O futebol brasileiro segue como uma das maiores potências esportivas do mundo em arrecadação e audiência, mas a saúde financeira dos principais clubes está longe de acompanhar esse sucesso.
Times no vermelho: veja os maiores devedores do futebol brasileiro
Descubra os 20 clubes mais endividados do Brasil em 2024 e veja o impacto financeiro no futebol. Leia a lista completa!
Um novo levantamento aponta que o endividamento dos clubes da Série A ultrapassou os R$ 14 bilhões em 2024, um número que revela desequilíbrios estruturais e desafios de gestão graves.
Elaborado pelas consultorias Galapagos Capital e Outfield, o Relatório Convocados de 2024 mostra que, embora o futebol nacional tenha avançado em arrecadação com patrocínios, bilheteria e transmissões, o descontrole orçamentário ainda predomina.
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O que compõe a dívida de um clube de futebol?

Entenda como se forma o passivo financeiro das equipes
Para além das cifras divulgadas, é fundamental compreender o que realmente constitui a dívida de um clube. O valor total engloba diversos compromissos financeiros acumulados ao longo dos anos, como:
Empréstimos e financiamentos
Muitos clubes recorrem a bancos para antecipar receitas ou cobrir déficits operacionais.
Débitos com fornecedores e funcionários
Incluem atrasos com prestadores de serviço, fornecedores de materiais esportivos e até salários de atletas e comissões técnicas.
Parcelamento de impostos
Atrasos no pagamento de tributos federais e municipais levam à necessidade de parcelamentos, que aumentam o custo total com juros e correções.
Antecipação de receitas futuras
Uma prática comum é antecipar receitas futuras, como direitos de transmissão de TV, o que compromete o orçamento dos anos seguintes.
Risco da baixa liquidez
Mesmo com ativos relevantes, a baixa liquidez — ou seja, a dificuldade em transformá-los em caixa no curto prazo — eleva o risco de inadimplência. Essa equação entre alta dívida e baixa capacidade de pagamento resulta em crises recorrentes.
Ranking dos clubes mais endividados do Brasil em 2024
Segundo o relatório, alguns dos clubes mais populares do país estão no topo da lista de endividamento. Veja o ranking completo:
| Clube | Dívida 2023 (R$ mi) | Dívida 2024 (R$ mi) | Variação (%) |
|---|---|---|---|
| Atlético-MG | 1.963 | 2.304 | +17% |
| Corinthians | 1.894 | 2.343 | +24% |
| Cruzeiro | 807 | 1.158 | +44% |
| São Paulo | 814 | 1.088 | +34% |
| Internacional | 654 | 959 | +47% |
| Botafogo | 1.301 | 1.210 | -7% |
| Vasco | 696 | 851 | +22% |
| Palmeiras | 466 | 823 | +77% |
| Fluminense | 736 | 822 | +12% |
| Flamengo | 391 | 666 | +70% |
| Grêmio | 441 | 525 | +19% |
| Athletico-PR | 492 | 468 | -5% |
| Vitória | 146 | 239 | +64% |
| Fortaleza | 67 | 176 | +163% |
| RB Bragantino | 97 | 105 | +8% |
| Bahia | 72 | 91 | +26% |
| Cuiabá | 4 | 32 | +855% |
| Atlético-GO | 2 | 16 | +700% |
| Criciúma | 2 | 15 | +786% |
| Juventude | 26 | 1 | -98% |
O que os números revelam sobre a gestão dos clubes?
Disparidade entre arrecadação e controle financeiro
Apesar de movimentarem milhões anualmente com cotas de televisão, bilheteria e patrocínios, a maior parte dos clubes enfrenta dificuldades em manter equilíbrio entre receitas e despesas. Clubes como Atlético-MG, Corinthians e Cruzeiro lideram em volume de dívida, evidenciando falhas recorrentes na gestão financeira.
SAFs não resolvem tudo
A conversão de clubes em Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) foi uma das promessas de mudança estrutural no setor. Entretanto, como mostra o caso do Cruzeiro, a transformação não garante equilíbrio financeiro imediato, especialmente quando heranças de dívidas anteriores permanecem.
Exceções à regra: clubes que reduziram suas dívidas
Apesar do cenário crítico, alguns clubes mostraram capacidade de controle e reversão do quadro. O Botafogo, por exemplo, conseguiu uma redução de 7% no seu passivo, enquanto o Athletico-PR também apresentou melhora, com queda de 5% em sua dívida. O caso mais expressivo foi o do Juventude, que reduziu quase totalmente sua dívida, um feito raro entre os clubes da elite.
Por que o endividamento afeta o desempenho esportivo?
Investimentos comprometidos e instabilidade
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Dívidas elevadas significam menos margem para investir em contratações, infraestrutura e categorias de base. Além disso, criam um ambiente instável, com atrasos salariais, punições desportivas e até risco de rebaixamento por perda de pontos.
Risco de colapso institucional
Em casos extremos, clubes com dívidas impagáveis podem enfrentar intervenções, bloqueios judiciais e perda de ativos, como centros de treinamento ou direitos econômicos de jogadores.
Caminhos para uma gestão mais sustentável

Transparência e responsabilidade fiscal
A adoção de práticas transparentes, auditorias independentes e relatórios financeiros regulares são medidas essenciais para aumentar a confiança de investidores e torcedores.
Planejamento de longo prazo
Clubes que tratam suas finanças com visão de longo prazo tendem a evitar “soluções mágicas” de curto prazo, como empréstimos emergenciais ou venda de ativos por valores abaixo do mercado.
Formação de receita recorrente
Fomentar a base de sócios, desenvolver produtos licenciados e investir em marketing digital são formas de garantir arrecadação constante, sem depender exclusivamente de resultados esportivos.
Considerações finais
O futebol brasileiro vive um paradoxo: enquanto a paixão pelo esporte e o potencial de arrecadação crescem, a estrutura financeira dos clubes segue frágil e desorganizada. O ranking de endividamento de 2024 escancara a urgência de reformas profundas e responsabilidade na gestão.
A recuperação não é impossível, como mostram os exemplos de clubes que conseguiram reduzir suas dívidas. Mas exige comprometimento, planejamento e, acima de tudo, transparência — valores que ainda estão longe de ser regra no esporte mais popular do país.
Imagem: Ana de Sousa e chrisdorney / shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital
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