Com o crescimento das compras online e o fácil acesso à tecnologia, casos de crianças e adolescentes utilizando o cartão de crédito dos pais sem autorização têm se tornado cada vez mais frequentes. A situação gera dúvidas sobre como agir, quais medidas tomar e qual é a responsabilidade dos bancos e das instituições financeiras nesses episódios.
O que fazer em caso de compra indevida no cartão realizada pelo próprio filho?
Saiba como cancelar compras feitas por crianças com seu cartão de crédito. Entenda seus direitos e a responsabilidade dos bancos.
A advogada Renata Balenque, diretora jurídica do Instituto de Defesa do Consumidor e Contribuinte, afirma que o Código de Defesa do Consumidor (CDC) oferece garantias ao titular do cartão, especialmente quando a compra é feita por menores de idade sem consentimento.

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Direitos do consumidor em caso de compras indevidas
Código de Defesa do Consumidor é a base legal
O CDC prevê que toda compra feita sem a ciência ou autorização do titular do cartão pode ser contestada e cancelada, desde que comunicada rapidamente. Isso vale, inclusive, para compras feitas por filhos, netos ou outros familiares menores de idade. Nesse tipo de situação, entende-se que não houve consentimento real do titular, e a operadora de cartão deve proceder com o estorno.
Além disso, quando o consumidor percebe a compra indevida, a recomendação é agir de forma imediata. A rapidez na contestação é fundamental para impedir que o pagamento seja processado e para aumentar as chances de reembolso total.
Compras virtuais têm cancelamento facilitado
No caso de compras online, a identificação de transações não reconhecidas é mais rápida e, muitas vezes, reversível. Plataformas de pagamento, como lojas virtuais, aplicativos e operadoras de cartão, costumam dispor de canais próprios para contestação imediata.
A advogada destaca que, ao perceber a compra, o responsável deve entrar em contato com o banco emissor do cartão, com a bandeira (como Visa ou Mastercard) e também com o fornecedor do produto ou serviço. A atuação simultânea aumenta as chances de sucesso na reversão do valor.
Como identificar uma compra indevida
Dicas para monitorar transações
Os especialistas recomendam que os pais ou responsáveis monitorem constantemente o extrato do cartão de crédito. Muitos aplicativos bancários oferecem a opção de notificação em tempo real, que avisa sempre que uma nova transação é realizada.
Outra orientação importante é configurar senhas, autenticação por biometria e alertas para impedir transações não autorizadas. Também é possível restringir o uso do cartão em determinadas plataformas ou ativar o modo “virtual”, em que o número do cartão é temporário e limitado para compras específicas.
Atenção ao perfil de consumo
O banco tem responsabilidade em identificar padrões incomuns de consumo. Se o cliente costuma realizar compras de pequeno valor e, de repente, surge uma transação em nome de uma empresa de jogos ou aplicativos voltada ao público infantil, isso deve acionar os mecanismos de segurança da instituição.
Segundo Renata Balenque, essa omissão pode configurar falha na prestação do serviço e gerar responsabilidade por parte do banco. “É obrigação da instituição financeira oferecer sistemas eficazes de monitoramento de fraudes e alertas em caso de compras atípicas”, pontua a especialista.
Como agir em caso de compra feita por criança
Passo a passo para solicitar cancelamento
Ao identificar uma compra não autorizada feita por um filho ou menor sob sua responsabilidade, o titular deve:
- Verificar imediatamente no aplicativo ou extrato do cartão de crédito os detalhes da transação.
- Entrar em contato com o banco emissor do cartão e solicitar o bloqueio temporário e a contestação da compra.
- Notificar a bandeira do cartão (Visa, Mastercard, etc.) sobre o ocorrido.
- Comunicar o fornecedor do produto ou serviço adquirido.
- Registrar uma reclamação no Procon ou na plataforma consumidor.gov.br, caso o pedido não seja atendido.
É possível reaver o valor?
Sim. Na maioria dos casos, especialmente quando há evidências de que a compra foi feita por um menor sem autorização, o consumidor tem direito ao estorno do valor. A instituição financeira pode abrir uma investigação e, se necessário, solicitar comprovantes para validar a contestação.
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Em compras online, o prazo para estorno costuma variar de sete a 30 dias, conforme as políticas da bandeira e do banco. Já em lojas físicas, o processo pode ser mais burocrático, exigindo comunicação direta com o estabelecimento.
Responsabilidade dos pais e dos bancos
Quando os pais são responsabilizados
Embora o uso do cartão por um filho seja considerado compra indevida, é importante que os pais tomem precauções para evitar esse tipo de situação. Caso o cartão tenha sido entregue ou deixado com acesso fácil à criança, as instituições podem questionar a negligência dos responsáveis.
Por isso, o ideal é nunca deixar cartões ou senhas ao alcance de menores e utilizar mecanismos de bloqueio, autenticação e limitação de uso.
Dever de segurança das instituições financeiras
As instituições financeiras e operadoras de cartão de crédito também têm obrigação legal de oferecer sistemas de proteção contra fraudes. Isso inclui:
- Detecção de comportamento fora do padrão de consumo
- Notificações imediatas por aplicativo
- Opção de bloqueio temporário de cartão
- Suporte ágil em casos de contestação
Se o banco falhar em qualquer uma dessas etapas, o consumidor poderá exigir não só o estorno, mas também reparação por danos materiais e morais, dependendo do caso.
Conclusão

Casos de compras indevidas feitas por crianças com o cartão dos pais são cada vez mais comuns na era digital. Apesar de parecer uma situação delicada, o consumidor possui respaldo legal para cancelar a transação e reaver os valores cobrados. A chave está na rapidez da contestação e no registro de provas.
É essencial que os pais adotem práticas de segurança para evitar novos episódios e que as instituições financeiras cumpram seu dever de monitoramento e proteção ao cliente. Em caso de negativa do banco ou do fornecedor, o Procon e os canais de defesa do consumidor são os próximos passos para garantir seus direitos.
