Desde junho de 2024, o teto dos juros do empréstimo consignado para beneficiários do INSS está congelado em 1,66% ao mês.
Consignado do INSS; bancos defendem aumento do teto de juros
Bancos defendem aumento do teto de juros do consignado do INSS para até 2% ao mês. Ministério da Previdência resiste, mas CNPS decidirá o futuro da taxa.
Às vésperas de uma reunião decisiva do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), marcada para esta quinta-feira (9/1/2025), bancos privados e públicos intensificaram a pressão para aumentar a taxa para pelo menos 2% ao mês.
O tema divide opiniões no governo: enquanto o Ministério da Previdência resiste ao aumento, alas como o Ministério da Fazenda e a Casa Civil avaliam que uma revisão é necessária para garantir a rentabilidade das operações financeiras.
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Cenário Atual do Teto de Juros

Atualmente, o teto de juros para operações consignadas está definido da seguinte forma:
- 1,66% ao mês para empréstimos com desconto em folha.
- 2,46% ao mês para cartões de crédito consignado.
A taxa foi reduzida em 2023 como parte de uma política para beneficiar aposentados e pensionistas, oferecendo crédito com menores custos. Porém, com a alta da Selic e o aumento do risco percebido no mercado financeiro, instituições bancárias argumentam que a rentabilidade dessas operações foi severamente afetada.
Argumentos dos Bancos
Rentabilidade Prejudicada
De acordo com analistas financeiros, o custo de captação das instituições subiu significativamente devido ao aumento da taxa Selic, atualmente em 12,75% ao ano.
Estudos apontam que para tornar as operações de consignado rentáveis em todas as faixas etárias, o teto precisaria ser ajustado para 2,07% ao mês.
Propostas de Aumento
Embora as instituições defendam um teto acima de 2%, há consenso de que uma taxa de 1,98% a 2% já seria suficiente para recompor parte das perdas, tornando a modalidade mais atraente para bancos públicos e privados.
Suspensão Temporária
No início de 2024, diante da disputa pelo teto, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal chegaram a suspender a oferta de crédito consignado, alegando que os juros vigentes não cobriam os custos operacionais.
Resistência do Ministério da Previdência
O ministro Carlos Lupi, responsável pela Previdência Social, resiste à ideia de aumento no teto, argumentando que a medida impactaria negativamente aposentados e pensionistas, grupo que já enfrenta dificuldades financeiras.
Nos bastidores, membros do governo lembram que, em 2023, quando a Selic estava em queda, Lupi liderou uma campanha para reduzir o teto do consignado. Agora, com a Selic em alta, o ministro adota uma postura contrária, intensificando o embate interno no governo.
Debate no CNPS
O CNPS é o órgão responsável por definir diretrizes gerais para a administração da Previdência Social. Na reunião desta quinta-feira, representantes de diferentes setores, incluindo governo, trabalhadores e empregadores, discutirão o futuro do teto de juros do consignado.
Cenários Possíveis
- Manutenção do Teto em 1,66%
- Favorece os beneficiários, mas mantém a insatisfação dos bancos, que podem reduzir a oferta de crédito.
- Aumento Moderado para 1,94%
- Proposta defendida por setores do governo como a Casa Civil e a Fazenda, buscando um equilíbrio entre as partes.
- Aumento para 2% ou Mais
- Atende às demandas dos bancos, mas pode ser visto como um retrocesso na proteção aos aposentados.
Impactos Para Aposentados e Pensionistas

A decisão sobre o teto de juros terá impacto direto nos cerca de 37 milhões de beneficiários do INSS que utilizam o crédito consignado como uma forma de equilibrar o orçamento.
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Benefícios do Teto Atual
- Taxas Baixas: O teto de 1,66% está entre os menores do mercado, permitindo acesso a crédito mais barato.
- Proteção Financeira: Reduz o risco de endividamento excessivo para beneficiários que dependem do INSS como principal fonte de renda.
Riscos de um Aumento
- Maior Custo do Crédito: Um aumento no teto pode elevar o valor final das parcelas, comprometendo ainda mais a renda dos aposentados.
- Endividamento Crescente: Beneficiários que já utilizam grande parte de sua margem consignável podem enfrentar dificuldades financeiras adicionais.
Perspectivas Econômicas
Especialistas avaliam que o cenário econômico atual exige ajustes na política de crédito consignado. O aumento da Selic reflete um cenário de inflação elevada e incertezas fiscais, o que impacta diretamente os custos das instituições financeiras.
Por outro lado, o governo busca equilibrar o controle da dívida pública com a proteção dos grupos mais vulneráveis, incluindo aposentados e pensionistas.
Considerações finais
A decisão sobre o aumento do teto de juros do crédito consignado do INSS é um tema sensível que envolve equilíbrio entre interesses econômicos e sociais.
De um lado, bancos argumentam que a rentabilidade das operações está comprometida com o teto atual, enquanto o Ministério da Previdência resiste ao aumento para proteger os beneficiários.
O resultado da reunião do CNPS da próxima quinta-feira (09) será crucial para definir os rumos da política de crédito consignado no Brasil, com impactos diretos para aposentados, pensionistas e instituições financeiras.
Beneficiários devem ficar atentos às mudanças e avaliar cuidadosamente suas opções de crédito, considerando os possíveis ajustes nas taxas de juros.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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