A Reforma Tributária, sancionada em 2024 e com vigência plena prevista para 2033, está prestes a mudar profundamente o ambiente tributário brasileiro. Para empresários, contadores e gestores financeiros, compreender o que está por vir não é apenas uma necessidade — é uma questão de sobrevivência no mercado.
Saiba se a reforma tributária vai ser positiva ou negativa para sua empresa
Saiba como a Reforma Tributária impactará sua empresa até 2033, quais setores serão mais afetados e como se preparar para o novo regime.
O novo modelo propõe simplificar o atual sistema de tributos sobre consumo, mas também exige adaptação a um período de transição complexo que irá durar até o fim da década.
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O que muda com a Reforma Tributária?

A proposta da Reforma é substituir cinco tributos — PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS — por dois novos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Ambos compõem o chamado IVA Dual, um modelo inspirado em práticas internacionais que visa reduzir a cumulatividade dos impostos e garantir mais transparência.
No entanto, a transição entre os regimes não será imediata. Haverá um período de convivência entre os dois sistemas que vai de 2026 a 2033. Até lá, empresas deverão operar com dois modelos fiscais, o que, segundo especialistas, exigirá ajustes urgentes nos sistemas de gestão tributária e planejamento financeiro.
As principais datas do novo calendário tributário
- 2026: Início da cobrança simbólica de IBS e CBS com possibilidade de compensação.
- 2027: Extinção de PIS e Cofins, criação do Imposto Seletivo e início da redução do IPI.
- 2027 a 2032: Redução gradual de ICMS e ISS e aumento progressivo do IBS.
- 2033: Novo sistema passa a valer integralmente.
Impactos para empresas de diferentes portes
Micro e pequenas empresas
Mesmo aquelas enquadradas no Simples Nacional não ficarão imunes às mudanças. Embora continuem sob um regime simplificado, os repasses feitos por fornecedores que já atuam sob o novo sistema impactarão a cadeia de custos. Isso exige um olhar mais atento dos pequenos empresários quanto à precificação e margens de lucro.
Médias e grandes empresas
Essas companhias serão as mais pressionadas pela necessidade de modernizar seus sistemas de gestão fiscal. Segundo Marcos Tadeu Junior, CEO da Invent — empresa especializada em soluções fiscais —, será preciso reconfigurar ERPs para lidar com dois sistemas simultaneamente, atualizar constantemente as alíquotas e compreender novas regras de crédito tributário.
“A tecnologia oferece ferramentas que ajudam a prever o impacto da Reforma e planejar melhor suas estratégias. Os softwares especializados serão os principais aliados nesse momento”, afirma o executivo.
Tecnologia como aliada na transição
Segundo levantamento da Deloitte, 60% das empresas que adotaram soluções tecnológicas específicas conseguiram reduzir em até 30% o tempo dedicado ao cumprimento das obrigações fiscais. Automatizar tarefas tributárias será essencial para evitar erros, penalidades e prejuízos financeiros.
Além disso, sistemas mais modernos permitirão simular cenários com diferentes alíquotas de IBS e CBS, algo importante diante da incerteza sobre os percentuais finais — que hoje giram em torno de 28%.
Reconfigurar ou substituir o sistema atual?
A boa notícia é que não será necessário trocar o ERP, apenas adaptá-lo para as novas exigências. Isso inclui:
- Adição de novos campos para CBS e IBS;
- Atualização de regras de cálculo e alíquotas;
- Integração com sistemas de nota fiscal eletrônica;
- Monitoramento dos créditos tributários acumulados.
Aumento ou redução da carga tributária?

Uma das grandes dúvidas gira em torno do impacto financeiro real. Alguns setores tendem a se beneficiar, como o varejo e indústria de bens de consumo, que poderão recuperar créditos de forma mais eficaz. Por outro lado, segmentos como serviços e agronegócio, que hoje se beneficiam de regimes diferenciados, podem enfrentar um aumento na carga tributária.
“A verdade é que a carga tributária atual já é alta, embora seja disfarçada por benefícios fiscais e regimes diferenciados que geram distorções”, afirma Marcos Tadeu Junior.
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O papel do Imposto Seletivo
Outro fator relevante é o Imposto Seletivo, que incidirá sobre produtos considerados prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, como bebidas alcoólicas, cigarros e combustíveis fósseis. Empresas desses setores devem revisar sua estrutura de custos e estratégias comerciais para absorver o novo tributo ou repassá-lo ao consumidor final.
O que sua empresa deve fazer agora?
Avaliação do impacto setorial
Cada setor precisa realizar uma análise detalhada de sua cadeia de valor, verificando onde poderá acumular créditos e onde os custos aumentarão. Isso ajudará na definição de preços, renegociação de contratos e planejamento orçamentário.
Reforço na equipe contábil e fiscal
Capacitar os profissionais da área fiscal é essencial para garantir conformidade e antecipar riscos. Treinamentos e atualizações devem ser constantes durante o período de transição.
Investimento em tecnologia
Empresas que investirem agora em soluções fiscais e ERP atualizados estarão mais preparadas para operar com segurança e agilidade durante a convivência dos dois regimes tributários.
Com Informações de: Jornal Contábil
Imagem: lovelyday12 / shutterstock.com

