provar a regularidade das cobranças, algo que não foi feito no processo, já que a instituição não apresentou documentos que comprovassem a contratação dos serviços cobrados.

Neste artigo, explicamos em detalhes o conceito de responsabilidade objetiva, os princípios violados pelo banco, os fundamentos da decisão judicial e como isso impacta os consumidores e o sistema financeiro.

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O que é responsabilidade objetiva no Código de Defesa do Consumidor?

Celular mais seguro
Imagem: Canva

A responsabilidade objetiva é um dos pilares do CDC e determina que empresas podem ser responsabilizadas independentemente de culpa, sempre que causarem prejuízo a um consumidor.

Como funciona?

Em casos de responsabilidade objetiva:

  • Não é necessário comprovar má-fé, dolo ou negligência da empresa;
  • Basta que o consumidor comprove o dano sofrido e o nexo entre o dano e o serviço prestado;
  • A empresa tem o ônus de provar que não cometeu falha ou que agiu corretamente.

No caso julgado pelo TJRN, como o banco não comprovou a origem e validade das cobranças, o tribunal entendeu que houve violação dos deveres contratuais e determinou o pagamento de indenização.

Quais princípios foram violados pelo banco?

Ao realizar cobranças sem documentação comprobatória, o banco descumpriu diversos princípios fundamentais das relações de consumo, garantidos pelo CDC:

Princípio da boa-fé objetiva

Exige que ambas as partes ajam com lealdade, transparência e honestidade. A cobrança indevida, sem qualquer justificativa, viola diretamente esse princípio.

Princípio da transparência

O consumidor tem o direito de saber exatamente o que está sendo cobrado e por qual motivo. A ausência de informações claras sobre a origem das cobranças compromete a confiança na relação contratual.

Direito à informação

É obrigação das empresas fornecer informações completas, corretas e precisas sobre seus produtos e serviços. Neste caso, o banco não forneceu nenhuma explicação formal ou prova da contratação do serviço cobrado.

Por que o pedido de cancelamento da indenização foi negado?

banco
Imagem: jcomp/ Freepik

O banco apresentou recurso solicitando a anulação da condenação por danos morais, mas a 2ª Câmara Cível do TJRN manteve a decisão.

Principais argumentos da relatora Lourdes de Azevêdo:

  • Ausência de provas documentais da contratação do serviço;
  • Configuração clara de cobrança indevida;
  • Violação do dever de informar e da boa-fé objetiva;
  • Dano moral presumido, uma vez que a cobrança indevida interfere diretamente na tranquilidade e na confiança do consumidor.

A relatora ainda ressaltou que, mesmo que não houvesse má intenção do banco, a simples ocorrência do erro já é suficiente para gerar dano indenizável, conforme previsto pelo CDC.

Qual foi o valor da indenização?

Inicialmente fixada em valor inferior, a indenização foi majorada para R$ 2 mil durante o julgamento do recurso, como forma de:

  • Reparar o abalo moral sofrido pelo consumidor;
  • Punir a má conduta da empresa;
  • Servir como medida pedagógica para evitar novas infrações semelhantes.

Embora o valor possa parecer simbólico, ele tem um forte efeito jurídico e social, principalmente quando considerado o número elevado de reclamações bancárias por cobranças indevidas em todo o país.

Impacto da decisão para consumidores e instituições financeiras

Para os consumidores

A decisão do TJRN é uma vitória para os consumidores, reforçando que seus direitos estão protegidos por lei, mesmo diante de gigantes do setor financeiro. Os principais impactos incluem:

Fortalecimento da confiança no sistema judicial

Consumidores passam a ter maior segurança para buscar reparação quando são vítimas de abusos ou falhas contratuais.

Estímulo à fiscalização dos próprios extratos

Casos como este incentivam os clientes a monitorarem suas contas com mais atenção, identificando possíveis irregularidades.

Precedente positivo

A decisão pode servir como referência para julgamentos futuros, em que consumidores se depararem com situações semelhantes.

Para os bancos

As instituições financeiras, por sua vez, precisam rever práticas e garantir maior rigor nos processos internos.

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Necessidade de provas documentais

É essencial manter registros completos das contratações, assinaturas eletrônicas, comprovantes e logs de adesão a serviços.

Fortalecimento da governança e compliance

Os bancos devem investir em sistemas de compliance e controle de qualidade, reduzindo o risco de falhas que gerem indenizações.

Risco reputacional

Casos amplamente divulgados de falhas em cobranças ou abusos contratuais impactam negativamente a imagem da instituição perante clientes e investidores.

O que fazer se você for vítima de cobrança indevida?

Passageira assustado olhando o celular.
Imagem: shotprimestudio / Shutterstock.com

Passos recomendados ao consumidor

Se você identificar uma cobrança que não reconhece em sua conta bancária ou cartão, siga este roteiro:

1. Solicite explicações formais ao banco

Peça por meios escritos (como e-mail ou aplicativo) o motivo da cobrança.

2. Reúna provas

Salve extratos, prints de tela e qualquer resposta dada pelo banco.

3. Faça uma reclamação no Procon ou Banco Central

Use canais oficiais para registrar sua reclamação e gerar pressão institucional.

4. Procure um advogado ou a Defensoria Pública

Caso o problema não seja resolvido, busque orientação jurídica para entrar com ação judicial de indenização.

Considerações finais

A decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte contra um banco por cobranças indevidas é mais um exemplo da importância da responsabilidade objetiva nas relações de consumo. Ela deixa claro que os consumidores não precisam provar dolo ou má-fé — basta o erro da empresa e o prejuízo causado para que haja direito à reparação.

Ao mesmo tempo, o caso funciona como alerta para as instituições financeiras, que devem ser transparentes, diligentes e responsáveis. Em tempos em que a tecnologia automatiza processos bancários, garantir segurança jurídica e respeito aos direitos do consumidor é mais importante do que nunca.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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