A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga supostas fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ganhou um nome de destaque: o senador Izalci Lucas (PL-DF). Conhecido por seu perfil técnico, Izalci desponta como o parlamentar mais ativo da CPI, com 324 requerimentos protocolados, de um total de 740 pedidos apresentados até a última sexta-feira, 23 de agosto de 2025.
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CPMI do INSS pode convocar irmão de Lula; entenda

Quem é Izalci Lucas?
Perfil técnico e atuação estratégica
Auditor de contas por formação, Izalci diz que conhece “como poucos” a dinâmica de sindicatos e associações. Ele afirma que dedicou o recesso legislativo para estudar a fundo os casos ligados ao INSS, chegando a montar organogramas, rastrear empresas e identificar pessoas ligadas às entidades investigadas.
“Duvido que alguém fará um pedido que eu já tenha feito. Essa CPI tem o dever de mostrar à sociedade quem saqueou os cofres da Previdência”, afirmou o senador ao Poder360.
O foco da CPI: fraudes em descontos e benefícios
Supostos esquemas de descontos indevidos
A CPI foi criada para investigar descontos irregulares nos contracheques de aposentados, desvios em entidades representativas, e manipulações nos sistemas do INSS. Entre os alvos está o Sindinapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), que teria multiplicado sua arrecadação de forma suspeita.
“Como um grupo que arrecadava menos de R$ 20 milhões passa para mais de R$ 150 milhões? Isso precisa ser esclarecido”, disse Izalci.
Convocação de Frei Chico
Entre os 324 requerimentos apresentados pelo senador está a convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde junho de 2023, ele ocupa a vice-presidência do Sindinapi, uma das entidades investigadas.
A menção a Frei Chico amplia o caráter político e institucional da CPI, ao colocar um nome do círculo familiar de Lula no foco das investigações.
O que é a CPI do INSS?

Objetivo e funcionamento
A CPI do INSS foi instalada no Congresso Nacional no dia 20 de agosto de 2025 com o objetivo de investigar fraudes, corrupção e desvios de recursos envolvendo o INSS. A comissão é composta por 16 senadores e 16 deputados, com representatividade proporcional ao tamanho das bancadas partidárias.
O presidente da CPI é o senador Carlos Viana (Podemos-MG), enquanto a relatoria ficou com Alfredo Gaspar (União Brasil-AL). A formação do comando da CPI representou uma derrota política para o Palácio do Planalto, que tentou emplacar nomes aliados, mas sem sucesso.
A amplitude da ofensiva legislativa
Quebras de sigilo e convocação de ministros
Dos 743 requerimentos totais, 318 pedem a quebra de sigilo bancário, fiscal ou telefônico de pessoas e entidades suspeitas. Há também convocações de ministros e ex-ministros do governo Lula, como:
- Jorge Messias (Advocacia-Geral da União);
- Vinícius de Carvalho (Controladoria-Geral da União);
- Ricardo Lewandowski (Ministro da Justiça);
- Carlos Lupi (ex-ministro da Previdência).
Esses nomes são mencionados em requisições para prestar esclarecimentos sobre a atuação institucional e o controle sobre os benefícios concedidos ou as entidades envolvidas nos descontos questionados.
Ex-presidentes do INSS no radar
Três ex-presidentes do INSS também foram citados em pedidos de convocação:
- Alessandro Stefanutto
- Gilberto Waller
- André Paulo Felix Fidelis
Eles devem explicar decisões administrativas, eventuais omissões e permissividade com práticas que permitiram o alastramento dos esquemas investigados.
Bolsonaro também pode ser ouvido
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também foi alvo de um requerimento, desta vez feito pelo deputado Rogério Correia (PT-MG), que defende a convocação do ex-mandatário para esclarecer políticas de gestão da Previdência durante seu governo.
A base da CPI: quem são os integrantes?
Senadores
- Izalci Lucas (PL-DF)
- Eduardo Braga (MDB-AM)
- Renan Calheiros (MDB-AL)
- Carlos Viana (Podemos-MG)
- Styvenson Valentim (PSDB-RN)
- Omar Aziz (PSD-AM)
- Eliziane Gama (PSD-MA)
- Cid Gomes (PSB-CE)
- Jorge Seif (PL-SC)
- Eduardo Girão (Novo-CE)
- Rogério Carvalho (PT-SE)
- Fabiano Contarato (PT-ES)
- Leila Barros (PDT-DF)
- Tereza Cristina (PP-MS)
- Damares Alves (Republicanos-DF)
- Dorinha Seabra (União Brasil-TO)
Deputados
- Coronel Chrisóstomo (PL-RO)
- Coronel Fernanda (PL-MT)
- Adriana Ventura (Novo-SP)
- Paulo Pimenta (PT-RS)
- Alencar Santana (PT-SP)
- Sidney Leite (PSD-AM)
- Ricardo Ayres (Republicanos-TO)
- Romero Rodrigues (Podemos-PB)
- Mário Heringer (PDT-MG)
- Beto Pereira (PSDB-MS)
- Bruno Farias (Avante-MG)
- Marcel van Hattem (Novo-RS)
- Alfredo Gaspar (União Brasil-AL)
- Duarte Jr. (PSB-MA)
- Rafael Brito (MDB-AL)
- Julio Alcoverde (PP-PI)
Quais os próximos passos?
Votação dos requerimentos
Os primeiros requerimentos devem ser votados nesta terça-feira (26 de agosto). Cabe ao presidente da CPI pautar os pedidos e conduzir os trabalhos de forma a garantir os depoimentos e a análise dos documentos solicitados.
A expectativa é de que as sessões ganhem contornos políticos intensos, com trocas de acusações entre parlamentares da base governista e da oposição.
Possíveis desdobramentos
Com o volume expressivo de pedidos de informação e de quebras de sigilo, a CPI tende a atingir figuras relevantes da política nacional, lideranças sindicais, entidades e até ex-gestores da Previdência.
Há também possibilidade de indiciamentos e envio de relatórios ao Ministério Público e à Polícia Federal, conforme evoluam as investigações e depoimentos.
Impactos esperados

Fiscalização mais rigorosa
A CPI deve pressionar o governo federal a rever os mecanismos de fiscalização sobre os descontos em contracheques de aposentados, bem como o vínculo entre instituições públicas e entidades sindicais.
Especialistas já alertam para a necessidade de auditorias internas e reformas nos canais de controle do INSS, especialmente diante do alto número de denúncias de filiações automáticas e cobranças indevidas.
Efeitos eleitorais
Com eleições municipais se aproximando, a CPI pode se tornar um palanque para nomes da oposição, ao mesmo tempo em que fragiliza figuras ligadas ao governo federal, caso sejam confirmados os desvios.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
