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Selic em 15% até o fim do ano: o que isso significa antes dos cortes de juros em 2026

O Copom deve manter a Selic em 15%, mas o mercado espera sinais sobre quando começará o ciclo de cortes. Expectativas para janeiro e março ganham força.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
Selic

A última reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) ocorre em meio a um consenso quase absoluto no mercado financeiro: a taxa Selic deve permanecer em 15%. A dúvida que domina as projeções, no entanto, não está na decisão imediata, mas no recado que o Banco Central deixará em sua comunicação final do ano. É nessa mensagem, analisada com lupa por economistas, gestores e investidores, que podem aparecer os primeiros sinais concretos sobre o início do tão aguardado ciclo de alívio monetário.

A expectativa geral é de que o Copom mantenha sua postura cautelosa, mas a pressão por uma mudança de tom aumenta à medida que a inflação perde força e parte dos indicadores econômicos aponta para uma desaceleração moderada da economia. No entanto, apesar de esse ambiente parecer favorável a uma flexibilização, o Banco Central tem reforçado sua postura de dependência de dados e sua preocupação com expectativas ainda desancoradas.

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Selic deve ser mantida em 15%, mas mercado olha para além da decisão

A manutenção da Selic em 15% é tratada como praticamente certa pelos principais analistas de mercado. O consenso se formou não apenas pelas declarações recentes de diretores do Banco Central, mas também pela leitura dos dados que compõem o ambiente econômico atual.

Um cenário de inflação em desaceleração, mas ainda resistente

Os indicadores de inflação mostram que o processo desinflacionário está em curso, porém de forma lenta. O IPCA-15 de novembro, por exemplo, ficou em 0,20%, acima de outubro (0,18%), mas a taxa acumulada em 12 meses caiu para 4,50%, atingindo o teto da meta estabelecida para 2025.

Para muitos economistas, esse comportamento ainda insuficiente da inflação explica a prudência do Copom, que quer evitar antecipar movimentos e comprometer a credibilidade da política monetária.

Atividade econômica mostra sinais de moderação

O PIB cresceu apenas 0,1% no terceiro trimestre de 2025, abaixo do registrado no período anterior, evidenciando uma desaceleração. Apesar disso, o mercado de trabalho continua apertado, com salários pressionados — o que dificulta uma queda mais rápida da inflação de serviços, componente considerado persistente pelo Banco Central.

Debate sobre quando começa o ciclo de cortes divide o mercado

Se a decisão sobre manter a Selic não traz surpresas, o mesmo não pode ser dito sobre quando começarão os cortes. A divisão entre janeiro e março é a mais recorrente nas mesas de operação.

Projeções de cortes em março ganham força

Economistas como Caio Megale, da XP Investimentos, acreditam que o ciclo deve iniciar em março, após o Banco Central observar mais dados consolidados sobre inflação, expectativas e atividade.

Comunicação mais dependente de dados já é esperada

Segundo Megale, a autoridade monetária tende a reforçar a leitura de que o avanço desinflacionário existe, mas é gradual e precisa ser confirmado ao longo dos próximos meses. Isso afastaria qualquer compromisso antecipado com cortes imediatos.

Outra ala do mercado vê espaço para cortes em janeiro

Outras instituições, como BTG Pactual e Tendências Consultoria, acreditam que o Copom poderá iniciar o movimento já em janeiro. A aposta se baseia na melhora dos dados recentes, que já apontam inflação mais benigna e atividade em ritmo moderado.

O risco de sinalizar cedo demais

Mesmo quem aposta em um corte em janeiro reconhece que o Copom provavelmente não deixará isso explícito agora. Como há dados importantes a serem divulgados até a primeira reunião de 2025, o Banco Central pode preferir preservar a flexibilidade.

A polêmica do “período bastante prolongado” e como ele influencia o mercado

Um dos temas mais debatidos nesta semana é a interpretação da frase que aparece na comunicação do Copom: a Selic deve permanecer em 15% por um “período bastante prolongado”.

Entendimento anterior do mercado

Até recentemente, analistas acreditavam que a mudança dessa frase seria uma condição necessária para o início de um ciclo de cortes. Em outras palavras, se o colegiado tirasse a expressão, sinalizaria flexibilização.

Galípolo muda a leitura

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, porém, reverteu essa expectativa ao afirmar que o “bastante prolongado” não é reiniciado a cada reunião. Ou seja, a expressão não funciona como um cronômetro, mas como uma avaliação de médio prazo.

Isso abriu espaço para que economistas aceitassem a possibilidade de o Copom cortar juros sem alterar o trecho.

Mercados avaliam três possíveis cenários para o comunicado

  1. Manter a frase integralmente, sem sugerir qualquer mudança imediata
  2. Retirar partes do texto, como o termo “bastante”, suavizando o tom
  3. Alterar o tempo verbal, estratégia considerada elegante para permitir flexibilidade sem comprometer credibilidade

Ajustes marginais na comunicação devem prevalecer

Analistas consultados apontam que a tendência para esta reunião é de ajustes sutis, com poucas alterações estruturais — exatamente para evitar ruídos desnecessários.

Copom deve reforçar dependência de dados

O discurso da autoridade monetária deverá enfatizar:

  • necessidade de observar evolução da inflação
  • atenção ao mercado de trabalho ainda pressionado
  • avaliação do cenário internacional
  • impacto da taxa de câmbio sobre preços internos

Expectativas precisam voltar ao centro da meta

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Outro ponto sensível é a ancoragem das expectativas para 2025 e 2026, que permanecem acima do centro da meta. Mesmo com a queda recente, ainda há incerteza relevante sobre a convergência futura dos preços.

O que esperar das próximas reuniões

Janeiro: a reunião decisiva

Janeiro será crucial porque:

  • muitos indicadores relevantes serão divulgados antes da decisão
  • o Copom terá posição mais clara sobre o ritmo da atividade no início de 2025
  • novas projeções do modelo estrutural do BC estarão disponíveis

Março: cenário provável para início dos cortes

Caso janeiro não ofereça sinais suficientes, março vira o destino mais provável para o início do ciclo.

Como a decisão do Copom afeta o cidadão

Crédito imobiliário mais caro

Com a Selic elevada, financiamentos habitacionais continuam pressionados, sobretudo para contratos pós-fixados.

Empréstimos e crédito rotativo continuam pesados

Linhas como consignado, pessoal e cartão de crédito seguem com juros elevados. A expectativa é que uma sinalização de corte alivie gradualmente esses custos.

Impactos no dólar e na inflação

A manutenção da Selic em 15% ajuda a segurar a moeda americana em torno de R$ 5,35, limitando repasses inflacionários vindos de preços internacionais.

Conclusão

A última reunião do Copom em 2025 deve confirmar a Selic em 15% e reforçar uma postura cautelosa, flexível e altamente dependente de dados. Os cortes parecem próximos, mas ainda rodeados por incertezas. O mercado seguirá dividido entre janeiro e março, enquanto aguarda novas pistas do Banco Central sobre o futuro da política monetária no país.

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Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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