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Novo Código de Trânsito propõe mudanças para candidatos à CNH

Reforma do CTB propõe teto para taxas, reforço da CNH Social e emissão gratuita da CNH definitiva. Veja o que pode mudar.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Novo Código de Trânsito propõe mudanças para candidatos à CNH

Obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ainda representa um desafio financeiro para milhões de brasileiros. Em muitos estados, o processo completo pode custar mais de R$ 3 mil quando são somadas taxas, exames, aulas teóricas, aulas práticas e provas. Para quem depende da habilitação para conseguir emprego ou aumentar a renda, esse investimento acaba se tornando um obstáculo quase intransponível.

É justamente esse cenário que motivou uma série de propostas apresentadas durante a discussão da reforma do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). O parecer do Projeto de Lei nº 8.085/2014, que reúne centenas de propostas relacionadas ao trânsito, busca encontrar um equilíbrio entre ampliar o acesso à habilitação e preservar a qualidade da formação dos futuros motoristas.

Ao contrário de iniciativas que defendem apenas a redução das exigências para obtenção da CNH, o novo relatório aposta em outro caminho: diminuir os custos do processo, fortalecer programas sociais e manter requisitos considerados essenciais para a segurança viária.

Caso as medidas avancem no Congresso Nacional, milhares de brasileiros poderão encontrar um cenário mais favorável para conquistar a primeira habilitação.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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O custo da primeira habilitação varia significativamente entre os estados brasileiros. Isso ocorre porque parte dos valores é definida pelos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans) e por empresas credenciadas responsáveis pelos exames e pela formação dos condutores.

Entre as principais despesas estão:

  • Taxas administrativas;
  • Exames médico e psicológico;
  • Curso teórico;
  • Aulas práticas;
  • Exames práticos e teóricos;
  • Emissão do documento.

Além da variação regional, muitos candidatos precisam arcar com novas despesas caso sejam reprovados em alguma etapa do processo.

Essa realidade faz com que milhares de pessoas adiem ou até desistam da obtenção da carteira de motorista.

Reforma pretende atacar o principal problema: o custo

Um dos pontos centrais do parecer apresentado pelo deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ) é reconhecer que a dificuldade de acesso à habilitação está muito mais ligada ao custo do que às exigências técnicas.

Por isso, em vez de eliminar etapas importantes da formação, a proposta concentra esforços na redução das barreiras econômicas.

A ideia é tornar o processo mais acessível sem comprometer a preparação dos novos condutores.

Proposta cria teto nacional para taxas da CNH

Uma das medidas mais relevantes prevê a criação de limites nacionais para os valores cobrados pelos órgãos públicos e entidades credenciadas durante o processo de habilitação.

Hoje, um candidato pode pagar valores bastante diferentes dependendo do estado onde mora.

Com um teto nacional, o objetivo é:

  • reduzir disparidades entre os estados;
  • aumentar a previsibilidade dos custos;
  • evitar cobranças excessivas;
  • facilitar o planejamento financeiro dos candidatos.

Na prática, a proposta busca impedir que o preço da CNH continue sendo um fator de desigualdade regional.

CNH Social poderá receber mais recursos

Outro destaque do relatório é o fortalecimento da CNH Social, programa que já existe em diversos estados brasileiros e oferece gratuitamente o processo de habilitação para pessoas de baixa renda.

Embora a iniciativa tenha beneficiado milhares de brasileiros nos últimos anos, muitos estados enfrentam limitações orçamentárias, o que reduz o número de vagas disponíveis.

Para ampliar o alcance do programa, o parecer propõe novas fontes de financiamento.

Parte das multas poderá financiar novas CNHs

Uma das propostas prevê que 5% do valor arrecadado com multas de trânsito em cada unidade da Federação seja destinado ao custeio da habilitação de pessoas de baixa renda.

A medida segue uma lógica de reinvestimento social: recursos obtidos com penalidades de trânsito seriam utilizados para ampliar o acesso à educação no trânsito e formar novos condutores.

Uso prioritário do Funset

Além das multas, o parecer também estabelece preferência na utilização dos recursos do Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito (Funset) para financiar o processo de habilitação da população de baixa renda.

Essa combinação poderá aumentar significativamente a capacidade dos programas estaduais da CNH Social, caso a proposta seja aprovada.

CNH definitiva poderá ser emitida gratuitamente

Outra mudança que chama atenção é o fim da cobrança para emissão da CNH definitiva.

Atualmente, após cumprir o período da Permissão para Dirigir (PPD), muitos motoristas precisam pagar uma nova taxa para receber o documento definitivo.

O relatório propõe que essa conversão ocorra automaticamente e sem qualquer cobrança adicional, desde que o condutor cumpra todos os requisitos legais durante o período probatório.

Embora essa economia seja menor em comparação ao custo total da habilitação, representa mais uma redução nas despesas enfrentadas pelos novos motoristas.

Reforma também busca preservar a qualidade da formação

Apesar das medidas para reduzir custos, o parecer não propõe eliminar elementos considerados essenciais para a formação dos condutores.

Entre os princípios defendidos está a manutenção de requisitos que contribuam para a segurança no trânsito, evitando que a busca por uma CNH mais barata resulte em motoristas menos preparados.

Essa posição diferencia o texto de propostas anteriores que sugeriam uma flexibilização mais ampla do processo de formação.

O objetivo declarado é combinar acessibilidade com responsabilidade.

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O que muda para as autoescolas?

As discussões sobre redução dos custos também despertaram preocupação entre os atuais Centros de Formação de Condutores (CFCs), conhecidos como autoescolas.

Representantes do setor afirmam que mudanças bruscas podem comprometer a sustentabilidade financeira das empresas, especialmente das pequenas unidades.

Reconhecendo esse cenário, o relatório propõe a criação de um programa emergencial de apoio às futuras Escolas de Trânsito — nova denominação prevista para os CFCs.

A intenção é minimizar possíveis impactos econômicos das mudanças regulatórias, preservar empregos e garantir a continuidade da formação de novos motoristas.

Quem poderá ser beneficiado?

Caso as propostas sejam aprovadas, diversos grupos poderão ser favorecidos:

Jovens em busca do primeiro emprego

Muitas vagas exigem carteira de motorista, principalmente nas áreas comercial, logística, vendas e serviços externos.

Trabalhadores de aplicativos

Motoristas e entregadores dependem da CNH para exercer suas atividades e ampliar a renda.

Moradores de cidades com transporte público limitado

Em municípios menores ou regiões afastadas dos grandes centros, possuir veículo próprio pode representar maior mobilidade e acesso ao mercado de trabalho.

Pessoas de baixa renda

A ampliação da CNH Social poderá permitir que mais brasileiros obtenham gratuitamente a habilitação.

As mudanças já estão valendo?

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Não.

As medidas fazem parte do parecer apresentado na Comissão Especial que analisa a reforma do Código de Trânsito Brasileiro.

O texto ainda será discutido pelos parlamentares e poderá sofrer alterações antes de ser votado na Câmara dos Deputados e, posteriormente, no Senado Federal. Somente após aprovação nas duas Casas e sanção presidencial é que as mudanças poderão entrar em vigor.

Portanto, as regras atuais para obtenção da CNH continuam valendo até que eventual nova legislação seja aprovada e regulamentada.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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