Lançado com o objetivo de democratizar o acesso ao crédito para trabalhadores com carteira assinada, o programa Crédito do Trabalhador, também chamado de Consignado CLT, alcançou R$ 30,2 bilhões em empréstimos concedidos até o fim de agosto de 2025. Foram mais de 4,2 milhões de contratos efetivados, com média de R$ 7.179,18 por operação.
FGTS x consignado CLT: como funciona cada modalidade de crédito
Crédito do Trabalhador e saque-aniversário do FGTS: veja como funcionam, riscos e impacto no bolso em 2025.
Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a maioria dos tomadores são trabalhadores que ganham até quatro salários mínimos, o que indica um redirecionamento em relação ao modelo tradicional de consignado por convênio — onde 65% dos beneficiários possuíam renda acima de oito salários mínimos.
Leia mais:
Nascidos em setembro já podem sacar FGTS

O papel do FGTS nas duas modalidades
Garantia no Consignado CLT
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) desempenha um papel fundamental no Crédito do Trabalhador. Ele funciona como garantia colateral em caso de demissão. Ou seja, se o trabalhador perder o emprego, os valores devidos podem ser deduzidos da multa rescisória e do saldo disponível no FGTS.
Restrição no saque-aniversário
No saque-aniversário, o trabalhador pode retirar uma parte do saldo da conta do FGTS anualmente, no mês do seu nascimento. Porém, ao aderir à modalidade, ele perde o direito de sacar o valor integral em caso de demissão sem justa causa — recebendo apenas a multa de 40%.
Pontos de atenção: é seguro usar o FGTS como garantia?
Segundo Marcos Crivelaro, professor de finanças da Fundação Vanzolini/Poli USP, o FGTS deveria ser tratado como “intocável”. Para ele, envolver o fundo em operações de crédito pode ser perigoso, especialmente se o valor não resolver o problema financeiro de forma estrutural.
Já Jhonny Martins, da consultoria SERAC, alerta para o Custo Efetivo Total (CET). Mesmo com juros aparentemente baixos, taxas administrativas e encargos ocultos podem encarecer a operação. A recomendação é analisar a taxa total e não apenas os juros nominais.
Como funciona o Crédito do Trabalhador
Solicitação digital
A contratação pode ser feita diretamente pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital). Para isso, o trabalhador precisa autorizar o acesso a informações como:
- Nome e CPF
- Margem consignável disponível
- Tempo de empresa
As ofertas chegam em até 24 horas. O profissional pode comparar e escolher a mais vantajosa.
Desconto em folha e garantias
O valor das parcelas é descontado diretamente na folha de pagamento, via eSocial. O trabalhador pode usar:
- Até 10% do saldo do FGTS como garantia
- 100% da multa rescisória, caso seja demitido
Mesmo trabalhadores domésticos, rurais ou MEIs contratados como CLT também podem acessar o crédito.
Juros e condições

Taxa média de juros
De acordo com o MTE, o juro médio do Crédito do Trabalhador é de 3,59% ao mês, mas a taxa pode variar conforme:
- Valor solicitado
- Prazo de pagamento
- Salário mensal
- Saldo no FGTS
Para muitos trabalhadores, especialmente os de baixa renda, esse juro é menor do que o cobrado em linhas tradicionais de crédito pessoal.
Portabilidade e refinanciamento: novas possibilidades
Desde 25 de agosto de 2025, o programa passou a permitir:
1. Migração de empréstimos (portabilidade)
O trabalhador pode transferir o contrato de um banco para outro que ofereça juros menores, reduzindo o custo total.
2. Refinanciamento da dívida
Permite reorganizar o contrato com novos prazos e condições — útil para quem está com o orçamento apertado.
A portabilidade dentro da Carteira de Trabalho Digital começa a funcionar em outubro de 2025, mas já é possível fazer o processo diretamente com os bancos.
Como pedir a portabilidade:
- Verifique se o novo banco opera o consignado CLT
- Solicite a portabilidade nos canais digitais da instituição
- O novo banco quitará a dívida anterior e assumirá o contrato com novas condições
Saque-aniversário do FGTS: dinheiro fácil, mas com riscos
Como funciona
Criado em 2020, o saque-aniversário permite retirar parte do saldo do FGTS anualmente, mas com limitações importantes:
- Após adesão, o trabalhador não pode sacar o valor total da conta caso seja demitido (por dois anos)
- Receberá apenas a multa de 40%
- A adesão é opcional e pode ser revertida após o prazo de carência
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Quando vale a pena?
Segundo especialistas, o saque-aniversário pode ser útil para demandas pontuais, como:
- Manutenção urgente
- Saúde ou despesas imprevistas
- Quitação de dívida com juros altos
Porém, usá-lo como renda recorrente pode comprometer a reserva de emergência futura.
Antecipação do saque-aniversário: empréstimo disfarçado?
Outra funcionalidade comum é a antecipação do saque-aniversário, oferecida por bancos como a Caixa Econômica Federal, que permite:
- Antecipar até 10 anos de saques futuros
- Contratação 100% digital
- Juros variáveis (atenção ao CET)
Apesar de não ser tecnicamente um empréstimo, essa antecipação compromete o saldo do FGTS por muitos anos, reduzindo sua disponibilidade em caso de necessidade.
Crédito com responsabilidade: o que considerar antes de contratar
Avalie o Custo Efetivo Total (CET)
Mesmo que a taxa mensal pareça baixa, taxas de administração, IOF, seguros e outros encargos podem inflacionar o custo final.
Priorize dívidas mais caras
Use o crédito consignado ou o saque do FGTS para quitar dívidas mais caras, como rotativo do cartão ou cheque especial.
Planeje os pagamentos
Tenha clareza sobre o impacto da parcela no orçamento. Um crédito mal planejado pode gerar endividamento em cascata.
Perspectivas para o futuro

Com a continuidade do programa e a previsão de portabilidade digital a partir de outubro, o Crédito do Trabalhador deve se tornar ainda mais competitivo. No entanto, a recomendação geral dos especialistas é:
- Evite usar o FGTS como garantia sempre que possível
- Utilize o saque-aniversário com cautela
- Analise bem antes de antecipar valores
Em um ambiente de juros ainda elevados e incertezas econômicas, a educação financeira e o planejamento individual são as melhores ferramentas para aproveitar essas modalidades sem comprometer o futuro.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
