Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Commodities agrícolas encerram sessão com perdas lideradas por café e cacau

Cacau lidera perdas em Nova York, café recua com avanço da colheita no Brasil e açúcar é a exceção ao fechar em alta.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Commodities agrícolas encerram sessão com perdas lideradas por café e cacau

A maior parte das commodities agrícolas negociadas na bolsa de Nova York encerrou a sessão desta sexta-feira em território negativo. O movimento refletiu fatores específicos de cada mercado, mas teve como destaque a forte queda do cacau e a pressão sobre o café arábica causada pelo avanço da colheita no Brasil, principal produtor mundial da commodity.

Enquanto cacau, café, suco de laranja e algodão registraram perdas, o açúcar seguiu na direção oposta e foi o único produto agrícola a apresentar valorização no fechamento do pregão.

Leia mais: Serasa revela que maioria dos endividados deve no cartão de crédito

Cacau lidera perdas entre as commodities

cacau
Imagem: Freepik

O cacau foi o destaque negativo do dia ao registrar a maior desvalorização entre os contratos agrícolas negociados em Nova York. O vencimento para julho encerrou a sessão cotado a US$ 3.793 por tonelada, acumulando queda de 4,34%.

O mercado do cacau vem passando por um período de elevada volatilidade nos últimos meses. Após uma sequência histórica de altas provocadas por problemas climáticos e redução da oferta em importantes países produtores da África Ocidental, os investidores passaram a realizar lucros e ajustar posições diante de expectativas mais equilibradas para a oferta global.

Mercado segue atento à produção africana

Países como Gana e Costa do Marfim respondem por parcela significativa da produção mundial de cacau. Qualquer mudança nas condições climáticas ou nas estimativas de safra dessas regiões costuma impactar diretamente os preços internacionais.

Nos últimos meses, a expectativa de uma recuperação gradual da produção contribuiu para reduzir parte da pressão altista observada anteriormente, favorecendo movimentos de correção nos preços.

Café arábica recua com avanço da colheita brasileira

O café arábica também encerrou o dia em queda. O contrato com vencimento em julho fechou cotado a US$ 2,46 por libra-peso, registrando recuo de 0,32%.

A principal influência sobre as cotações continua sendo o avanço da colheita no Brasil. O país é responsável por aproximadamente um terço da produção mundial de café e exerce forte influência sobre os preços negociados nas bolsas internacionais.

As estimativas apontam para uma safra próxima de 70 milhões de sacas de 60 quilos, volume considerado expressivo pelo mercado.

Maior oferta tende a pressionar os preços

Quando a expectativa é de aumento da oferta, compradores passam a trabalhar com maior tranquilidade em relação ao abastecimento futuro. Como consequência, os preços tendem a perder força, especialmente durante o período de colheita.

Esse comportamento é comum no mercado cafeeiro e costuma ser acompanhado de perto por produtores, exportadores e investidores, já que variações nas cotações afetam diretamente a rentabilidade do setor.

Impactos para o produtor brasileiro

Apesar da pressão observada nas bolsas internacionais, muitos produtores brasileiros ainda trabalham com níveis de preços considerados remuneradores quando comparados à média histórica.

No entanto, fatores como custos de produção, despesas logísticas, câmbio e produtividade continuam sendo determinantes para a margem de lucro das propriedades rurais.

Suco de laranja amplia movimento de baixa

O mercado de suco de laranja concentrado e congelado também registrou perdas durante a sessão.

O contrato para julho fechou cotado a US$ 1,65 por libra-peso, representando uma queda de 2,02%.

Após um período de forte valorização impulsionado por preocupações com a produção em importantes regiões produtoras, o mercado vem passando por ajustes técnicos e por uma reavaliação das perspectivas de oferta e demanda.

Brasil continua como referência global

O Brasil permanece como o maior exportador mundial de suco de laranja. Por isso, fatores relacionados à produção nacional, condições climáticas e perspectivas para os pomares são acompanhados atentamente por participantes do mercado internacional.

Qualquer alteração nas projeções de safra pode provocar oscilações significativas nos preços futuros da commodity.

Algodão também fecha no vermelho

agro times (1)
Getty Images/wsfurlan

O algodão apresentou uma queda mais moderada em comparação com outras commodities agrícolas negociadas no dia.

O contrato para julho encerrou a sessão cotado a 74,72 centavos de dólar por libra-peso, representando recuo de 0,25%.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

O mercado segue monitorando indicadores da indústria têxtil global, especialmente em grandes centros consumidores como China, Índia e Estados Unidos.

Demanda internacional influencia cotações

A procura por produtos têxteis continua sendo um dos principais fatores que determinam o comportamento dos preços do algodão.

Em períodos de desaceleração econômica ou redução do consumo, a demanda pela fibra tende a enfraquecer, impactando negativamente as cotações internacionais.

Açúcar escapa das perdas e fecha em alta

Na contramão dos demais produtos agrícolas negociados em Nova York, o açúcar encerrou a sessão em valorização.

O contrato para julho avançou 0,42%, alcançando 14,33 centavos de dólar por libra-peso.

O desempenho positivo reforça a resiliência do mercado açucareiro, que continua acompanhando fatores como produção no Brasil, demanda global e direcionamento da cana-de-açúcar entre a fabricação de açúcar e etanol.

Setor acompanha condições climáticas

As condições climáticas nas principais regiões produtoras continuam no radar dos investidores. Alterações no regime de chuvas ou períodos de seca podem influenciar diretamente a produtividade dos canaviais e, consequentemente, a oferta disponível no mercado internacional.

Além disso, decisões das usinas sobre a destinação da matéria-prima entre açúcar e biocombustíveis também ajudam a definir a trajetória dos preços.

O que esperar das commodities agrícolas nas próximas semanas

O mercado internacional de commodities agrícolas deve continuar apresentando forte volatilidade nas próximas semanas. O avanço das colheitas no Brasil, as condições climáticas nos principais países produtores e os sinais de demanda global seguirão sendo fatores decisivos para a formação dos preços.

No caso do café, a evolução da safra brasileira continuará no centro das atenções. Já para o cacau, o foco permanece nas perspectivas de produção da África Ocidental. Enquanto isso, açúcar, algodão e suco de laranja deverão reagir às mudanças no equilíbrio entre oferta e consumo global.

Para produtores, exportadores e investidores, acompanhar esses indicadores será fundamental para entender os próximos movimentos dos mercados agrícolas internacionais.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

Topicos relacionados