Está em análise na Câmara dos Deputados o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 405/2023, de autoria do deputado Luiz Gastão (PSD-CE), que visa autorizar o funcionamento do comércio em domingos e feriados sem a necessidade de acordo coletivo com os sindicatos.
Comércio poderá funcionar em domingos e feriados sem acordo coletivo, diz projeto
Projeto quer derrubar portaria que exige acordo coletivo para o comércio funcionar em feriados e domingos. Entenda os impactos econômicos e jurídicos.
A proposta pretende sustar os efeitos da Portaria nº 3.665/2023, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que passou a exigir negociação sindical específica para autorizar o trabalho nessas datas. A medida, publicada em novembro de 2023, reverteu uma norma anterior que dispensava tal exigência desde 2021.
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O que prevê a atual portaria do MTE

Exigência de negociação para trabalho em feriados
A Portaria 3.665/2023 determina que o trabalho no comércio durante domingos e feriados só pode ocorrer mediante acordo coletivo específico entre empregadores e sindicatos, ainda que exista previsão anterior em convenções.
Reações do setor produtivo
A decisão gerou forte insatisfação entre empresários do varejo, que afirmam que a norma aumenta a burocracia, eleva custos e limita a operação em datas tradicionalmente lucrativas para o setor.
O que propõe o PDL 405/2023
Fim da exigência de negociação coletiva
O projeto apresentado por Luiz Gastão pretende anular os efeitos da portaria com base na competência constitucional do Congresso Nacional para sustar atos do Executivo que extrapolem o poder regulamentar.
Se aprovado, o PDL restabelece a permissão para o comércio funcionar livremente nos feriados e domingos, sem depender de autorização sindical.
Justificativa: impacto na economia
Prejuízo ao setor comercial
Segundo o deputado Luiz Gastão, a portaria do MTE representa um “retrocesso significativo” para a economia, especialmente para supermercados, farmácias, shoppings e demais estabelecimentos que concentram vendas nos fins de semana.
Principais efeitos da norma, segundo o autor do projeto:
- Redução de vagas de emprego no comércio;
- Queda na receita das empresas, especialmente do varejo físico;
- Restrição no acesso a produtos e serviços básicos aos consumidores.
Argumento do deputado
“A restrição imposta compromete os empregos, limita a arrecadação, reduz a acessibilidade dos consumidores, desestimula a inovação e impacta o desenvolvimento econômico”, afirma Luiz Gastão.
Tramitação acelerada na Câmara dos Deputados
Regime de urgência aprovado
Em novembro de 2023, a Câmara aprovou o regime de urgência para o PDL 405/2023, o que acelera a tramitação. Com isso, o projeto pode ser votado diretamente no Plenário, sem a necessidade de passar pelas comissões permanentes.
Próximos passos
Caso seja aprovado pelos deputados, o texto segue para o Senado Federal. Por ser um decreto legislativo, o projeto não depende de sanção presidencial para entrar em vigor.
Contexto jurídico e histórico da questão

O que diz a legislação atual
O tema está relacionado à Lei nº 10.101/2000, que disciplina o funcionamento do comércio em feriados. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) também orienta a matéria, exigindo, em tese, negociação coletiva para jornadas em datas especiais.
Portaria de 2021 liberava o funcionamento
Durante o governo anterior, o Ministério da Economia publicou portaria permitindo o funcionamento irrestrito do comércio em feriados. Essa flexibilização foi revertida em 2023, com a edição da Portaria 3.665/2023.
Princípio da negociação coletiva
A nova norma do MTE busca resgatar o princípio da autonomia coletiva nas relações de trabalho, previsto na Constituição e reforçado por decisões do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Reações divergentes entre patrões e trabalhadores
Empresários: mais rigidez, menos empregos
Entidades empresariais alegam que a obrigatoriedade de acordos coletivos cria insegurança jurídica, aumenta custos operacionais e pode reduzir turnos e fechar lojas em feriados prolongados.
Sindicatos: direito à negociação deve ser preservado
Representantes de trabalhadores defendem que jornadas em feriados e domingos devem ser fruto de negociação, com garantias como:
- Remuneração adicional;
- Compensação com folgas;
- Condições adequadas de trabalho.
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Possíveis impactos no setor contábil e de RH
Alterações nas rotinas de pessoal
A eventual aprovação do projeto exigirá adaptações nas rotinas de recursos humanos e contabilidade das empresas. Folhas de pagamento, escalas de revezamento e jornada de trabalho devem ser ajustadas com atenção às regras da CLT.
Pontos de atenção:
- Manutenção do descanso semanal remunerado;
- Registros adequados de jornada;
- Pagamento correto de adicionais por trabalho em feriados, quando aplicável.
O que deve fazer o setor empresarial desde já
Empresários, contadores e gestores de RH devem se antecipar ao possível novo cenário. Acompanhar a tramitação do PDL 405/2023 é fundamental para planejar as operações nos próximos feriados.
Recomendações práticas:
Para empresas:
- Verificar se há convenções coletivas que ainda exigem negociação para funcionamento em feriados;
- Analisar impactos orçamentários da operação em feriados sem negociação;
- Reavaliar escalas e folgas dos trabalhadores.
Para contadores e RH:
- Garantir que a legislação vigente está sendo cumprida até eventual aprovação do projeto;
- Prever cenários alternativos de jornada e pagamento de adicionais;
- Manter os trabalhadores informados sobre mudanças e seus direitos.
Debate sobre livre iniciativa e proteção social

O PDL 405/2023 reabre o debate entre os princípios da livre iniciativa empresarial e da valorização da negociação coletiva. A discussão envolve:
- A autonomia das empresas para decidir quando abrir;
- O papel dos sindicatos na proteção dos trabalhadores;
- O equilíbrio entre desenvolvimento econômico e direitos sociais.
A decisão da Câmara pode influenciar profundamente a dinâmica do comércio no Brasil, sobretudo em datas estratégicas como feriados nacionais, pontes e fins de semana prolongados.
Conclusão: atenção redobrada nas próximas semanas
O resultado da votação do PDL 405/2023 deve ser acompanhado de perto por todos os envolvidos com o setor comercial. A aprovação da proposta pode significar maior liberdade para as empresas operarem em datas especiais, mas também exigirá atenção redobrada ao cumprimento das normas trabalhistas vigentes.
A expectativa é que o tema seja votado em breve. Até lá, o setor aguarda por uma definição que promete alterar a rotina de empregadores, trabalhadores e consumidores de todo o país.
