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Creatina faz ganhar peso? Entenda os mitos e o que realmente acontece

A creatina é uma substância amplamente utilizada para melhorar a capacidade física, especialmente por quem busca desempenho esportivo, aumento de força e desenvolvimento muscular. No entanto, o suplemento é cercado de mitos, sendo frequentemente associado a problemas de saúde, como hipertensão, câncer e até ganho de peso.

Afinal, a creatina engorda? Faz mal aos rins? Está ligada a doenças? Ou seriam apenas informações distorcidas? Neste artigo, você vai entender o que a ciência realmente diz sobre a creatina, seus benefícios, riscos, e como ela age no organismo.

creatina
Imagem: Freepik

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O que é creatina e como ela funciona no corpo humano

A creatina é um composto naturalmente produzido pelo corpo humano, sintetizado nos rins e fígado a partir dos aminoácidos arginina, glicina e metionina. Ela é armazenada principalmente nos músculos esqueléticos, onde desempenha um papel crucial na produção rápida de energia.

Como age no organismo

Quando uma pessoa realiza um exercício de alta intensidade, como levantamento de peso ou corrida rápida, o corpo utiliza trifosfato de adenosina (ATP) como fonte de energia. A creatina ajuda a regenerar esse ATP de forma mais rápida, permitindo maior desempenho físico em exercícios de curta duração e alta intensidade.

Benefícios além dos músculos

Além dos efeitos no desempenho esportivo, a creatina tem sido alvo de pesquisas por seu impacto positivo em outras áreas do corpo, como:

  • Melhora da saúde cognitiva;
  • Auxílio na recuperação de doenças neuromusculares;
  • Contribuição na saúde óssea;
  • Potencial terapêutico em doenças neurodegenerativas.

A creatina faz ganhar peso? Entenda o mito e a verdade

Uma das maiores dúvidas sobre o uso da creatina é se ela realmente faz ganhar peso.

Por que as pessoas acham que a creatina engorda?

O principal motivo para esse mito é o efeito da creatina em relação à retenção de água intracelular. Quando ingerida, ela atrai água para dentro das células musculares, o que pode gerar um pequeno aumento de peso na balança.

Esse ganho, no entanto, não se refere a gordura, mas sim a aumento da hidratação muscular e, posteriormente, da massa muscular.

E para quem tem sobrepeso?

Pessoas com sobrepeso ou obesidade também podem se beneficiar da creatina. Ela auxilia no aumento da força muscular, melhora da recuperação e elevação da capacidade de realizar treinos mais intensos, contribuindo, portanto, para o aumento do gasto calórico e possível emagrecimento.

A creatina causa doenças? Mitos e evidências científicas

Ao longo dos anos, surgiram diversas informações sobre possíveis riscos do consumo de creatina. Vamos entender o que realmente é verdade.

A creatina faz mal aos rins?

Não. Estudos revisados, como os publicados no Journal of the International Society of Sports Nutrition, indicam que a creatina não causa danos aos rins em indivíduos saudáveis que utilizam doses adequadas.

Relação com câncer e calvície

Pesquisas não encontraram relação entre o uso de creatina e o surgimento de células cancerígenas. Pelo contrário, ela pode auxiliar na recuperação muscular de pacientes em tratamento de câncer. Além disso, não há evidências que associam creatina à calvície ou queda de cabelo.

Pressão alta e problemas cardíacos

Segundo o professor Hamilton Roschel, da USP, a creatina não tem relação com hipertensão. A confusão surge do fato de ela promover retenção de fluido intracelular, mas isso não interfere na pressão arterial nem sobrecarrega o sistema cardiovascular.

Benefícios da creatina além da performance esportiva

A creatina vai muito além dos ganhos na academia. Estudos recentes mostram benefícios significativos em outras áreas da saúde.

Saúde cerebral

Pesquisas, como a publicada na Scientific Reports, indicam que a suplementação de creatina melhora as funções cognitivas, especialmente em situações de estresse e privação de sono.

Resultados do estudo:

  • Melhora no desempenho cognitivo após 4 horas da ingestão;
  • Efeito positivo durando até 9 horas;
  • Benefício mais evidente em situações de fadiga mental.

Doenças neurodegenerativas

Há indícios de que a creatina auxilia no tratamento de doenças como:

  • Parkinson;
  • Esclerose lateral amiotrófica (ELA);
  • Esclerose múltipla;
  • Apoio na recuperação após acidente vascular cerebral (AVC).

Saúde óssea

Estudos analisam o potencial da creatina em melhorar a densidade óssea, principalmente quando associada ao treinamento de resistência, sendo um fator preventivo contra osteoporose.

Como usar a creatina de forma segura

O uso correto da creatina é fundamental para aproveitar seus benefícios sem riscos.

Qual a dose recomendada?

  • Dose padrão: 3 a 5 gramas por dia;
  • Uso contínuo, sem necessidade de ciclos;
  • Pode ser consumida a qualquer hora, preferencialmente junto das refeições.

Fase de saturação: é necessária?

A fase de saturação (20 gramas por dia por 5 a 7 dias) não é obrigatória. Ela serve apenas para acelerar a saturação dos músculos, mas o uso diário de 3 a 5 gramas atinge o mesmo efeito em algumas semanas.

Possíveis efeitos colaterais

  • Desconforto gastrointestinal, se consumida em doses muito altas;
  • Leve aumento de peso relacionado à retenção de água muscular;
  • Cãibras e inchaço, em casos isolados.

Importante: Pessoas com problemas renais pré-existentes devem consultar um médico antes de iniciar o uso.

Quem deve usar creatina?

Grupos que se beneficiam

  • Praticantes de atividades físicas, especialmente de força e alta intensidade;
  • Idosos, para preservação de massa muscular e saúde óssea;
  • Pessoas em processo de reabilitação muscular;
  • Indivíduos em tratamento ou recuperação de doenças neurológicas.

Quem deve ter cautela

  • Pessoas com doença renal crônica;
  • Gestantes e lactantes (consulte um médico).

Mitos comuns sobre a creatina

Mito 1: Creatina engorda

Falso. A creatina não gera acúmulo de gordura. O aumento de peso está relacionado à hidratação muscular e ganho de massa magra.

Mito 2: Prejudica os rins

Falso. Em pessoas saudáveis, não há qualquer relação entre o consumo de creatina e danos aos rins.

Mito 3: Causa calvície

Não há evidência científica robusta que relacione a creatina à queda de cabelo.

Mito 4: Só serve para atletas

Errado. A creatina traz benefícios comprovados também para idosos, pessoas em processo de reabilitação e até na saúde cognitiva.

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Imagem: Freepik

A creatina é um dos suplementos mais estudados e comprovadamente seguros do mercado. Seu papel vai muito além do desempenho esportivo, trazendo benefícios para a saúde muscular, óssea e cognitiva, além de auxiliar na recuperação de diversas condições clínicas.

O mito de que a creatina engorda ou faz mal aos rins não encontra respaldo na ciência. Pelo contrário, quando usada de forma correta e supervisionada por profissionais da saúde, ela pode ser uma aliada tanto para atletas quanto para pessoas comuns, idosos e pacientes em recuperação.

Portanto, a suplementação de creatina, longe de ser prejudicial, é uma estratégia eficaz para quem busca melhorar a saúde, o desempenho físico e a qualidade de vida.