Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Bancos em liquidação: o que acontece com o dinheiro do correntista

Desde a liquidação do Banco Master pelo Banco Central do Brasil, em novembro do ano passado, o sistema financeiro voltou ao centro do noticiário. Na sequência, vieram casos envolvendo bancos como Will Bank e Banco Pleno, aumentando a preocupação de correntistas e investidores. Apesar da repercussão, especialistas apontam que os episódios são pontuais e não […]

Avatar de Juliana Peixoto Juliana Peixoto · · 5 min de leitura
portabilidade

Desde a liquidação do Banco Master pelo Banco Central do Brasil, em novembro do ano passado, o sistema financeiro voltou ao centro do noticiário. Na sequência, vieram casos envolvendo bancos como Will Bank e Banco Pleno, aumentando a preocupação de correntistas e investidores.

Apesar da repercussão, especialistas apontam que os episódios são pontuais e não configuram uma crise bancária generalizada. As três instituições representavam menos de 1% dos ativos totais do sistema financeiro nacional — proporção insuficiente para provocar um efeito dominó.

O sistema bancário brasileiro é considerado um dos mais regulados do mundo, com exigências rígidas de capital e fiscalização contínua do Banco Central. Ainda assim, os episódios recentes reforçam uma pergunta essencial: como escolher um banco seguro para guardar seu dinheiro?

Leia mais:

FGTS terá regras mais restritas para saque e uso de recursos

Retornos muito acima do mercado são sinal de alerta

Um dos principais aprendizados recentes envolve promessas de rentabilidade acima da média, especialmente em produtos como CDB.

O que é considerado retorno normal?

O parâmetro mais usado pelo mercado é o CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Em geral:

  • CDBs conservadores pagam entre 90% e 102% do CDI
  • Percentuais ligeiramente acima, como 104%, podem ocorrer
  • Ofertas muito acima disso exigem cautela redobrada

Quando bancos oferecem rentabilidade significativamente superior à média, isso pode indicar maior risco na operação ou necessidade urgente de captação de recursos.

O papel do FGC na proteção do investidor

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) funciona como uma espécie de seguro para determinados produtos financeiros, cobrindo até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira.

São cobertos:

  • Conta corrente e poupança
  • CDB e RDB
  • LCI, LCA, LC, LH e LCD
  • Depósitos a prazo
  • Operações compromissadas com títulos elegíveis

Não são cobertos:

  • CRI e CRA
  • Debêntures
  • Letras financeiras (LF, LI, LIG)
  • Títulos públicos (garantidos pelo Tesouro Nacional)
  • Fundos de investimento
  • Depósitos no exterior

Importante: o FGC reduz perdas em caso de liquidação, mas não elimina transtornos. O processo de ressarcimento pode levar dias ou semanas.

Tamanho importa? Entenda a concentração bancária no Brasil

O mercado bancário brasileiro é altamente concentrado. Segundo dados do Banco Central, os dez maiores bancos concentram mais de 80% dos ativos, depósitos e empréstimos do país.

Entre os maiores em número de clientes estão:

  • Caixa Econômica Federal
  • Nu Pagamentos
  • Bradesco
  • Itaú
  • Banco do Brasil
  • Santander Brasil
  • Banco Inter
  • PagBank

Já entre os maiores por volume de ativos estão Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa e Santander.

Bancos grandes são sempre mais seguros?

Instituições de grande porte tendem a ter:

  • Maior capital próprio
  • Mais liquidez
  • Maior diversificação de crédito
  • Fiscalização intensa

Mas tamanho, por si só, não é garantia absoluta. Bancos são empresas sujeitas a mudanças de gestão e estratégias.

Indicadores que todo consumidor deveria consultar

Antes de escolher onde investir ou manter saldo relevante, vale pesquisar indicadores públicos divulgados pelo Banco Central e por agências de rating.

Índice de Basileia

O Índice de Basileia mede a relação entre o capital próprio do banco e os riscos assumidos.

  • Mínimo exigido no Brasil: 11%
  • Cooperativas: 13%
  • Nível considerado confortável: acima de 15%

Um índice de 15% significa que, a cada R$ 100 emprestados, o banco tem R$ 15 de capital próprio para absorver perdas.

Dados divulgados pelo Banco Central em novembro de 2025 mostram, por exemplo:

  • PagBank: 23,02%
  • Caixa: 16,44%
  • Itaú: 16,40%
  • Bradesco: 15,85%
  • Santander: 15,21%
  • Banco do Brasil: 14,81%

Quanto maior o índice, maior a capacidade de suportar choques.

Lucro líquido recorrente

Lucros consistentes ao longo dos anos indicam gestão eficiente e modelo de negócios sustentável. Prejuízos recorrentes são sinal de alerta.

Inadimplência acima de 90 dias

Percentual elevado de empréstimos com atraso superior a 90 dias indica risco maior na carteira de crédito.

Índice de imobilização

Mostra quanto do capital está preso em ativos fixos. Quanto menor, melhor a capacidade de resposta em momentos de crise.

Rating de crédito

Agências como Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch Ratings avaliam a capacidade de pagamento das instituições.

Rebaixamentos sucessivos devem ser acompanhados com atenção.

Bancos públicos e setores de risco

Alguns segmentos são mais voláteis, como crédito imobiliário e agronegócio. No Brasil, boa parte dessas carteiras está concentrada em bancos públicos, como Caixa (imobiliário) e Banco do Brasil (agro).

Isso reduz o risco sistêmico, já que instituições públicas tendem a contar com respaldo governamental em situações extremas.

Perfil do cliente também influencia a escolha

Segurança não envolve apenas números. Também diz respeito ao tipo de relacionamento que o consumidor deseja ter com o banco.

Atendimento presencial ou digital?

  • Quem valoriza agência física pode preferir bancos tradicionais
  • Quem prioriza praticidade pode optar por bancos digitais

Isso não significa maior ou menor segurança, mas adequação ao perfil.

Diversificação é estratégia inteligente

Uma prática recomendada por planejadores financeiros é não concentrar todo o patrimônio em uma única instituição, principalmente valores acima do limite do FGC.

Distribuir recursos entre bancos diferentes reduz o risco operacional.

O que fazer antes de abrir conta ou investir

Checklist prático:

  1. Consulte o site do Banco Central e verifique se a instituição está regularmente autorizada.
  2. Analise o Índice de Basileia.
  3. Verifique lucro líquido e histórico de resultados.
  4. Pesquise notícias recentes sobre governança.
  5. Confira se o produto tem cobertura do FGC.
  6. Desconfie de rentabilidade muito acima da média do mercado.

A educação financeira é a principal ferramenta de proteção do consumidor.

Conclusão: cautela, informação e diversificação são a chave

Os casos recentes de liquidação bancária no Brasil não configuram crise sistêmica, mas servem como alerta importante. O sistema financeiro nacional é sólido e fortemente regulado, porém risco zero não existe.

Consumidores que analisam indicadores, entendem o funcionamento do FGC, evitam promessas irreais de rentabilidade e diversificam recursos tendem a reduzir significativamente a exposição a problemas.

Mais do que escolher entre banco grande ou pequeno, o essencial é tomar decisões baseadas em informação qualificada e compatíveis com o próprio perfil financeiro.

Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.

Compartilhar
Seu Crédito Digital

Descubra tudo que você tem direito

Benefícios, crédito e dinheiro esquecido: veja as ofertas e ferramentas que separamos para o seu perfil.