Apesar do aumento da taxa de juros para o crédito consignado, o que representou um desafio para muitos consumidores, os aposentados e beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) continuam enfrentando dificuldades para acessar esse tipo de crédito por meio de correspondentes bancários.
Consignado do INSS: bancos mantêm suspensão mesmo com alta na taxa de juros
Mesmo com o aumento da taxa de juros, bancos como Itaú e Nubank seguem sem oferecer crédito consignado por correspondentes bancários.
No início de 2025, a taxa de juros para o crédito consignado passou para 1,80% ao mês, um aumento significativo, mas que ainda não foi suficiente para retomar a oferta da modalidade por parte da maioria dos bancos, especialmente os que dependem de intermediários para oferecer empréstimos.
Neste artigo, vamos analisar o contexto dessa suspensão, as razões alegadas pelas instituições financeiras e o impacto dessa mudança para os beneficiários do INSS, que dependem dessa linha de crédito para manter sua estabilidade financeira.
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O Crédito Consignado: O Que Mudou Com o Aumento da Taxa de Juros?

O que é o Crédito Consignado?
O crédito consignado é uma modalidade de empréstimo em que o pagamento das parcelas é descontado diretamente da folha de pagamento do tomador do empréstimo, seja ele aposentado, pensionista ou trabalhador com vínculo formal.
Esse tipo de empréstimo tem se mostrado uma opção atrativa devido às suas taxas de juros mais baixas em comparação com outras modalidades de crédito.
No caso dos aposentados e pensionistas do INSS, o crédito consignado também oferece uma forma mais acessível de obter empréstimos, uma vez que a dedução direta da folha de pagamento garante maior segurança ao banco, reduzindo o risco de inadimplência.
O Impacto do Aumento da Taxa de Juros para o Crédito Consignado

Em janeiro de 2025, o Banco Central elevou a taxa de juros para o crédito consignado a 1,80% ao mês, o que gerou uma série de reações entre as instituições financeiras e os consumidores.
Apesar de essa taxa ainda ser relativamente baixa, muitos bancos, especialmente aqueles que utilizam correspondentes bancários (intermediários que oferecem crédito em nome das instituições financeiras), passaram a rever suas operações.
A alta nos juros impacta diretamente o spread bancário — a diferença entre o custo de captação e os juros cobrados ao cliente. Em modalidades como o crédito consignado, onde a margem de lucro das instituições já era apertada, esse aumento pode tornar a operação menos viável, principalmente para os correspondentes bancários, que enfrentam custos operacionais e impostos adicionais.
A Suspensão da Oferta de Crédito Consignado por Correspondentes Bancários
O Que os Bancos Alegam?
A suspensão do crédito consignado por correspondentes bancários tem afetado principalmente os aposentados e pensionistas do INSS, que costumam acessar essa linha de crédito por meio de intermediários, sem precisar se deslocar até as agências bancárias.
O Extra entrou em contato com nove grandes instituições financeiras para entender melhor os motivos dessa suspensão. Dentre as respostas, apenas Bradesco e Banrisul retomaram a operação de crédito consignado por meio dos correspondentes bancários. Por outro lado, bancos como Itaú, Banco Pan, Nubank e Mercantil mantiveram a suspensão dessa modalidade terceirizada.
A principal alegação de muitos desses bancos é que a nova taxa de juros, embora mais alta, ainda não é suficiente para garantir a viabilidade econômica da operação por meio de correspondentes bancários.
O Itaú, por exemplo, explicou que, nos patamares atuais de juros, as condições de operação com correspondentes bancários não são viáveis economicamente. O Mercantil, por sua vez, alegou que a suspensão decorre da forte elevação dos custos de captação e da necessidade de seguir o teto de juros estabelecido.
Como o Banco do Brasil, Santander e BMG Respondem?
Embora o Banco do Brasil continue oferecendo crédito consignado em seus canais próprios, o banco não esclareceu se a modalidade foi retomada por meio de correspondentes bancários.
Já o Santander e o BMG não responderam até o fechamento da reportagem, deixando em aberto a possibilidade de mudanças nas suas operações.
A Situação do Empréstimo Consignado para os Beneficiários do INSS
Beneficiários do INSS Ainda Mantêm Contratos Ativos

De acordo com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), cerca de 15,45 milhões de beneficiários possuem contratos de crédito consignado ativos.
Essa grande base de clientes mantém a modalidade de empréstimo como uma das preferidas, especialmente para aqueles que buscam uma forma segura de crédito, com parcelas descontadas diretamente da aposentadoria ou pensão.
Apesar da suspensão de parte das ofertas de crédito consignado por correspondentes bancários, o INSS revelou que o volume de operações com esse tipo de crédito continua expressivo.
Em 2024, mais de R$ 103 bilhões foram liberados por meio do crédito consignado, representando um aumento de 30,8% em relação ao ano anterior.
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O Que Esperar para 2025?
Com o aumento de 30,8% no volume de crédito consignado em 2024, é possível que as condições de acesso ao crédito para aposentados e pensionistas continuem a ser um tema relevante em 2025.
Mesmo com a suspensão de algumas ofertas, é esperado que outras instituições financeiras possam buscar alternativas para viabilizar o crédito consignado, seja ajustando as taxas ou operando em novos canais.
Por Que os Bancos Suspenderam o Crédito Consignado por Correspondentes Bancários?
A Dificuldade Econômica das Operações
O setor bancário alertou o governo sobre a inviabilidade do crédito consignado com o teto de juros mantido em 1,66% ao mês. Com a alta dos custos operacionais, impostos e a necessidade de arcar com a inadimplência, os bancos afirmam que o crédito consignado com intermediários (correspondentes bancários) tornou-se deficitário.
A principal razão para a suspensão dessa modalidade é a falta de rentabilidade da operação para os bancos, que enfrentam dificuldades em cobrir os custos da captação dos recursos e os custos operacionais, sem que isso represente perdas financeiras para as instituições.
O Apelo do Setor Bancário ao Governo
Em dezembro de 2024, representantes do setor bancário pediram ao governo uma revisão do teto de juros do crédito consignado, para garantir que as operações fossem economicamente viáveis.
Os dados apresentados indicam que o spread (margem de lucro) na operação do consignado era, em média, de apenas 0,51%, um valor insuficiente para cobrir os custos operacionais e tributários das instituições financeiras.
O Futuro do Crédito Consignado para Aposentados e Beneficiários do INSS
Embora o crédito consignado tenha sido uma opção popular para aposentados e beneficiários do INSS, as recentes mudanças nas taxas de juros e os custos elevados enfrentados pelos bancos fizeram com que muitas instituições suspendessem a oferta dessa modalidade por meio de correspondentes bancários.
No entanto, essa suspensão não significa que os beneficiários do INSS ficaram sem opções. Bancos como Bradesco e Banrisul continuam oferecendo a modalidade por esse canal, enquanto outras instituições mantêm a oferta diretamente nas agências ou canais digitais.
Diante desse cenário, é possível que o governo precise revisar as condições de operação do crédito consignado, considerando o impacto da taxa de juros e os desafios econômicos enfrentados pelas instituições financeiras, a fim de garantir que essa linha de crédito continue acessível para os aposentados e pensionistas do INSS.
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