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Copom provavelmente vai manter o ritmo de alta de juros em 0,5 ponto percentual

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve manter o ritmo de alta de juros em 0,5 ponto percentual durante sua reunião!

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Selic

Em sua próxima reunião, nos dias 10 e 11 de dezembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deverá manter o ritmo de aumento da taxa Selic em 0,5 ponto percentual. A decisão, embora aguardada com cautela pelos analistas, reflete a tentativa da autoridade monetária de controlar a inflação em um cenário econômico marcado pela incerteza fiscal e pelas pressões externas.

O Copom precisará equilibrar a necessidade de combater a inflação com os efeitos que um ciclo de alta dos juros pode ter sobre a economia.

O Cenário Atual: Inflação e Expectativas Econômicas

Copom
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

Nos últimos meses, o Brasil tem enfrentado uma inflação resistente, principalmente em áreas como serviços e alimentos. A desvalorização do real, junto com uma percepção negativa sobre a política fiscal do governo, tem contribuído para desancorar as expectativas de inflação. Com isso, o Banco Central se vê diante de um desafio: manter a inflação sob controle sem prejudicar excessivamente o crescimento econômico.

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As expectativas de alta de juros para dezembro começaram a se fortalecer após o governo anunciar medidas fiscais que não conseguiram agradar os agentes financeiros. Apesar disso, o Copom tem um grande número de economistas divididos entre diferentes magnitudes de ajuste na Selic. Alguns esperam um aumento mais agressivo, enquanto outros indicam que a cautela pode ser a melhor estratégia.

A Visão dos Economistas: Divergência nas Projeções

Dentre as 117 instituições consultadas por analistas, a grande maioria projeta que o Copom elevará a Selic em 0,75 ponto percentual. Este cenário é visto como uma forma de combater as pressões inflacionárias, impulsionadas pelo mercado de trabalho apertado e pelos efeitos da depreciação cambial. Contudo, existe uma parcela de economistas que defende uma elevação ainda maior, de 1 ponto percentual, para alinhar a taxa de juros com as expectativas do mercado financeiro e criar um choque de confiança.

Felipe Sichel, economista-chefe da Porto Asset, é um dos defensores de um aumento de 1 ponto na Selic. Ele argumenta que, para o Banco Central “se colocar à frente” do mercado, é necessário um ajuste mais forte para assegurar que as expectativas de inflação caminhem em direção à meta de 3% ao ano. Já Roberto Padovani, do banco BV, acredita que a alta deve ser mais cautelosa, de 0,75 ponto, em razão das dificuldades fiscais e da trajetória da dívida pública.

O Impacto da Política Fiscal

Um fator fundamental no cenário atual é a política fiscal adotada pelo governo. A percepção de que a política fiscal está em descompasso com as necessidades econômicas tem gerado um aumento no prêmio de risco, afetando a confiança dos investidores. Esse desequilíbrio fiscal impacta diretamente a inflação, especialmente no que diz respeito ao mercado de trabalho e à cotação do dólar.

A relação entre o ajuste fiscal e a política monetária é complexa, já que um cenário de elevada dívida pública pode limitar a eficácia de aumentos significativos na taxa de juros. Além disso, o governo federal ainda não conseguiu demonstrar, de forma consistente, que conseguirá reduzir o déficit fiscal em um prazo mais curto, o que agrava a percepção de risco no mercado.

O Câmbio e o Papel da Selic

A relação entre a Selic e a cotação do real também tem se mostrado crucial. A depreciação do real, influenciada por fatores internos e externos, tem sido um dos principais fatores de pressão sobre a inflação. O aumento dos juros tem um efeito direto sobre o câmbio, tornando o real mais atrativo para os investidores e, consequentemente, ajudando a controlar as pressões inflacionárias.

Porém, o mercado cambial ainda é altamente volátil e depende também de fatores globais, como as políticas monetárias dos Estados Unidos e a trajetória do dólar. Nesse sentido, muitos economistas, como Mauricio Une, do Rabobank, recomendam uma abordagem mais cautelosa por parte do Copom, evitando surpresas que possam agravar ainda mais o cenário inflacionário.

O Debate Sobre a Magnitude da Alta

Embora haja um consenso sobre a necessidade de aumentar os juros para controlar a inflação, as projeções variam quanto à magnitude desse aumento. Para muitos analistas, um aumento de 0,75 ponto seria mais adequado para equilibrar as pressões econômicas sem comprometer o crescimento de forma excessiva. No entanto, algumas projeções mais agressivas, como as de Sichel, indicam que um aumento de 1 ponto seria mais eficaz para restaurar a credibilidade do Banco Central.

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A escolha da magnitude do aumento de juros também está relacionada ao que o Copom sinalizará em termos de orientação futura. A falta de uma comunicação clara sobre os próximos passos pode gerar incertezas adicionais no mercado, dificultando a tomada de decisões tanto por parte dos investidores quanto dos consumidores.

Projeções de Selic Para 2024 e 2025

Selic Impacto
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

As expectativas para o futuro da taxa de juros são amplamente influenciadas pelo comportamento do governo em relação à política fiscal. Caso o governo consiga avançar com reformas fiscais que tragam mais equilíbrio às contas públicas, o Banco Central poderá reduzir o ritmo de alta dos juros ao longo de 2025. No entanto, se o cenário fiscal continuar instável, os juros poderão permanecer elevados por mais tempo, afetando o crescimento da economia.

A projeção mais comum entre os economistas é de que a Selic chegará a 12% até o final de 2024, com a possibilidade de uma nova alta em 2025. As projeções variam de 12,25% a 13,50%, dependendo da magnitude do ajuste fiscal e do comportamento da economia global.

Considerações finais

Em meio a um cenário econômico volátil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central terá que decidir o ritmo de aumento da Selic em sua reunião de dezembro.

A previsão de alta de 0,5 ponto percentual reflete a cautela diante de um cenário fiscal incerto e da pressão inflacionária. No entanto, economistas estão divididos quanto à magnitude do aumento, com alguns defendendo uma postura mais agressiva para conter as expectativas de inflação.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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