A intenção de consumo das famílias brasileiras voltou a cair em maio de 2025, consolidando o quarto mês consecutivo de retração, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Apesar de o índice ainda estar em território positivo, com 101,5 pontos, acima da linha dos 100 que separa otimismo de pessimismo, a leve redução de 0,1% em relação a abril indica um movimento contínuo de cautela por parte dos consumidores. A comparação anual é ainda mais expressiva: queda de 2,1%.
Intenção de consumo das famílias caiu este mês; entenda
Intenção de consumo das famílias registra queda em maio, puxada por inflação e juros altos. Entenda cenário.
O relatório da CNC alerta para um cenário onde a alta persistente da inflação e os elevados juros freiam a recuperação do consumo, afetando especialmente os gastos com bens duráveis. A sensação de insegurança econômica atravessa faixas de renda e gêneros, com destaque para os homens e famílias de maior poder aquisitivo.
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Juros altos e inflação corroem poder de compra

A principal pressão sobre a intenção de consumo é exercida pela política monetária restritiva e pela elevação contínua dos preços. “O orçamento das famílias está pressionado, o que leva a esse comportamento mais cauteloso. A manutenção da taxa Selic em níveis altos limita a recuperação do consumo, especialmente de bens duráveis. O desafio agora é conciliar o controle da inflação com estímulos moderados à atividade econômica, evitando o agravamento do endividamento e da inadimplência”, afirmou José Roberto Tadros, presidente da CNC.
Essas condições vêm deteriorando o ambiente de consumo, especialmente no que diz respeito a aquisições de longo prazo. O subíndice “Momento para Compra de Bens Duráveis” registrou a maior retração anual, com recuo de 7,6%.
Acesso ao crédito melhora, apesar do cenário adverso
Curiosamente, mesmo com o ambiente econômico desfavorável, o subíndice que mede a percepção de acesso ao crédito apresentou um crescimento de 1,4% na comparação com abril, alcançando o melhor patamar desde outubro de 2024. Isso significa que 31,5% dos entrevistados acreditam que está mais fácil obter crédito atualmente.
Segundo João Marcelo Costa, economista da CNC, esse resultado indica que o sistema financeiro pode estar reagindo às adversidades: “O avanço mensal na percepção do crédito, o maior em quatro meses, revela um paradoxo: mesmo em cenário restritivo, houve melhora da percepção de acesso. Isso pode indicar que, apesar das dificuldades macroeconômicas, o sistema financeiro vem tentando sustentar o consumo por meio de maior oferta de crédito.”
No entanto, a comparação anual ainda revela retração, com queda de 0,9% no acesso ao crédito frente a maio de 2024.
Famílias de alta renda demonstram pessimismo
As famílias com rendimento mensal superior a dez salários mínimos foram as únicas a apresentar um leve avanço no índice geral de intenção de consumo em maio (alta de 0,5%). Porém, no acumulado de 12 meses, essa faixa registrou uma queda de 2,2%.
Essa aparente contradição é explicada pela sensibilidade desse grupo às variações macroeconômicas, especialmente nas áreas de consumo de bens duráveis e financiamentos. “Esse comportamento pode ser explicado pela alta exposição das famílias de maior renda ao consumo de bens duráveis e financiamentos, que são diretamente afetados pelas condições macroeconômicas”, explicou Costa.
A “Perspectiva Profissional” caiu 1,5% entre os mais ricos, enquanto as famílias com renda menor apresentaram leve alta de 0,8%. Já a “Perspectiva de Consumo” retraiu 4,7% para os mais abastados e 3,3% para os de menor renda.
Gênero também influencia o grau de otimismo
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Outro recorte relevante feito pela CNC diz respeito à diferença de percepção entre homens e mulheres. Enquanto os homens apresentaram uma queda de 2,8% na intenção de consumo em relação ao ano anterior, as mulheres tiveram um recuo mais moderado, de 1,0%.
O público masculino também relatou maior dificuldade de acesso ao crédito (-1,8%) e uma pior avaliação quanto à estabilidade profissional (-0,5%). Já as mulheres demonstraram mais resiliência, com crescimento de 1,4% no item “Perspectiva Profissional” e uma leve melhora de 0,4% na percepção de acesso ao crédito.
No entanto, ambos os grupos reduziram suas expectativas de consumo futuro. O destaque negativo fica com os homens, que registraram queda de 4,0% nesse indicador.
Desafio é reconquistar a confiança do consumidor

Com a intenção de consumo em queda, o maior desafio no curto prazo será restaurar a confiança das famílias brasileiras. O consumo representa uma das principais engrenagens da economia nacional, e sua retração pode indicar dificuldades para uma retomada mais vigorosa da atividade econômica.
Embora o sistema financeiro tenha dado sinais de fôlego ao melhorar o acesso ao crédito, as incertezas macroeconômicas ainda pesam sobre as decisões de compra. A contenção nos gastos e o adiamento de aquisições mais relevantes indicam que, para muitos brasileiros, o momento ainda é de precaução.
Com informações de: O Dia
