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Correção prolongada do Bitcoin: Vendas de baleias e mineradores podem frear alta até o final do trimestre

O Bitcoin enfrenta uma fase de correção após atingir a máxima histórica em julho. Pressão de venda de baleias e mineradores pode prolongar essa tendência.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
Bitcoin

A euforia que tomou conta do mercado cripto após o Bitcoin (BTC) atingir os US$ 122.800 em meados de julho começa a dar lugar a um sentimento mais cauteloso.

Os sinais de que a criptomoeda está entrando em um período prolongado de correção se intensificaram nos últimos dias, principalmente após alertas vindos da empresa de análise on-chain CryptoQuant.

Segundo os analistas, grandes players do mercado — como baleias e mineradores — estão realizando lucros de forma coordenada, o que pode manter o BTC em consolidação ou declínio por mais algumas semanas ou até meses.

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Pressão de venda domina o curto prazo

Realização de lucros por grandes detentores

A CryptoQuant observou que o recuo atual representa a terceira grande onda de vendas institucionais desde a metade de 2024. Essas liquidações massivas estão ligadas diretamente a baleias, termo usado para definir investidores com grandes volumes de BTC que têm capacidade de movimentar o mercado com apenas algumas transações.

Segundo Sean Dawson, chefe de pesquisa da Derive, tanto baleias antigas quanto novas decidiram encerrar posições após o pico de julho. A decisão seria motivada por fatores macroeconômicos, como alta dos juros nos EUA, tensões regulatórias e o tradicional enfraquecimento do mercado cripto no terceiro trimestre do ano.

“Estamos vendo baleias que participaram do mercado desde 2020 e outras que entraram no início de 2025 realizando lucros ao mesmo tempo”, explicou Dawson ao Decrypt.

Mineradores aumentam vendas e adicionam pressão

O movimento de venda não se restringiu às baleias. Os mineradores, que historicamente são grandes detentores de BTC, também teriam se desfeito de cerca de 15.000 moedas logo após o novo recorde de preço ser atingido.

Para a CryptoQuant, essa venda maciça indica uma mudança no apetite de risco dos mineradores, que preferem realizar lucros antes de qualquer correção mais profunda.

“O tamanho e a escala dessas operações sugerem que provavelmente são instituições satisfeitas com seus retornos e que buscam reduzir riscos diante de um terceiro trimestre potencialmente difícil”, diz o relatório da empresa.

Terceiro trimestre é historicamente mais fraco para o BTC

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Imagem: Paul Biryukov / shutterstock.com

Dados estatísticos apontam para quedas sazonais

Historicamente, o terceiro trimestre costuma ser o mais desafiador para o Bitcoin. Desde 2013, o BTC teve retornos medianos mais baixos entre julho e setembro, o que ajuda a explicar o movimento de cautela dos grandes investidores.

Os operadores de opções, por exemplo, estão se posicionando para quedas, comprando contratos de venda com preços-alvo entre US$ 80 mil e US$ 100 mil para os meses de agosto e setembro. Isso demonstra uma expectativa generalizada de que o Bitcoin poderá corrigir entre 10% e 30% nos próximos 60 dias.

Modelo Energy Value sugere que o Bitcoin está subvalorizado

Análise contrária indica oportunidade

Apesar do tom pessimista no curto prazo, Charles Edwards, fundador do Capriole Fund, afirma que o BTC está subvalorizado com base em seu modelo Energy Value. Esse modelo considera o custo energético da rede Bitcoin como uma referência para seu valor fundamental.

“O Bitcoin está sendo negociado abaixo de seu valor intrínseco, o que historicamente tem se mostrado um ponto de compra vantajoso”, afirmou Edwards.

Esse tipo de análise sugere que a correção pode representar mais uma fase de acumulação do que o início de um ciclo de baixa.

Fase de acumulação pode anteceder novo rali no final do ano

Quarto trimestre tende a trazer retornos positivos

A história mostra que o quarto trimestre é, em geral, o mais lucrativo para o BTC. Segundo dados históricos, a criptomoeda apresenta um retorno médio de 52% entre outubro e dezembro.

A CryptoQuant destaca que, caso o padrão se repita, o mercado pode testemunhar uma nova fase de valorização, impulsionada por fatores como:

  • retomada da liquidez institucional;
  • maior clareza regulatória nos EUA e Europa;
  • aumento da entrada de capitais via ETFs spot;
  • maior adoção institucional.

ETFs Spot voltam a registrar entradas

Sinais de retomada da confiança

Apesar da realização de lucros das últimas semanas, os ETFs spot de Bitcoin voltaram a registrar entradas líquidas. De acordo com a SoSoValue, US$ 641 milhões entraram nesses produtos apenas entre os dias 23 e 31 de julho, indicando que há demanda institucional em níveis relevantes mesmo diante da correção.

Empresas continuam acumulando Bitcoin

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Cresce o número de corporações que investem em BTC

Além das movimentações dos ETFs, dados revelam que o número de empresas comprando BTC com recursos de tesouraria aumentou nas últimas seis semanas.

Segundo Charles Edwards, atualmente existem mais de três empresas adquirindo Bitcoin por dia, o que demonstra confiança corporativa no ativo digital como reserva de valor.

“Nossa métrica interna mostra uma razão de 100:1 de compradores para vendedores entre empresas que alocam em Bitcoin”, afirmou Edwards.

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Três cenários possíveis

Diante dos dados apresentados, analistas traçam três cenários possíveis para o Bitcoin até o final do trimestre:

1. Correção prolongada até setembro

Caso a pressão de venda se mantenha elevada e as condições macroeconômicas não melhorem, o BTC pode cair para níveis próximos de US$ 95 mil ou US$ 85 mil, conforme antecipam os contratos de venda nos mercados de opções.

2. Consolidação lateral

Se os compradores institucionais continuarem absorvendo a pressão de venda, o mercado pode estabilizar na faixa entre US$ 110 mil e US$ 118 mil, configurando um padrão de acumulação.

3. Rompimento no início de outubro

Seguindo o padrão histórico e as projeções do modelo Energy Value, o BTC pode recuperar força no final de setembro e iniciar um novo ciclo de valorização que pode levá-lo acima de US$ 130 mil até dezembro.

Conclusão: Sentimento misto, mas fundamentos se mantêm sólidos

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Imagem: Seu Crédito Digital/Freepik

O mercado de Bitcoin está em uma encruzilhada entre a realização de lucros e o otimismo estrutural. A pressão vendedora de curto prazo é clara, mas os fundamentos de longo prazo continuam firmes: aumento da adoção institucional, retomada de entradas em ETFs e dados históricos favoráveis para o fim do ano.

Para os investidores de longo prazo, a atual correção pode ser uma fase de transição saudável em um ciclo mais amplo de valorização.

Tainara Ferreira

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Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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