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Você sabia? Cooperativas de crédito podem ser mais vantajosas que bancos tradicionais

Cooperativas de crédito oferecem taxas menores, participação nos lucros e mais inclusão financeira do que bancos. Entenda como funcionam.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Você sabia? Cooperativas de crédito podem ser mais vantajosas que bancos tradicionais

As cooperativas de crédito têm ganhado espaço no Brasil como uma alternativa sólida e vantajosa em relação aos bancos tradicionais.

Com uma estrutura que prioriza a participação ativa dos associados e não visa lucro, essas instituições oferecem taxas mais atrativas, serviços personalizados e maior proximidade com as comunidades em que atuam. Mas afinal, como funcionam as cooperativas de crédito e por que elas podem ser mais vantajosas?

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O que são cooperativas de crédito?

cooperativas de crédito
Imagem: jcomp – Freepik

As cooperativas de crédito são instituições financeiras formadas pela associação de pessoas que se unem voluntariamente com o objetivo de prestar serviços financeiros aos próprios membros. Diferentemente dos bancos, que têm clientes, nas cooperativas todos os usuários são considerados cooperados – ou seja, são ao mesmo tempo donos e usuários da instituição.

Essa característica garante uma série de direitos, como poder de voto nas decisões estratégicas, participação nos resultados financeiros (chamados de sobras) e acesso a serviços com taxas geralmente mais baixas do que no sistema bancário tradicional.

Como funcionam?

A gestão das cooperativas de crédito é democrática e segue princípios do cooperativismo, estabelecidos pela Lei nº 5.764/71 e por normas do Banco Central. Os associados participam diretamente das decisões sobre os rumos da instituição, incluindo o destino dos resultados obtidos: podem ser distribuídos entre os cooperados ou reinvestidos na própria estrutura da cooperativa.

As cooperativas oferecem uma gama de produtos e serviços similares aos dos bancos, como:

  • Contas correntes e poupança
  • Cartões de crédito e débito
  • Empréstimos e financiamentos
  • Consórcios
  • Investimentos
  • Seguros

A grande diferença está na forma de gestão e no foco do negócio: em vez da maximização do lucro para acionistas, o objetivo principal é o benefício coletivo dos cooperados.


Breve histórico do cooperativismo de crédito

Origem internacional

O cooperativismo de crédito tem origem no século XIX, durante a Revolução Industrial. A primeira cooperativa, embora não de crédito, surgiu em Rochdale, na Inglaterra, em 1844. Em 1852, Franz Hermann Schulze fundou a primeira cooperativa de crédito urbana na Alemanha. Poucos anos depois, Friedrich Wilhelm Raiffeisen criou uma cooperativa rural, modelo que mais tarde influenciaria diversos países, inclusive o Brasil.

Chegada ao Brasil

Em 1902, na cidade de Nova Petrópolis (RS), foi criada a primeira cooperativa de crédito brasileira: a Caixa de Economia e Empréstimos Amstad, hoje conhecida como Sicredi Pioneira RS. Inicialmente voltadas para comunidades rurais, essas instituições cresceram nas décadas seguintes, ganhando espaço também nas cidades.

A Constituição de 1988 consolidou a importância das cooperativas de crédito ao inseri-las no Sistema Financeiro Nacional, abrindo caminho para sua regulamentação e expansão.


Panorama atual no Brasil e no mundo

Segundo o World Council of Credit Unions, em 2019 havia cerca de 140 mil cooperativas de crédito em 118 países, somando mais de 362 milhões de associados e movimentando US$ 4,1 trilhões em crédito.

No Brasil, o cenário também é expressivo. Em 2019, havia:

  • 872 cooperativas de crédito
  • Mais de 11 milhões de associados
  • Volume de crédito de US$ 37,7 bilhões
  • Taxa de penetração de 7,5% da população economicamente ativa

A tendência é de crescimento, principalmente por conta da capilaridade e do foco nas necessidades locais.


Estrutura e segmentação das cooperativas

As cooperativas são organizadas em três níveis:

Cooperativas Singulares (1º grau)

São as mais próximas dos associados, responsáveis pelo atendimento direto e oferta de produtos e serviços financeiros. Precisam de no mínimo 20 cooperados para serem constituídas.

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Cooperativas Centrais (2º grau)

Agrupam cooperativas singulares para coordenar e facilitar suas operações, oferecendo suporte técnico, administrativo e estratégico. Exigem ao menos três cooperativas singulares.

Confederações (3º grau)

São formadas por cooperativas centrais e atuam na defesa de interesses do setor, padronização de processos, integração tecnológica e operação de bancos cooperativos.

Atualmente, o Brasil conta com dois bancos cooperativos (Bancoob e Banco Sicredi) e sistemas como Sicoob, Sicredi, Cresol, Unicred, Ailos, entre outros.


Segurança financeira: FGCoop substitui o FGC

Mãos de uma pessoa entregando dinheiro para outra.
Imagem: create jobs 51 / shutterstock.com

Uma dúvida comum entre investidores e correntistas é sobre a proteção do dinheiro aplicado nas cooperativas. Apesar de não serem cobertas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), as cooperativas contam com um mecanismo próprio: o FGCoop (Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito).

O FGCoop oferece proteção semelhante ao FGC, garantindo até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição, em casos de intervenção ou liquidação. Isso torna as cooperativas uma opção segura tanto para operações de crédito quanto para investimentos.


Cooperativas vs. Bancos: principais diferenças

CaracterísticaCooperativas de CréditoBancos Tradicionais
Forma de participaçãoAssociados (sócios)Clientes
Objetivo principalBenefício dos associadosMaximização do lucro
Participação nos lucrosSim (sobras)Não
Tomada de decisãoDemocrática (1 cooperado = 1 voto)Centralizada
Taxas e tarifasMais baixasGeralmente mais elevadas
Cobertura garantidoraFGCoopFGC
Relação com a comunidadeForte e localFoco em grandes centros

Por que escolher uma cooperativa?

Além das vantagens financeiras e da participação ativa na gestão, as cooperativas oferecem um modelo mais humano, sustentável e inclusivo. Ao escolher uma cooperativa, o associado apoia o desenvolvimento da sua comunidade e fortalece um modelo econômico baseado na solidariedade e na colaboração.

Outros benefícios incluem:

  • Maior transparência nas decisões
  • Atendimento mais personalizado
  • Distribuição de sobras ao fim do exercício
  • Incentivo à educação financeira dos associados

Imagem: Freepik

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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