Apesar da recente valorização do dólar frente ao real, impulsionada pelo aumento das tensões diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos, a moeda norte-americana segue em patamar mais baixo do que os R$ 6,00 registrados no fim de 2024 e no início de 2025.
Esse movimento trouxe certo alívio para viajantes e investidores, ainda que a oscilação da cotação siga como fator de preocupação. Economistas destacam que o momento exige cautela e planejamento, principalmente para quem tem compromissos no exterior.

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Compra gradual começa agora
Uma das recomendações mais destacadas pelos especialistas é a compra gradual de dólares. Em vez de adquirir todo o valor necessário de uma só vez, o ideal é dividir a compra ao longo dos meses.
O planejador financeiro Harion Camargo, certificado pela Planejar, sugere que os viajantes adquiram entre 30% e 50% do montante que pretendem levar. A estratégia reduz a exposição às variações cambiais e traz maior previsibilidade ao orçamento.
O consultor Rafael Gonçalves, da W1 Consultoria, complementa que o ideal é manter regularidade na compra. “O viajante pode comprar dólar todos os meses no mesmo período, diluindo o custo da viagem no fluxo de caixa”, orienta.
De olho na reunião do Federal Reserve
Outro ponto que deve ser acompanhado é a decisão de juros do Federal Reserve, banco central norte-americano. O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) se reúne em 16 e 17 de setembro, e qualquer movimento na taxa de juros pode impactar diretamente a cotação do dólar.
Segundo Gonçalves, caso ocorra redução da taxa, a tendência é que o dólar mantenha preços mais baixos por algum tempo. Nesse cenário, quem já tem viagem marcada pode se beneficiar comprando uma parte agora e deixando o restante para os próximos meses.
Meios de pagamento recomendados para viagens
Além da compra gradual, especialistas destacam a importância da escolha correta dos meios de pagamento.
Cartões digitais e pré-pagos
Cartões internacionais oferecidos por plataformas como Wise, Nomad, além de opções de corretoras como XP e Avenue, são alternativas cada vez mais utilizadas.
Camargo ressalta que os cartões digitais oferecem vantagens como proteção contra perdas, bloqueio remoto e aceitação em praticamente todo o mundo por meio das bandeiras Visa e Mastercard.
Os cartões pré-pagos também se destacam pela possibilidade de “travar” a cotação no momento da carga, o que garante previsibilidade no planejamento financeiro.
O uso do cartão de crédito
Apesar de ser amplamente aceito, o cartão de crédito tradicional não é a primeira escolha dos especialistas. O motivo são os custos elevados, já que incidem sobre ele taxas de IOF e spreads bancários. Gonçalves recomenda que o cartão seja usado apenas em situações emergenciais.
Dinheiro em espécie: riscos e recomendações

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Levar dinheiro em espécie ainda é uma prática comum entre viajantes, mas cada vez menos indicada pelos consultores financeiros.
As principais desvantagens são os custos elevados nas casas de câmbio, com spreads que podem ultrapassar 10%, além do risco de roubo ou extravio. Camargo lembra que também há restrições legais, como a obrigatoriedade de declarar valores acima de R$ 10 mil na alfândega.
Ainda assim, os especialistas recomendam portar uma quantia reduzida em espécie, algo entre US$ 500 e US$ 1.000, para despesas emergenciais. A maior parte dos gastos, no entanto, deve ser realizada por meios digitais.
Estratégia para o viajante em 2025
Diante da instabilidade cambial e da possibilidade de novos movimentos do Federal Reserve, a melhor estratégia para quem vai viajar em 2025 é diversificar os meios de pagamento e planejar a compra de dólares ao longo do tempo.
Dividir as compras, utilizar cartões digitais e manter apenas uma pequena parte em espécie são medidas que oferecem segurança, previsibilidade e economia.
Especialistas também recomendam que o viajante acompanhe os noticiários econômicos e se mantenha atento a fatores internacionais que possam afetar o câmbio, como decisões de juros, tensões diplomáticas e movimentações no comércio exterior.
Perspectivas para os próximos meses

O cenário ainda é de cautela, mas a expectativa é de que o dólar permaneça abaixo do pico registrado em 2024. Caso os Estados Unidos reduzam os juros, haverá espaço para maior estabilidade, beneficiando brasileiros que planejam viagens internacionais.
Por outro lado, qualquer intensificação nas tensões políticas e comerciais pode elevar novamente a cotação, reforçando a importância do planejamento gradual.



