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Conheça a história de Raoni, cacique que subiu a rampa ao lado de Lula

Grande representante da comunidade indígena, o cacique Raoni subiu a rampa ao lado do novo presidente. Conheça a sua história!

Liliana LuísaPor Liliana Luísa3 min de leitura
Rosto de cacique Raoni

No domingo (1º), o cacique kayapó subiu a rampa do Planalto ao lado do novo presidente do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva (PT). Conheça a história de Raoni Metuktire e a sua importância para a comunidade indígena.

O cacique é considerado um dos maiores líderes indígenas do país e é reconhecido internacionalmente.

Onde começa a história de Raoni

Raoni Metuktire nasceu em 1932, na aldeia Krajmopyjakare, localizada no nordeste do estado do Mato Grosso. Integrante da etnia kayapó, na época, ele não tinha contato com pessoas de fora da aldeia.

Por se tratar de uma comunidade nômade, a infância de Raoni foi marcada por viagens, assim como disputas tribais. Então, aos 15 anos, com instrução de seu irmão Motibau, inseriu um disco de madeira em seu lábio inferior – o botoque, ornamento geralmente utilizado por grandes oradores indígenas.

Seu primeiro contato com os não indígenas se deu aos 22 anos, quando encontrou os irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Bôas na região, prestando serviços federais. Com eles, Raoni aprendeu a língua portuguesa e sua cultura.

Porta-voz de movimentos de preservação da Amazônia

Com sua presença influente, Raoni se tornou porta-voz de campanhas de preservação da natureza brasileira, principalmente em relação à Amazônia.

Além disso, sua boa relação com pessoas famosas, até mesmo o cantor inglês Sting, trouxe muitos investimentos benéficos para a preservação da região brasileira. Jean-Pierre Dutilleux fez um filme sobre Raoni e seu povo, que recebeu prêmios em várias partes do mundo.

Seu empenho e negociações permitiram a criação do parque nacional na região do rio Xingu, na Amazônia – uma das maiores reservas naturais do mundo. Outras figuras como Juan Carlos, ex-rei da Espanha, e Charles, o príncipe de Gales, também apoiaram projetos de preservação ambiental.

Através do movimento indigenista, o cacique pôde encontrar pessoas influentes: o rei Leopoldo da Bélgica, o papa João Paulo II, o papa Francisco, bem como três presidentes franceses – François Miterrand, Jacques Chirac e o atual Emmanuel Macron.

Em 2021, o cacique recebeu o título de Membro Honorário da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e, no anterior, recebeu indicação para o Prêmio Nobel da Paz.

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Representante indígena critica ações do governo de forma apartidária

Apesar de subir a rampa ao lado de Lula, o apoio do indígena vincula-se à promessa de que o governo futuro seja justo e sustentável. No passado, Raoni já se posicionou contra Lula e também contra Dilma Rousseff (PT).

“Todos os presidentes anteriores nos apoiaram. A partir de Lula, todos geraram divisão entre o indígena e o governo”, afirmou. “Ele [Lula] começou a planejar essa ideia de levantar [a hidrelétrica de] Belo Monte. Nós conseguimos parar a obra, só que ela recomeçou com Dilma”, explicitou o líder indígena.

Este parece ser o primeiro passo para que a divisão entre indígena e governo seja quebrada e possa ser restabelecida uma relação de paz e harmonia entre os povos.

Imagem: Eric Valenne geostory/Shutterstock

Liliana Luísa

Autor

Liliana Luísa

Formada em Letras, Liliana é uma profissional com 10 anos de experiência no mercado de trabalho, atuando como revisora e redatora.

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