O Brasil enfrenta uma realidade desigual quando o assunto é desemprego, e os dados mais recentes do IBGE, referentes ao 3º trimestre de 2024, trazem informações detalhadas sobre as taxas de desocupação por estado.
Confira o ranking dos estados brasileiros que lideram em desemprego
As maiores taxas de desemprego no Brasil no 3º trimestre foram registradas em Pernambuco (10,5%) e Bahia (9,7%). Conheça as taxas de desocupação por estado
As maiores taxas de desemprego foram registradas em Pernambuco e na Bahia, que lideram o ranking de desocupação no país. No entanto, outras unidades da federação também apresentam taxas de desemprego preocupantes, enquanto algumas, como Rondônia e Santa Catarina, mostram um cenário mais favorável.
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O Contexto Nacional do Desemprego no Brasil
Antes de observarmos as taxas de desemprego por estado, é importante contextualizar o panorama nacional. A taxa média de desemprego no Brasil caiu para 6,4% no 3º trimestre de 2024. Esse é o segundo menor valor já registrado desde o início da série histórica do IBGE, em 2012, ficando atrás apenas do resultado de dezembro de 2013, quando a taxa foi de 6,3%.
Apesar dessa redução na taxa nacional, a desigualdade entre as regiões e as diferentes características socioeconômicas ainda é evidente. A pesquisa mostra que 15 estados apresentaram taxas de desemprego superiores à média nacional. Entre os estados com os maiores índices de desemprego, Pernambuco e Bahia se destacam, com taxas de 10,5% e 9,7%, respectivamente.

Pernambuco e Bahia: Os Estados com as Maiores Taxas de Desemprego
Pernambuco: 10,5% de Desemprego
Pernambuco lidera o ranking de desemprego no Brasil, com uma taxa de 10,5%. Esse número é um reflexo de uma série de desafios econômicos e estruturais que o estado enfrenta, como a falta de diversificação econômica e altos índices de informalidade no mercado de trabalho.
A taxa de informalidade em Pernambuco é elevada, o que significa que muitos trabalhadores ocupados estão em empregos sem carteira assinada, o que contribui para a vulnerabilidade no mercado de trabalho.
Além disso, o estado ainda sofre com desigualdades regionais significativas, onde as áreas periféricas e o interior enfrentam uma escassez de oportunidades de emprego, especialmente nas faixas de renda mais baixas.
Bahia: 9,7% de Desemprego
A Bahia ocupa a segunda posição no ranking, com uma taxa de desemprego de 9,7%. Apesar de ser um dos estados mais populosos do Brasil, a Bahia enfrenta dificuldades semelhantes às de Pernambuco, incluindo a alta taxa de informalidade e uma economia baseada em setores com pouca geração de empregos formais.
O desemprego é particularmente alto entre os jovens e pessoas com menor escolaridade. Além disso, o estado ainda luta com uma forte desigualdade social e econômica, o que agrava o cenário de desocupação. As políticas públicas de geração de emprego e renda ainda são insuficientes para reduzir as disparidades entre a capital, Salvador, e o interior do estado.
Estados com as Menores Taxas de Desemprego
Enquanto Pernambuco e Bahia enfrentam altas taxas de desemprego, outras regiões do Brasil apresentam um cenário mais otimista.
Rondônia: 2,1% de Desemprego
Rondônia se destaca com a menor taxa de desemprego do Brasil, com 2,1%. Esse índice reflete um mercado de trabalho aquecido, impulsionado pelo crescimento de setores como a agricultura e a indústria, que têm gerado novas oportunidades de emprego. A presença de grandes projetos de infraestrutura no estado também contribui para a criação de novos postos de trabalho.
Mato Grosso: 2,3% de Desemprego
Mato Grosso é outro estado com uma das menores taxas de desemprego, com 2,3%. A economia local é fortemente ligada ao agronegócio, especialmente à produção de soja, milho e carne bovina. Esse setor tem gerado uma demanda crescente por mão-de-obra, contribuindo para uma taxa de desemprego muito baixa.
Santa Catarina: 2,8% de Desemprego
Santa Catarina também se destaca entre os estados com menor taxa de desemprego, com 2,8%. O estado é um dos mais industrializados do Brasil, com um forte setor de manufatura e um mercado de trabalho diversificado. A economia local é mais estável e oferece mais oportunidades de emprego, tanto formais quanto informais, contribuindo para esse resultado positivo.
Desemprego e Informalidade no Brasil
Outro dado importante é a taxa de informalidade no Brasil, que foi de 38,8% no 3º trimestre de 2024. Isso significa que quase 40% dos trabalhadores brasileiros estão em empregos informais, ou seja, sem carteira assinada, o que implica em menor proteção social e direitos trabalhistas.
Os Estados com as Maiores Taxas de Informalidade
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Os estados com as maiores taxas de informalidade são:
- Pará: 56,9%;
- Maranhão: 55,6%;
- Piauí: 54,5%.
Esses estados enfrentam grandes desafios econômicos, com economias predominantemente informais e pouca geração de empregos formais. A informalidade aumenta a vulnerabilidade dos trabalhadores, pois eles não têm acesso a benefícios como aposentadoria, licença-maternidade e férias.
Os Estados com as Menores Taxas de Informalidade
Por outro lado, os estados com as menores taxas de informalidade são:
- Santa Catarina: 26,8%;
- Distrito Federal: 30,2%;
- São Paulo: 30,6%.
Esses estados apresentam economias mais formalizadas, com uma maior proporção de trabalhadores com carteira assinada. Isso reflete um mercado de trabalho mais estruturado e com mais oportunidades formais de emprego.

Desemprego e Desigualdade Social no Brasil
A taxa de desemprego também varia de acordo com fatores como sexo, cor/raça e nível de escolaridade. Segundo os dados do IBGE, a taxa de desocupação é maior entre as mulheres (7,7%) do que entre os homens (5,3%), refletindo a desigualdade de gênero no mercado de trabalho.
As mulheres, especialmente as negras e pardas, enfrentam maiores dificuldades para ingressar ou se manter no mercado de trabalho.Em termos de cor ou raça, a taxa de desemprego é mais alta entre os pretos (7,6%) e pardos (7,3%) do que entre os brancos (5%).
Isso evidencia a persistente desigualdade racial no Brasil, com os negros enfrentando maiores barreiras de acesso ao mercado de trabalho. Além disso, a taxa de desemprego varia de acordo com o nível de escolaridade. Para as pessoas com ensino médio incompleto, a taxa de desocupação é de 10,8%, significativamente mais alta do que para aqueles com ensino superior completo (3,2%).
Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
