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COE se reúne com Itaú para revisar desligamentos de funcionários

COE se reuniu com o Itaú após mais de mil demissões. Sindicato pede revisão, reposição de vagas e regulamentação da inteligência artificial no trabalho bancário.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
itaú

Na manhã desta terça-feira (9), a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú se reuniu com representantes do banco para discutir a demissão de mais de 1.000 funcionários, ocorrida na segunda-feira (8).

O encontro foi motivado pela pressão sindical diante da forma como os desligamentos foram conduzidos, sobretudo em áreas estratégicas do banco, como o Centro Tecnológico (CT), o CEIC e unidades da Faria Lima.

A justificativa apresentada pelo Itaú foi a baixa aderência ao home office, após seis meses de monitoramento digital das atividades dos trabalhadores. O banco, entretanto, só aceitou avaliar os casos de empregados adoecidos, negando qualquer possibilidade de revisão das demais demissões.

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Transparência sob questionamento

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Imagem: Freepik e Canva

Falta de diálogo com os trabalhadores

Segundo a coordenadora da COE, Valeska Pincovai, o banco falhou ao não alertar os empregados sobre o suposto baixo desempenho durante o período de monitoramento.

“As pessoas foram monitoradas por seis meses e o banco não deu nenhum alerta. Não houve possibilidade de defesa nem diálogo prévio com o sindicato”, criticou Valeska.

A ausência de advertências e a falta de comunicação direta com o sindicato reforçam, segundo ela, a percepção de desrespeito à representação sindical e ao direito de negociação coletiva.

Critérios questionáveis

O banco teria se baseado em registros de inatividade em máquinas corporativas — períodos de quatro horas ou mais sem atividade — para justificar as demissões. Para o sindicato, esse critério é falho, pois não considera:

  • falhas técnicas de sistemas ou rede;
  • organização interna das equipes;
  • pausas por saúde ou sobrecarga de trabalho;
  • especificidades da atividade bancária remota.

Monitoramento digital e saúde mental

Privacidade em xeque

O sindicato aponta que os empregados estão sendo submetidos a um regime de monitoramento constante, que inclui:

  • controle de reuniões por temas e participantes;
  • acompanhamento de metas em tempo real;
  • geolocalização por ponto eletrônico;
  • registros de inatividade em computadores.

Para Valeska Pincovai, esse cenário configura “assédio digital”, uma prática que agrava o já delicado estado de saúde mental dos bancários.

A necessidade de regulamentar a inteligência artificial

O uso de inteligência artificial (IA) no controle de produtividade foi um dos principais pontos levantados pela COE. Segundo os dirigentes sindicais, a ausência de regulamentação pode levar à intensificação da pressão sobre os empregados.

“Precisamos regulamentar a utilização da IA no controle das atividades para evitar que a saúde mental, já em estado crítico, se deteriore ainda mais”, alertou Valeska.


Teletrabalho em debate

O sindicato também cobrou negociações em torno do Acordo de Teletrabalho, que vence em dezembro. A intenção é discutir regras claras de monitoramento, privacidade e transparência.

Pontos exigidos pelo movimento sindical

  • Transparência: que os trabalhadores tenham ciência do tipo de monitoramento;
  • Respeito à privacidade: delimitação do uso de ferramentas digitais;
  • Atenção à saúde mental: redução das metas abusivas e acompanhamento psicológico.

A expectativa é que a negociação do acordo seja iniciada ainda este mês.


Reposição de vagas já!

O movimento sindical considera injustificável o corte de mais de 1.000 postos de trabalho em um banco que registrou lucro superior a R$ 22,6 bilhões no último semestre e que segue sendo a maior instituição financeira do país em ativos.

Argumentos dos representantes dos trabalhadores

  • O Itaú cortou 518 vagas nos últimos 12 meses, reduzindo o quadro de pessoal para 85.775 empregados;
  • sobrecarga de trabalho nas equipes remanescentes, o que contribui para o aumento do adoecimento mental;
  • O banco poderia contratar novos empregados ou reintegrar parte dos desligados, em vez de extinguir funções.

Saúde mental em estado crítico

Dados preocupantes

Estudos e relatórios recentes reforçam as preocupações do sindicato. Entre 2023 e 2024, 57,1% das licenças por acidente de trabalho concedidas a bancários foram decorrentes de transtornos mentais e comportamentais.

Esse índice é muito superior ao registrado na média da classe trabalhadora brasileira, evidenciando a pressão a que os bancários estão submetidos.

O papel do assédio digital

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O monitoramento excessivo e o uso de métricas automatizadas sem contexto humano são apontados como fatores que ampliam:

  • ansiedade;
  • síndrome de burnout;
  • depressão;
  • outros distúrbios relacionados ao estresse ocupacional.

Inteligência artificial e o futuro do trabalho bancário

O debate regulatório

O uso da IA para fiscalizar trabalhadores não é exclusivo do setor bancário, mas no Itaú o tema ganha destaque pela intensidade das práticas adotadas. O sindicato defende que:

  • haja limites claros para o monitoramento digital;
  • sejam criados mecanismos de auditoria nos algoritmos utilizados;
  • os trabalhadores tenham direito a contestar registros automatizados de produtividade.

Tendência no setor

Com a digitalização dos serviços bancários, a tendência é que cada vez mais empresas adotem soluções tecnológicas para fiscalizar suas equipes. A ausência de regulamentação, porém, pode transformar avanços em instrumentos de opressão e precarização.


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Imagem: Diego Thomazini/Shutterstock.com

Resultados financeiros

O Itaú divulgou lucro líquido de R$ 22,6 bilhões no último semestre, com rentabilidade em alta e expansão em diferentes segmentos.

Contradição com cortes

Mesmo assim, a política de demissões em massa gera críticas. Para os sindicatos, o discurso de eficiência não justifica desligamentos em escala tão grande, principalmente em áreas estratégicas e com alta demanda.


Considerações finais

A reunião da COE com o Itaú expôs não apenas a disputa sobre as demissões em massa, mas também o debate urgente sobre o impacto da tecnologia na relação de trabalho.

A insistência do banco em manter os cortes, mesmo diante de lucros bilionários, amplia o desgaste com os sindicatos. Já os trabalhadores cobram reposição de vagas, negociação coletiva e regulamentação do uso da inteligência artificial no ambiente laboral.

O caso do Itaú pode se tornar um marco regulatório sobre como a IA será utilizada no controle de produtividade no setor bancário, com reflexos para toda a economia brasileira.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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