O uso de creatina, um suplemento popular entre atletas e praticantes de atividades físicas, tem crescido significativamente no Brasil. Porém, um relatório da Associação Brasileira de Empresas de Produtos Nutricionais (Abenutri), divulgado em outubro de 2024, alertou para a reprovação de 18 marcas de creatina no país. A análise revelou que 23% das amostras apresentaram variações na composição que ultrapassaram os limites permitidos pela Anvisa.
Alerta aos consumidores: 18 marcas de Creatina são reprovadas no Brasil
A Abenutri reprovou 18 marcas de creatina no Brasil. Confira quais marcas foram analisadas e as variações de composição que ultrapassaram os limites da Anvisa.
Neste artigo, vamos explorar os detalhes dessa análise, os impactos para os consumidores e as respostas das empresas envolvidas.
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O que é a Creatina e como ela funciona?

A creatina é uma substância composta por aminoácidos e produzida naturalmente pelo corpo humano. Ela é essencial para o fornecimento de energia para os músculos durante atividades de alta intensidade e curta duração. Além de ser produzida pelo organismo, a creatina pode ser obtida por meio do consumo de alimentos, especialmente carne vermelha, ovos, peixe e frango.
A forma concentrada, no entanto, ganhou popularidade como suplemento alimentar, sendo amplamente usada por atletas e praticantes de atividades físicas para melhorar o desempenho, aumentar a força e promover o ganho de massa muscular.
O relatório da Abenutri e as marcas reprovadas
A análise realizada pela Abenutri investigou 88 amostras de creatina comercializadas no Brasil, com 77% dos produtos sendo aprovados, ou seja, dentro dos padrões estabelecidos pela Anvisa. A grande surpresa foi a reprovação de 18 marcas, que não atenderam aos requisitos de composição exigidos pela agência.
O que causou a reprovação?
A principal razão para a reprovação foi a variação na concentração de creatina presente nos produtos. A Anvisa permite uma variação de até 20% entre a concentração indicada no rótulo e a real concentração do produto. No entanto, algumas marcas apresentaram uma variação de até 100%, o que foi considerado inaceitável pela associação e pela Anvisa.
Dentre as 18 marcas reprovadas, 10 apresentaram uma variação de 100%, o que significa que a quantidade de creatina nos produtos estava completamente fora dos limites estabelecidos. A Anvisa considera que produtos com variações tão grandes não podem ser classificados como creatina.
Marcas com 100% de variação
As seguintes marcas foram reprovadas por apresentarem uma variação de 100% na concentração de creatina:
- AGE – Creatina Monohidratada
- Cellucor – Creatina
- Dymatrix Nutrition – Creatina Monohidratada
- GENERIC LABS – Creatina Monohidratada
- IMPURE NUTRITION – Creatina
- INTLAB – Power Creatina
- Iron Tech Sports Nutrition – Creatina Monohidratada
- Muscle Pharm – Creatina
- NFT Nutrition – Creatina 100% Pura
- TRIBE NUTRITION – Creatina Monohidratada
Marcas com variações entre 21% a 99%
Além das marcas que apresentaram variação de 100%, outras 8 marcas também foram reprovadas por apresentarem variações que ultrapassaram o limite permitido de 20%. Essas marcas apresentaram variações entre 21% a 99%, o que ainda é considerado irregular pela Anvisa.
As marcas reprovadas com variações entre 21% e 99% incluem:
- BODY NUTRY – Creatina Energy
- Dark Dragon – Crea Delite
- EVOLUTION NUT. – Creawell
- Melius Nutrition – Creatina 100%
- MUSCLE FULL – Creatina
- PROSIZE – Creatina
- SCI NUTRITION – Creatina Pura
- Wise Health – Creatina Monohidratada
Como a Anvisa regula a Creatina?

A Anvisa estabelece regras rigorosas para a comercialização de suplementos alimentares no Brasil, incluindo a creatina. A principal diretriz é a variação máxima permitida entre a concentração informada no rótulo e a real concentração do produto. A agência permite uma variação de até 20%, mas qualquer alteração superior a esse valor é considerada irregular e pode levar à reprovação do produto.
A regulamentação visa garantir que os consumidores recebam exatamente o que é anunciado, promovendo a segurança e a confiança no mercado de suplementos. A creatina, por ser um suplemento amplamente consumido, deve seguir essas normas para garantir que os atletas e consumidores em geral não sejam prejudicados por produtos com concentrações incorretas ou adulteradas.
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Impactos para os consumidores
A reprovação dessas 18 marcas de creatina tem impactos diretos para os consumidores, principalmente aqueles que compram esses produtos sem estar atentos à qualidade e à procedência. Suplementos com concentração de creatina fora dos limites estabelecidos podem não gerar os benefícios esperados, além de representar riscos à saúde, uma vez que a ingestão de creatina em excesso pode causar problemas renais e musculares.
Além disso, a presença de empresas sem critérios rígidos de produção no mercado facilita a comercialização de produtos com qualidade duvidosa, o que reforça a importância de os consumidores ficarem atentos à procedência dos suplementos que adquirem.
Resposta das empresas envolvidas
Algumas das empresas envolvidas na análise reprovada se manifestaram publicamente, incluindo o Grupo Supley, que optou por medidas legais contra as divulgações feitas pela Abenutri. O grupo argumenta que as avaliações da associação não seguem padrões técnico-científicos estabelecidos pelos órgãos competentes, como a Anvisa. A empresa reforça que seus produtos passam por análises rotineiras e que sempre cumpre as regulamentações exigidas pela Anvisa.
A empresa também destaca que alguns de seus produtos têm o selo Creapure, que é um certificado de qualidade reconhecido internacionalmente para creatina de alta pureza. A empresa reitera seu compromisso com a transparência e a conformidade com as leis brasileiras.
O Futuro do mercado de Creatina no Brasil

A divulgação dessas informações e a reprovação de várias marcas de creatina são um alerta para o mercado de suplementos no Brasil. Com a popularização dos suplementos e o aumento da demanda por produtos como a creatina, é fundamental que os consumidores fiquem atentos à qualidade dos produtos que estão adquirindo.
A Anvisa e outras entidades reguladoras precisam continuar fiscalizando o mercado para garantir que apenas produtos que atendem aos padrões de qualidade sejam comercializados. Além disso, é importante que os consumidores se eduquem sobre como escolher suplementos de qualidade e evitem produtos de marcas que não sigam as regulamentações estabelecidas.
Conclusão
O relatório da Abenutri sobre as marcas de creatina reprovadas no Brasil serve como um importante alerta para consumidores e profissionais da área esportiva. O uso indiscriminado de suplementos de qualidade duvidosa pode afetar a saúde e os resultados dos praticantes de atividades físicas. A fiscalização contínua e a educação do consumidor são fundamentais para garantir que apenas produtos seguros e eficazes sejam consumidos.
