A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú confirmou uma reunião com representantes do banco para a próxima segunda-feira (15). O encontro acontece em meio à onda de demissões que ultrapassou a marca de 1.000 funcionários, gerando forte reação do movimento sindical e preocupação entre os trabalhadores da instituição financeira.
COE Itaú agenda encontro com representantes do banco para segunda-feira
COE do Itaú se reúne com banco para discutir mais de 1.000 demissões e questionar critérios de desligamento que afetam bancários premiados.
A medida do banco tem sido alvo de críticas não apenas pela quantidade de desligamentos, mas também pela forma como foram conduzidos. Segundo relatos, muitos dos profissionais dispensados haviam recebido promoções e prêmios de alta performance pouco tempo antes de serem desligados.
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Reivindicações da COE e críticas ao banco

A coordenadora da COE/Itaú, Valeska Pincovai, afirmou que o grupo pretende cobrar da direção do banco explicações claras sobre os critérios utilizados para selecionar os desligados.
“Queremos que o banco nos mostre como foi feito este monitoramento, porque muitos funcionários estão dizendo que trabalhavam conforme sua rotina de trabalho exigia”, destacou Pincovai.
Ela acrescentou que as justificativas apresentadas até agora não correspondem à realidade vivida pelos trabalhadores. Muitos deles, segundo a dirigente, vinham cumprindo metas rigorosas e recebendo reconhecimento público por sua performance.
Demissões em meio a resultados positivos
As críticas se intensificam diante dos resultados financeiros do Itaú. O banco registrou crescimento do lucro nos últimos trimestres e segue como uma das instituições mais sólidas do país. Para os sindicatos, essa contradição reforça a tese de que os cortes têm motivação puramente econômica, com foco em aumentar ainda mais a eficiência e a rentabilidade.
De acordo com Valeska, a prática é injusta:
“O Itaú está jogando na conta dos trabalhadores o corte de postos de trabalho que queria fazer para garantir a eficiência e crescimento do lucro. Quer fazer mais com menos e não vamos tolerar que os bancários sejam humilhados em rede nacional como se fossem vagabundos”, afirmou.
A tensão entre metas e reconhecimento
O cenário expõe um dilema vivido há anos pelos bancários: a pressão por resultados. A rotina envolve metas agressivas de vendas, cumprimento de indicadores e participação em programas de incentivo. O paradoxo é que esses mesmos mecanismos, criados para premiar a dedicação e a eficiência, agora estariam sendo usados como justificativa para desligar profissionais.
Contradições no discurso corporativo
Relatos de ex-funcionários indicam que alguns receberam prêmios internos em meses anteriores às demissões. Esse fato contradiz o argumento de baixo desempenho, apontado como um dos motivos para os cortes. Para a COE, isso configura uma tentativa de responsabilizar os trabalhadores por uma decisão já planejada pela empresa.
Próximos passos e mobilização sindical

A reunião marcada para o dia 15 é vista como um momento crucial para esclarecer pontos obscuros do processo. Os sindicatos pretendem apresentar casos específicos de demissões que consideram injustas e pedir a revisão de alguns desligamentos.
Expectativas para o encontro
Entre as principais demandas estão:
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- A transparência nos critérios de avaliação de desempenho;
- Explicações sobre a demissão de profissionais recém-promovidos;
- Compromisso do banco com a preservação de empregos em meio aos lucros crescentes.
A COE também avalia convocar mobilizações nacionais caso não haja abertura de diálogo ou propostas concretas do Itaú.
Impacto para o setor bancário
A onda de demissões não afeta apenas os trabalhadores do Itaú. Ela repercute em todo o sistema financeiro, já que práticas de redução de custos tendem a influenciar outras instituições. Sindicatos alertam para o risco de que bancos concorrentes adotem estratégias semelhantes, intensificando a pressão sobre os bancários.
Contexto do mercado
Nos últimos anos, as grandes instituições financeiras têm investido fortemente em digitalização, fechamento de agências e automação de serviços. Essas mudanças reduzem a necessidade de mão de obra, ao mesmo tempo em que aumentam os lucros. O movimento sindical teme que essa lógica se torne padrão, aprofundando a precarização do trabalho no setor.
Conclusão
A reunião entre a COE e o Itaú acontece em um momento delicado, em que a confiança entre trabalhadores e banco está abalada. Mais do que explicar os critérios das demissões, a instituição terá o desafio de reconstruir sua imagem perante os funcionários e a opinião pública.
Para os bancários, a expectativa é de que a voz dos trabalhadores seja ouvida e que a busca por resultados financeiros não se sobreponha ao respeito e à valorização de quem contribui para o sucesso da instituição.
Imagem: Joa Souza / shutterstock.com
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