A euforia que tomou conta do mercado cripto após o Bitcoin (BTC) atingir os US$ 122.800 em meados de julho começa a dar lugar a um sentimento mais cauteloso.
Correção prolongada do Bitcoin: Vendas de baleias e mineradores podem frear alta até o final do trimestre
O Bitcoin enfrenta uma fase de correção após atingir a máxima histórica em julho. Pressão de venda de baleias e mineradores pode prolongar essa tendência.
Os sinais de que a criptomoeda está entrando em um período prolongado de correção se intensificaram nos últimos dias, principalmente após alertas vindos da empresa de análise on-chain CryptoQuant.
Segundo os analistas, grandes players do mercado — como baleias e mineradores — estão realizando lucros de forma coordenada, o que pode manter o BTC em consolidação ou declínio por mais algumas semanas ou até meses.
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Pressão de venda domina o curto prazo
Realização de lucros por grandes detentores
A CryptoQuant observou que o recuo atual representa a terceira grande onda de vendas institucionais desde a metade de 2024. Essas liquidações massivas estão ligadas diretamente a baleias, termo usado para definir investidores com grandes volumes de BTC que têm capacidade de movimentar o mercado com apenas algumas transações.
Segundo Sean Dawson, chefe de pesquisa da Derive, tanto baleias antigas quanto novas decidiram encerrar posições após o pico de julho. A decisão seria motivada por fatores macroeconômicos, como alta dos juros nos EUA, tensões regulatórias e o tradicional enfraquecimento do mercado cripto no terceiro trimestre do ano.
“Estamos vendo baleias que participaram do mercado desde 2020 e outras que entraram no início de 2025 realizando lucros ao mesmo tempo”, explicou Dawson ao Decrypt.
Mineradores aumentam vendas e adicionam pressão
O movimento de venda não se restringiu às baleias. Os mineradores, que historicamente são grandes detentores de BTC, também teriam se desfeito de cerca de 15.000 moedas logo após o novo recorde de preço ser atingido.
Para a CryptoQuant, essa venda maciça indica uma mudança no apetite de risco dos mineradores, que preferem realizar lucros antes de qualquer correção mais profunda.
“O tamanho e a escala dessas operações sugerem que provavelmente são instituições satisfeitas com seus retornos e que buscam reduzir riscos diante de um terceiro trimestre potencialmente difícil”, diz o relatório da empresa.
Terceiro trimestre é historicamente mais fraco para o BTC

Dados estatísticos apontam para quedas sazonais
Historicamente, o terceiro trimestre costuma ser o mais desafiador para o Bitcoin. Desde 2013, o BTC teve retornos medianos mais baixos entre julho e setembro, o que ajuda a explicar o movimento de cautela dos grandes investidores.
Os operadores de opções, por exemplo, estão se posicionando para quedas, comprando contratos de venda com preços-alvo entre US$ 80 mil e US$ 100 mil para os meses de agosto e setembro. Isso demonstra uma expectativa generalizada de que o Bitcoin poderá corrigir entre 10% e 30% nos próximos 60 dias.
Modelo Energy Value sugere que o Bitcoin está subvalorizado
Análise contrária indica oportunidade
Apesar do tom pessimista no curto prazo, Charles Edwards, fundador do Capriole Fund, afirma que o BTC está subvalorizado com base em seu modelo Energy Value. Esse modelo considera o custo energético da rede Bitcoin como uma referência para seu valor fundamental.
“O Bitcoin está sendo negociado abaixo de seu valor intrínseco, o que historicamente tem se mostrado um ponto de compra vantajoso”, afirmou Edwards.
Esse tipo de análise sugere que a correção pode representar mais uma fase de acumulação do que o início de um ciclo de baixa.
Fase de acumulação pode anteceder novo rali no final do ano
Quarto trimestre tende a trazer retornos positivos
A história mostra que o quarto trimestre é, em geral, o mais lucrativo para o BTC. Segundo dados históricos, a criptomoeda apresenta um retorno médio de 52% entre outubro e dezembro.
A CryptoQuant destaca que, caso o padrão se repita, o mercado pode testemunhar uma nova fase de valorização, impulsionada por fatores como:
- retomada da liquidez institucional;
- maior clareza regulatória nos EUA e Europa;
- aumento da entrada de capitais via ETFs spot;
- maior adoção institucional.
ETFs Spot voltam a registrar entradas
Sinais de retomada da confiança
Apesar da realização de lucros das últimas semanas, os ETFs spot de Bitcoin voltaram a registrar entradas líquidas. De acordo com a SoSoValue, US$ 641 milhões entraram nesses produtos apenas entre os dias 23 e 31 de julho, indicando que há demanda institucional em níveis relevantes mesmo diante da correção.
Empresas continuam acumulando Bitcoin
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+311 mil seguidores
Cresce o número de corporações que investem em BTC
Além das movimentações dos ETFs, dados revelam que o número de empresas comprando BTC com recursos de tesouraria aumentou nas últimas seis semanas.
Segundo Charles Edwards, atualmente existem mais de três empresas adquirindo Bitcoin por dia, o que demonstra confiança corporativa no ativo digital como reserva de valor.
“Nossa métrica interna mostra uma razão de 100:1 de compradores para vendedores entre empresas que alocam em Bitcoin”, afirmou Edwards.
O que esperar do preço do Bitcoin nos próximos meses?
Três cenários possíveis
Diante dos dados apresentados, analistas traçam três cenários possíveis para o Bitcoin até o final do trimestre:
1. Correção prolongada até setembro
Caso a pressão de venda se mantenha elevada e as condições macroeconômicas não melhorem, o BTC pode cair para níveis próximos de US$ 95 mil ou US$ 85 mil, conforme antecipam os contratos de venda nos mercados de opções.
2. Consolidação lateral
Se os compradores institucionais continuarem absorvendo a pressão de venda, o mercado pode estabilizar na faixa entre US$ 110 mil e US$ 118 mil, configurando um padrão de acumulação.
3. Rompimento no início de outubro
Seguindo o padrão histórico e as projeções do modelo Energy Value, o BTC pode recuperar força no final de setembro e iniciar um novo ciclo de valorização que pode levá-lo acima de US$ 130 mil até dezembro.
Conclusão: Sentimento misto, mas fundamentos se mantêm sólidos

O mercado de Bitcoin está em uma encruzilhada entre a realização de lucros e o otimismo estrutural. A pressão vendedora de curto prazo é clara, mas os fundamentos de longo prazo continuam firmes: aumento da adoção institucional, retomada de entradas em ETFs e dados históricos favoráveis para o fim do ano.
Para os investidores de longo prazo, a atual correção pode ser uma fase de transição saudável em um ciclo mais amplo de valorização.
