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Eleição pode influenciar ritmo de cortes da Selic? Veja o que o Copom acompanha

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 12 min de leitura
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A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a Selic para 13,75% ao ano abriu uma nova etapa para a política de juros no Brasil. O corte de 0,25 ponto percentual, anunciado em 16 de setembro, foi o quinto consecutivo, mas o Banco Central não antecipou qual será o próximo movimento.

A dúvida agora está concentrada nas próximas reuniões. De um lado, a inflação perdeu força e a atividade econômica começou a mostrar sinais mais claros de desaceleração. De outro, as expectativas de inflação permanecem acima da meta, enquanto questões fiscais, o ambiente internacional e as eleições de 2026 podem aumentar a volatilidade do dólar e dos juros de mercado.

Com a próxima decisão do Copom depois das eleições, economistas passaram a acompanhar com atenção como o cenário político afetará as expectativas econômicas. Isso não significa que o Banco Central tenha definido uma pausa: a instituição continua condicionando os próximos passos à evolução dos dados de inflação, atividade e condições financeiras.

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Selic chega a 13,75% após quinto corte consecutivo

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O Copom reduziu a taxa básica de juros de 14% para 13,75% ao ano em 16 de setembro. A decisão foi unânime e manteve o ritmo de cortes de 0,25 ponto percentual adotado nas reuniões anteriores.

O ciclo de redução começou em março, depois de a Selic permanecer em 15% ao ano desde junho de 2025. Com os cinco cortes realizados em 2026, a taxa acumulou redução de 1,25 ponto percentual.

O movimento ocorre em um momento de mudanças no comportamento da economia. O próprio Copom passou a identificar uma moderação gradual da atividade, especialmente nos segmentos mais sensíveis aos juros, embora o mercado de trabalho continue apresentando resistência.

A questão central, portanto, deixou de ser se os juros poderiam começar a cair. O mercado agora tenta estimar até onde o processo pode avançar sem provocar uma nova pressão sobre a inflação.

Por que o Copom não sinalizou os próximos cortes?

O Banco Central trabalha com uma política monetária dependente dos dados. Isso significa que uma redução da Selic em determinada reunião não representa um compromisso automático com novos cortes nas reuniões seguintes.

A autoridade monetária precisa avaliar principalmente a trajetória da inflação, as expectativas para os próximos anos, o comportamento da atividade econômica, o câmbio e as condições financeiras.

O cenário atual apresenta sinais em direções diferentes. A atividade está perdendo velocidade, o que cria espaço para uma política monetária menos restritiva. Ao mesmo tempo, a inflação ainda não está completamente alinhada ao centro da meta e as expectativas continuam acima do objetivo de 3%.

Esse equilíbrio explica a cautela na comunicação do Copom. Analistas ouvidos pela imprensa identificaram espaço para novos cortes graduais, mas sem uma indicação explícita de que o ciclo continuará em todas as próximas reuniões.

PIB do segundo trimestre mostra perda de ritmo

Um dos argumentos favoráveis à continuidade da redução dos juros está no desempenho da economia brasileira.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período de 2025, a alta foi de 2%.

O resultado trimestral mostra uma economia que continua crescendo, mas em ritmo mais moderado. O efeito dos juros elevados aparece principalmente em atividades que dependem de financiamento e crédito.

A desaceleração não significa necessariamente recessão. Para o Banco Central, porém, uma perda gradual de ritmo pode contribuir para reduzir pressões de demanda e facilitar a convergência da inflação.

Inflação em queda ajuda a abrir espaço para a Selic

Outro elemento favorável aos cortes é a trajetória recente da inflação.

O IPCA de agosto registrou deflação de 0,32%, segundo os dados divulgados pelo IBGE. Em 12 meses, o índice permaneceu acima do centro da meta de 3%, mas abaixo do teto de 4,5%.

A queda da inflação corrente, entretanto, não é suficiente para garantir uma sequência de cortes.

O Copom também acompanha as expectativas para os próximos anos. Se empresas, consumidores e investidores continuarem esperando inflação elevada, a autoridade monetária pode precisar manter os juros em nível restritivo por mais tempo.

Esse é um dos principais motivos pelos quais o Banco Central evita antecipar decisões futuras.

Eleições de 2026 podem afetar dólar e juros

As eleições entram no radar econômico principalmente por causa das expectativas sobre a política fiscal que será adotada a partir de 2027.

O resultado eleitoral, por si só, não determina a taxa Selic. O impacto ocorre por meio da percepção dos agentes econômicos sobre contas públicas, trajetória da dívida, gastos, receitas e capacidade de execução de medidas econômicas.

Mudanças nas expectativas podem aparecer rapidamente nos preços dos ativos. Uma percepção de maior risco fiscal, por exemplo, pode pressionar o dólar e elevar os juros futuros. Em sentido contrário, uma melhora nas expectativas fiscais pode contribuir para reduzir os prêmios exigidos pelos investidores.

Por isso, o período eleitoral tende a aumentar a importância da curva de juros, que representa as taxas negociadas pelo mercado para diferentes prazos.

Por que o dólar interfere na Selic?

O câmbio é relevante porque uma valorização do dólar pode aumentar o custo de produtos importados e de itens negociados internacionalmente, como combustíveis e algumas matérias-primas.

Uma depreciação do real, portanto, pode dificultar a convergência da inflação para a meta. O efeito não é automático nem ocorre de maneira uniforme, mas é uma das variáveis consideradas pelo Banco Central.

A reação do dólar às eleições também dependerá das condições externas, especialmente dos juros nos Estados Unidos e da percepção global de risco.

Política fiscal é outro ponto de atenção

A política fiscal e a política monetária funcionam de maneiras diferentes, mas influenciam o mesmo ambiente econômico.

Enquanto o Banco Central utiliza a Selic para controlar as condições monetárias e buscar a estabilidade de preços, a política fiscal envolve as decisões do governo sobre receitas, despesas, resultado das contas públicas e dívida.

Uma trajetória fiscal considerada mais arriscada pode elevar o prêmio exigido pelos investidores para financiar o governo. Isso tende a aparecer na curva de juros e pode dificultar uma redução mais rápida das taxas de mercado.

O próprio Banco Central vem destacando a importância das expectativas e dos riscos fiscais para a condução da política monetária. No relatório de inflação de junho, por exemplo, o cenário de mercado já apontava para uma trajetória de queda mais gradual da Selic do que a projetada anteriormente.

Cenário internacional também pode limitar os cortes

O Brasil não decide sua política monetária isoladamente.

As condições financeiras internacionais influenciam o câmbio, o fluxo de capital e o custo de financiamento. Mudanças nos juros dos Estados Unidos, por exemplo, podem alterar a atratividade relativa de ativos brasileiros.

Em setembro, o Federal Reserve, banco central americano, elevou sua taxa básica em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,75% e 4%. Foi a primeira alta desde julho de 2023, em meio à preocupação com a inflação americana.

Além dos juros externos, conflitos no Oriente Médio e oscilações no preço do petróleo acrescentam incerteza ao cenário. O Banco Central brasileiro citou justamente a instabilidade internacional e a volatilidade de preços de ativos e commodities ao anunciar o corte de setembro.

Uma alta persistente do petróleo pode pressionar a inflação e dificultar uma flexibilização monetária mais acelerada.

Há espaço para novos cortes de 0,25 ponto?

Analistas de mercado avaliam que ainda existe espaço para reduções graduais, mas a continuidade dependerá dos próximos indicadores.

A redução de 0,25 ponto percentual é particularmente relevante porque permite ao Banco Central calibrar a política monetária sem produzir uma mudança brusca nas condições financeiras.

Antes da reunião de setembro, o mercado já concentrava suas expectativas em um corte dessa magnitude. Dados da B3 mostravam, em 8 de setembro, cerca de 95% de probabilidade implícita de redução de 0,25 ponto nas opções de Copom.

Depois da decisão, a discussão passou a ser sobre as reuniões seguintes. A avaliação de economistas é de que o comunicado preservou espaço para novos ajustes, mas sem garantir que eles ocorrerão.

O que pode fazer a Selic continuar caindo?

Para que o ciclo prossiga, alguns fatores podem favorecer novas reduções:

  • inflação corrente e núcleos continuando a desacelerar;
  • expectativas de inflação melhorando;
  • atividade econômica perdendo força;
  • mercado de crédito apresentando menor pressão;
  • câmbio relativamente estável;
  • menor pressão sobre preços internacionais de energia;
  • melhora das expectativas fiscais.

Nenhum desses fatores, isoladamente, determina a decisão. O Copom analisa o conjunto de informações disponível em cada reunião.

O que poderia interromper o ciclo de cortes?

Também existem fatores capazes de aumentar a cautela do Banco Central.

Uma alta persistente do dólar, deterioração das expectativas de inflação, aumento do preço do petróleo ou piora da percepção sobre as contas públicas podem elevar o custo de uma redução adicional dos juros.

O cenário externo também pode pesar. Se as taxas internacionais permanecerem elevadas por mais tempo, o diferencial de juros entre o Brasil e outras economias pode diminuir conforme a Selic brasileira cai.

Por isso, uma pausa não significaria necessariamente abandono do processo de flexibilização. Poderia representar apenas uma decisão de observar os efeitos acumulados dos cortes anteriores antes de avançar.

O que muda para o consumidor?

A queda da Selic pode reduzir gradualmente o custo de algumas modalidades de crédito, mas o efeito sobre empréstimos e financiamentos não é imediato nem proporcional ao corte realizado pelo Copom.

Isso acontece porque as taxas cobradas pelos bancos também incorporam risco de inadimplência, custos operacionais, impostos e margem financeira.

Para quem possui investimentos de renda fixa pós-fixados, uma Selic menor também significa redução gradual da remuneração de aplicações atreladas ao CDI e à própria taxa básica.

Em contrapartida, juros menores tendem a melhorar as condições para financiamento e podem estimular consumo e investimento quando o processo se consolida.

Quando será a próxima decisão do Copom?

A próxima reunião ocorrerá depois das eleições de 2026. Por isso, o encontro terá uma característica particularmente relevante para o mercado: os diretores do Banco Central terão à disposição novos dados econômicos e também poderão avaliar como o resultado eleitoral alterou as expectativas para a política econômica.

A decisão, contudo, continuará sendo tomada com base no mandato do Banco Central e nas condições macroeconômicas observadas naquele momento.

O calendário e os comunicados oficiais do Copom são divulgados pelo próprio Banco Central.

O que acompanhar até a próxima reunião

Para entender se os cortes devem continuar, o leitor pode acompanhar alguns indicadores:

Inflação: principalmente o IPCA e seus núcleos, além das expectativas coletadas pelo Banco Central.

Atividade econômica: PIB, produção industrial, comércio e serviços ajudam a mostrar se a economia está perdendo ou ganhando força.

Câmbio: movimentos fortes do dólar podem alterar as perspectivas para os preços.

Contas públicas: resultados fiscais e medidas relacionadas às despesas e à dívida influenciam a percepção de risco.

Juros futuros: a curva negociada no mercado financeiro mostra como investidores estão precificando a trajetória dos juros.

Cenário internacional: decisões do Federal Reserve, petróleo e condições financeiras globais podem modificar o espaço para cortes no Brasil.

O que esperar da Selic daqui para frente?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O cenário para os próximos meses permanece aberto. A economia mais fraca e a inflação corrente em desaceleração oferecem argumentos para a continuidade da flexibilização, enquanto as expectativas de inflação, o risco fiscal, o câmbio, as eleições e o ambiente internacional recomendam cautela.

O ponto central é que a Selic chegou a 13,75% ao ano após cinco cortes consecutivos, mas o Banco Central ainda não se comprometeu com uma nova sequência de reduções.

As próximas decisões deverão depender da combinação entre inflação, atividade e expectativas. O resultado das eleições também poderá influenciar o ambiente financeiro, sobretudo por meio das projeções para a política fiscal e seus efeitos sobre dólar e juros de longo prazo.

Para o consumidor, o efeito mais importante tende a aparecer gradualmente: uma Selic menor pode aliviar o custo do crédito e reduzir a remuneração de aplicações pós-fixadas, mas a velocidade dessa transmissão dependerá das condições financeiras de toda a economia.

Conclusão

A trajetória da Selic entra em uma fase de maior cautela. A desaceleração da economia e a inflação mais fraca abrem espaço para novos cortes, mas fatores como as expectativas inflacionárias, as contas públicas, o dólar e o cenário internacional ainda podem limitar esse movimento.

As eleições também devem influenciar as expectativas do mercado, principalmente em relação à política fiscal e aos juros futuros. Por isso, as próximas decisões do Copom dependerão da evolução dos principais indicadores econômicos e das condições financeiras do país.

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