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FGTS x consignado CLT: como funciona cada modalidade de crédito

Crédito do Trabalhador e saque-aniversário do FGTS: veja como funcionam, riscos e impacto no bolso em 2025.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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Lançado com o objetivo de democratizar o acesso ao crédito para trabalhadores com carteira assinada, o programa Crédito do Trabalhador, também chamado de Consignado CLT, alcançou R$ 30,2 bilhões em empréstimos concedidos até o fim de agosto de 2025. Foram mais de 4,2 milhões de contratos efetivados, com média de R$ 7.179,18 por operação.

Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a maioria dos tomadores são trabalhadores que ganham até quatro salários mínimos, o que indica um redirecionamento em relação ao modelo tradicional de consignado por convênio — onde 65% dos beneficiários possuíam renda acima de oito salários mínimos.

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O papel do FGTS nas duas modalidades

Garantia no Consignado CLT

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) desempenha um papel fundamental no Crédito do Trabalhador. Ele funciona como garantia colateral em caso de demissão. Ou seja, se o trabalhador perder o emprego, os valores devidos podem ser deduzidos da multa rescisória e do saldo disponível no FGTS.

Restrição no saque-aniversário

No saque-aniversário, o trabalhador pode retirar uma parte do saldo da conta do FGTS anualmente, no mês do seu nascimento. Porém, ao aderir à modalidade, ele perde o direito de sacar o valor integral em caso de demissão sem justa causa — recebendo apenas a multa de 40%.

Pontos de atenção: é seguro usar o FGTS como garantia?

Segundo Marcos Crivelaro, professor de finanças da Fundação Vanzolini/Poli USP, o FGTS deveria ser tratado como “intocável”. Para ele, envolver o fundo em operações de crédito pode ser perigoso, especialmente se o valor não resolver o problema financeiro de forma estrutural.

Jhonny Martins, da consultoria SERAC, alerta para o Custo Efetivo Total (CET). Mesmo com juros aparentemente baixos, taxas administrativas e encargos ocultos podem encarecer a operação. A recomendação é analisar a taxa total e não apenas os juros nominais.

Como funciona o Crédito do Trabalhador

Solicitação digital

A contratação pode ser feita diretamente pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital). Para isso, o trabalhador precisa autorizar o acesso a informações como:

  • Nome e CPF
  • Margem consignável disponível
  • Tempo de empresa

As ofertas chegam em até 24 horas. O profissional pode comparar e escolher a mais vantajosa.

Desconto em folha e garantias

O valor das parcelas é descontado diretamente na folha de pagamento, via eSocial. O trabalhador pode usar:

  • Até 10% do saldo do FGTS como garantia
  • 100% da multa rescisória, caso seja demitido

Mesmo trabalhadores domésticos, rurais ou MEIs contratados como CLT também podem acessar o crédito.

Juros e condições

Crédito do trabalhador
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Taxa média de juros

De acordo com o MTE, o juro médio do Crédito do Trabalhador é de 3,59% ao mês, mas a taxa pode variar conforme:

  • Valor solicitado
  • Prazo de pagamento
  • Salário mensal
  • Saldo no FGTS

Para muitos trabalhadores, especialmente os de baixa renda, esse juro é menor do que o cobrado em linhas tradicionais de crédito pessoal.

Portabilidade e refinanciamento: novas possibilidades

Desde 25 de agosto de 2025, o programa passou a permitir:

1. Migração de empréstimos (portabilidade)

O trabalhador pode transferir o contrato de um banco para outro que ofereça juros menores, reduzindo o custo total.

2. Refinanciamento da dívida

Permite reorganizar o contrato com novos prazos e condições — útil para quem está com o orçamento apertado.

A portabilidade dentro da Carteira de Trabalho Digital começa a funcionar em outubro de 2025, mas já é possível fazer o processo diretamente com os bancos.

Como pedir a portabilidade:

  1. Verifique se o novo banco opera o consignado CLT
  2. Solicite a portabilidade nos canais digitais da instituição
  3. O novo banco quitará a dívida anterior e assumirá o contrato com novas condições

Saque-aniversário do FGTS: dinheiro fácil, mas com riscos

Como funciona

Criado em 2020, o saque-aniversário permite retirar parte do saldo do FGTS anualmente, mas com limitações importantes:

  • Após adesão, o trabalhador não pode sacar o valor total da conta caso seja demitido (por dois anos)
  • Receberá apenas a multa de 40%
  • A adesão é opcional e pode ser revertida após o prazo de carência

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Quando vale a pena?

Segundo especialistas, o saque-aniversário pode ser útil para demandas pontuais, como:

  • Manutenção urgente
  • Saúde ou despesas imprevistas
  • Quitação de dívida com juros altos

Porém, usá-lo como renda recorrente pode comprometer a reserva de emergência futura.

Antecipação do saque-aniversário: empréstimo disfarçado?

Outra funcionalidade comum é a antecipação do saque-aniversário, oferecida por bancos como a Caixa Econômica Federal, que permite:

  • Antecipar até 10 anos de saques futuros
  • Contratação 100% digital
  • Juros variáveis (atenção ao CET)

Apesar de não ser tecnicamente um empréstimo, essa antecipação compromete o saldo do FGTS por muitos anos, reduzindo sua disponibilidade em caso de necessidade.

Crédito com responsabilidade: o que considerar antes de contratar

Avalie o Custo Efetivo Total (CET)

Mesmo que a taxa mensal pareça baixa, taxas de administração, IOF, seguros e outros encargos podem inflacionar o custo final.

Priorize dívidas mais caras

Use o crédito consignado ou o saque do FGTS para quitar dívidas mais caras, como rotativo do cartão ou cheque especial.

Planeje os pagamentos

Tenha clareza sobre o impacto da parcela no orçamento. Um crédito mal planejado pode gerar endividamento em cascata.

Perspectivas para o futuro

FGTS saque-aniversario
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

Com a continuidade do programa e a previsão de portabilidade digital a partir de outubro, o Crédito do Trabalhador deve se tornar ainda mais competitivo. No entanto, a recomendação geral dos especialistas é:

  • Evite usar o FGTS como garantia sempre que possível
  • Utilize o saque-aniversário com cautela
  • Analise bem antes de antecipar valores

Em um ambiente de juros ainda elevados e incertezas econômicas, a educação financeira e o planejamento individual são as melhores ferramentas para aproveitar essas modalidades sem comprometer o futuro.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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