Lançado em março de 2025 pelo governo federal, o Crédito Consignado para trabalhadores CLT, dentro do programa Crédito do Trabalhador, começa a ganhar robustez no mercado financeiro. Em menos de dois meses desde sua liberação nas plataformas dos próprios bancos, os juros já registraram leve queda: passaram de 3,69% ao mês em 25 de abril para 3,68% no início de maio, conforme dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), obtidos pela IstoÉ Dinheiro.
Consignado CLT: beneficiários ganham opção com taxa mais baixa e possível isenção
Nova fase do consignado CLT reduz juros para 3,68% ao mês e amplia acesso com menos burocracia. Entenda como funciona.
Embora a redução pareça discreta, especialistas destacam que o movimento pode sinalizar um início de competição entre instituições financeiras, o que tende a beneficiar o trabalhador com taxas de juros mais acessíveis e facilidade de contratação.
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O que é o Crédito Consignado CLT?

Desconto direto no salário e menos risco para os bancos
O empréstimo consignado CLT funciona com base no desconto automático da parcela diretamente no salário do trabalhador com carteira assinada. Assim como no modelo oferecido a aposentados e pensionistas do INSS, o risco de inadimplência para os bancos é menor, o que justifica a possibilidade de taxas mais baixas.
Segundo as regras atuais, a parcela não pode ultrapassar 35% do salário bruto do trabalhador. A novidade desse modelo, em comparação com modalidades anteriores, está na ampliação do acesso: antes, apenas funcionários de empresas privadas com convênios com bancos podiam contratar o consignado. Agora, qualquer trabalhador CLT pode aderir.
Comparação com outras modalidades de crédito
Juros ainda altos, mas bem abaixo do crédito comum
Apesar do avanço, o consignado CLT ainda apresenta juros maiores que outras linhas consolidadas do mercado. Veja a comparação com dados de março do Banco Central:
- Crédito pessoal não consignado: 104,2% ao ano
- Consignado CLT (atual): 53,65% ao ano
- Consignado privado tradicional: 43% ao ano
- Consignado para servidores públicos: 23% ao ano
- Consignado INSS: 23,8% ao ano
O modelo mais barato continua sendo o oferecido a aposentados e pensionistas do INSS, que possui teto legal de 1,8% ao mês (24,56% ao ano). No entanto, em relação ao crédito pessoal comum, que chega a ultrapassar 100% ao ano, o consignado CLT representa uma alternativa significativamente mais vantajosa.
Principais bancos e números do programa
Banco do Brasil e Parati CFI lideram a concessão
Até o início de maio, o consignado CLT já somava R$ 10,1 bilhões em contratos aprovados. Entre as instituições financeiras que mais liberaram crédito, destacam-se:
- Banco do Brasil: R$ 2,8 bilhões
- Parati CFI: R$ 1,5 bilhão
Esses números mostram o apetite do mercado e do trabalhador por uma linha de crédito com menos burocracia, mais segurança jurídica e taxas mais competitivas.
Garantias e riscos para o trabalhador
FGTS e multa rescisória como garantia
Um ponto importante que diferencia o consignado CLT de outras modalidades é o que acontece em caso de demissão. Se o trabalhador perder o emprego, o banco pode utilizar o saldo do FGTS e a multa rescisória de 40% como garantia do pagamento da dívida.
Se o valor disponível for insuficiente, os descontos são pausados temporariamente e só retornam quando o trabalhador é recontratado formalmente sob o regime CLT. Essa lógica busca proteger o trabalhador de inadimplência durante períodos de instabilidade.
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Nova fase amplia contratação diretamente nos bancos

Facilidade para comparar e trocar dívidas mais caras
Desde 25 de abril, as instituições financeiras passaram a disponibilizar o consignado CLT em seus próprios canais: agências físicas, aplicativos e caixas eletrônicos. Isso marcou uma nova etapa do programa, que antes operava exclusivamente pela plataforma CLT Digital.
A mudança também permite que o trabalhador troque outras dívidas mais caras — como cheque especial e cartão de crédito rotativo — pelo consignado. Além disso, a possibilidade de portabilidade de crédito, inicialmente prevista para 6 de maio, foi adiada para 16 de maio. Quando liberada, essa funcionalidade permitirá migração do empréstimo entre instituições com melhores taxas, estimulando a concorrência.
Expectativas para o futuro
Mais contratos, juros menores e equilíbrio financeiro
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) expressou otimismo com os avanços do programa. Em nota, afirmou que o Crédito do Trabalhador tem potencial para alcançar “um público de enorme amplitude” e proporcionar “parcelas mais sustentáveis e condizentes com o orçamento familiar do trabalhador”.
Com a chegada da etapa de portabilidade, a expectativa do governo é que os juros recuem ainda mais. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já havia sinalizado que o programa visa combater os juros abusivos dos créditos sem garantia, que atualmente variam entre 5% e 6% ao mês.
Com Informações de: Isto É Dinheiro
Imagem: Freepik e Canva

