Mercado prevê Selic estável em 14,75% e vê inflação menor, diz Focus
O mercado financeiro brasileiro manteve a expectativa de estabilidade da taxa Selic na véspera da reunião decisiva do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. De acordo com o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (16), analistas de mais de 100 instituições financeiras projetam que a taxa básica de juros será mantida em 14,75% ao ano.
A decisão oficial será anunciada na quarta-feira (18), ao término da reunião de dois dias do Copom.
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Expectativa de manutenção da Selic é consenso entre os analistas
Esta será a sexta semana consecutiva em que o Boletim Focus aponta a manutenção da Selic em 14,75% até o final de 2025. O ciclo de estabilidade ocorre após um longo período de elevações iniciado em julho de 2024, quando a taxa estava em 10,5%.
Desde então, foram realizadas seis altas seguidas, incluindo três ajustes de 1 ponto percentual, até alcançar o nível atual.
Cenário para os próximos anos
Segundo as projeções do mercado:
- Selic ao final de 2025: 14,75%
- Selic para 2026: 12,50%
- Selic para 2027: 10,50%
- Selic para 2028: 10,00%
Essa trajetória sinaliza uma expectativa de redução gradual dos juros a partir de 2026, acompanhando uma possível melhora no cenário macroeconômico.
Probabilidade de manutenção ou nova alta
No mercado futuro de juros, as apostas indicam cerca de 70% de chance de manutenção da Selic nesta reunião, contra 30% de possibilidade de uma nova alta de 0,25 ponto percentual. Esses números refletem a cautela dos investidores diante do cenário inflacionário ainda desafiador.
Inflação em trajetória de desaceleração
O Boletim Focus também trouxe novidades no campo da inflação. Pela terceira semana consecutiva, os analistas reduziram a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025.
Novas projeções de inflação:
- IPCA para 2025: caiu de 5,44% para 5,25%
- IPCA para 2026: mantido em 4,5%
- IPCA para 2027: 4%
- IPCA para 2028: 3,85%
A queda nas expectativas veio após a divulgação dos dados de inflação de maio, que mostraram uma desaceleração acima do esperado, com destaque para a redução nos preços de alimentos e transportes.
Meta de inflação continua distante
Mesmo com a revisão para baixo, as projeções de inflação seguem acima da meta oficial estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Ou seja, o teto da meta é de 4,5%, e a mediana das expectativas do mercado ainda supera esse limite.
Se a inflação permanecer fora do intervalo da meta por seis meses consecutivos, o Banco Central terá novamente que enviar uma carta pública ao Ministério da Fazenda explicando as razões para o descumprimento, como já ocorreu no início deste ano.
Crescimento econômico: leve melhora nas projeções do PIB
Além da inflação e da taxa Selic, o Boletim Focus também trouxe ajustes nas projeções para o crescimento econômico brasileiro.
Novas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB):
- PIB 2025: passou de 2,18% para 2,20%
- PIB 2026: subiu de 1,81% para 1,83%
- PIB 2027 e 2028: mantidos em 2%
O leve otimismo reflete os efeitos da queda recente da inflação e a resiliência de alguns setores da economia, como serviços e agronegócio.
Expectativas para o câmbio: dólar abaixo de R$ 5,80
Outro indicador acompanhado de perto pelo mercado financeiro é a taxa de câmbio. O Focus trouxe um pequeno ajuste nas expectativas para o dólar.
Projeções para a cotação do dólar:
- Final de 2025: recuo de R$ 5,80 para R$ 5,77
- Final de 2026: de R$ 5,89 para R$ 5,80
- 2027 e 2028: estabilidade em R$ 5,80
A melhora na expectativa para o câmbio acompanha o cenário de controle da inflação e o aumento das reservas cambiais do país.
Por que o Banco Central mantém os juros elevados?
O principal motivo para a manutenção da Selic em níveis elevados é o combate à inflação. A taxa de juros básica da economia é o principal instrumento usado pelo Banco Central para controlar os preços.
Desde o início do ciclo de alta, em julho de 2024, o BC tem sinalizado preocupação com a persistência inflacionária, especialmente diante da inércia nos preços de serviços e da resistência de alguns núcleos inflacionários.
Outro fator relevante é o cenário internacional. O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, também tem mantido sua taxa de juros em patamares elevados, o que pressiona os países emergentes a adotar posturas monetárias mais rígidas para evitar fuga de capitais e desvalorização cambial.
Possível flexibilização só a partir de 2026
De acordo com o Boletim Focus, o mercado financeiro só espera o início de um ciclo de redução consistente da Selic a partir de 2026. A queda prevista para esse ano é de 2,25 pontos percentuais, levando a taxa para 12,5% ao final do período.
Essa expectativa de corte gradual está condicionada a uma desaceleração mais consistente da inflação e a um ambiente fiscal mais controlado.
Pressões fiscais seguem no radar
A política fiscal brasileira também segue como fator de risco para as decisões futuras do Copom. O governo federal ainda enfrenta desafios para cumprir as metas fiscais, o que pode dificultar o processo de queda de juros.
Qualquer sinal de descontrole nas contas públicas pode elevar o risco-país e forçar o Banco Central a adotar uma postura ainda mais conservadora.
Expectativas dos próximos meses

Com a decisão desta semana, o mercado voltará sua atenção para os próximos relatórios de inflação, os dados do PIB e os desdobramentos da política monetária dos Estados Unidos.
A próxima reunião do Copom está prevista para agosto, e até lá os analistas devem continuar ajustando suas projeções conforme os indicadores econômicos evoluírem.
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