Até o momento, ainda faltam muitos esclarecimentos quanto ao próximo auxílio emergencial, já que foi alegado diversas vezes que os cofres públicos estão limitados para uma possível volta do benefício para os brasileiros.
Como o governo vai custear o novo auxílio emergencial?
Muito tem-se especulado sobre como o Governo pagará o novo auxílio emergencial para milhares de brasileiros. Entenda o planejamento.
O ministro da economia, Paulo Guedes, se reuniu com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o presidente da Câmara, Arthur Lira, para viabilizar uma nova execução do auxílio.
Entretanto, os detalhes sobre como o governo vai conseguir pagar isso ainda continuam escassos.
Até agora, sabe-se que a próxima leva do benefício será por meio de uma cláusula de calamidade, o que faz com que se passe por cima das regras de gastos do governo.
O governo propôs o pagamento para a metade dos beneficiários do ano passado e com uma parcela menor (ainda a definir) de R$ 200 ou R$ 250, que totaliza uma distribuição em torno de R$ 30 bilhões, isso segundo dados do painel de monitoramento do Tesouro Nacional.
A medida ainda pretende vir com compensações financeiras. Um corte de despesas também foi mencionado, como o congelamento do salário dos servidores públicos.
Há a ideia da inclusão dos mecanismos nas Propostas de Emenda à Constituição Emergencial e do Pacto Federativo, que prosseguem no congresso desde o ano de 2019.
Espera-se que dois textos sejam unidos e votados na próxima semana.
É provável que você também goste:
Governo pretende aprovar novo auxílio emergencial até 15 de março
Novo Auxílio Emergencial: mães chefes de família vão receber mesmo duas cotas?
Analistas esperam responsabilidade na execução do próximo auxílio emergencial
Devido a falta de clareza de como o governo irá compensar os gastos, o pesquisador associado do Insper, Marcos Mendes, diz que uma suspensão nas regras de gastos tem que ser executada com extrema cautela para não aumentar o número de despesas do pacote.
Também acrescenta que dificilmente tais ajustes saiam do papel.
Para Felipe Salto, diretor-executivo da IFI, ainda falta um plano fiscal de médio prazo.
Matheus Rosa, pesquisador da área de Economia Aplicada do IBRE, ligado à Fundação Getúlio Vargas, diz que haverá consequências e que tais regras existem para evitar problemas futuros, inclusive para a população.
O sustento dessa regra foi o que, por exemplo, permitiu a execução do benefício ano passado.
O que pode acontecer se não houver compensação?
Segundo Marcos Mendes, futuramente, a falta de compensação provocará efeitos negativos para a economia brasileira, como perspectiva de mercado, aumento do dólar e inflação e acrescenta que a pandemia já piorou a crise das contas públicas federais.
Por que o cenário piorou em 2021?
Basicamente, pela situação já ter sido grave no último ano. A aprovação do Orçamento de Guerra suspendeu regras que limitam despesas, como o teto de gastos, por exemplo. Havia um controle sobre o que o governo gastava, mas as contas públicas pioraram.
Segundo o Banco Central, as dívidas brutas e INSS de estados e municípios atingiram 89,3% do PIB no final do ano passado. Em dezembro de 2019, a dívida estava em 75,8%.
Quais são as alternativas?
Mendes diz que, em um cenário normal, há 3 formas básicas de bancar o auxílio emergencial:
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
- Reduzir despesas;
- Elevar as receitas;
- Aumentar a dívida pública.
Entretanto, o espaço para a atuação do governo está restrito às regras de gastos.
Uma norma impede o governo de receber dinheiro emprestado para pagar despesas, por isso necessita-se da autorização do Congresso Nacional.
As outras duas alternativas são ainda piores. Mendes afirma que o governo já cortou onde era possível e que, mesmo que aumente as receitas, o Orçamento se restringe ao teto de gastos.
Por que o governo não imprime dinheiro?
Porque significaria aumento na inflação.
No ano passado, a percepção era de que um aumento pontual desse dinheiro circulante não teria consequências graves, já que a atividade econômica estava deprimida. No final de 2020, contudo, a inflação voltou a acelerar.
Em 2020, tinha-se uma percepção mais otimista sobre mais dinheiro circulando, devido a economia estar deprimida, mas as coisas mudaram até o final do ano, com o crescimento da inflação.
Mendes diz que “não há mágica”, que a ideia de imprimir dinheiro não passa de um sonho infantil e que todo passivo do governo terá retorno.
Enfim, quer ficar por dentro de tudo o que acontece no mundo das finanças?
Então é só seguir o Seu Crédito Digital no YouTube, Facebook, Twitter, Instagram e Twitch. Assim você vai acompanhar tudo sobre bancos digitais, cartões de crédito, empréstimos etc. Siga a gente para saber mais!
Imagem: Brenda Rocha – Blossom/shutterstock.com
Pode ser do seu interesse:

