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FIDCs atraem investidores e podem superar R$ 1 trilhão no Brasil

Com juros em queda, FIDCs ganham espaço nas carteiras, impulsionados por crédito estruturado, inovação e busca por retorno real.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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O mercado financeiro brasileiro chega a 2026 atravessando uma transformação estrutural na forma como investidores alocam seus recursos. Depois de quase uma década em que a renda fixa tradicional, especialmente os produtos atrelados ao CDI, dominou as carteiras, o crédito estruturado passa a ocupar um papel central. Dentro desse movimento, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) se consolidam como protagonistas, tanto entre investidores institucionais quanto entre pessoas físicas.

A principal questão que se impõe agora é se o segmento conseguirá manter o ritmo de crescimento observado em 2024 e 2025, em um cenário de juros em trajetória de queda. Especialistas apontam que, embora o ambiente macroeconômico mude, os fundamentos que sustentam os FIDCs seguem sólidos.

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Maior previsibilidade da política monetária

Um dos fatores centrais para a expansão do crédito estruturado é a maior previsibilidade da política monetária. Com a inflação mais controlada e a sinalização de cortes graduais na Selic, o investidor passa a buscar alternativas que ofereçam retorno acima da renda fixa tradicional, sem abrir mão de lastro real.

Uso intensivo de tecnologia na gestão de risco

Outro vetor relevante é o avanço tecnológico. Ferramentas de análise de dados, modelos de crédito mais sofisticados e monitoramento contínuo dos recebíveis elevaram o nível de governança e reduziram riscos operacionais. Esse ambiente favorece estruturas mais complexas, como os FIDCs, que dependem de controle rigoroso de ativos.

Participação dos FIDCs cresce de forma acelerada

Mudança estrutural nas carteiras

Dados levantados pela Ouro Preto Investimentos, com base em números da Anbima, mostram uma mudança expressiva na composição das carteiras ao longo do tempo. A renda fixa tradicional, que representava 48% do patrimônio líquido dos fundos em 2016, deve recuar para cerca de 23% até 2030.

No sentido oposto, os FIDCs, que respondiam por apenas 2,5% do patrimônio líquido total em 2016, praticamente dobraram sua presença nos últimos anos e podem atingir 17,4% em cinco anos, caso a tendência atual seja mantida.

Projeções para o mercado até 2030

Segundo Leandro Turaça, sócio-fundador da Ouro Preto Investimentos, os FIDCs caminham para se tornar o principal instrumento de crédito do mercado brasileiro. A projeção indica que o número de fundos ofertados pode quase quadruplicar até 2030, passando de pouco mais de 3 mil para mais de 10 mil estruturas.

A expectativa é que o patrimônio líquido do setor alcance R$ 2,584 trilhões nos próximos cinco anos. Dados da Uqbar apontam que a indústria já soma R$ 820,7 bilhões, com perspectiva de ultrapassar R$ 1 trilhão já em 2026.

Crescimento deve continuar, ainda que com ajustes

Demanda estrutural por crédito

Para Alfredo Marrucho, diretor de conteúdo da Uqbar, o crescimento do mercado de FIDCs deve continuar em 2026, ainda que em ritmo potencialmente mais moderado. Segundo ele, o Brasil apresenta uma carência estrutural de crédito que não é suprida integralmente pelos bancos tradicionais.

Nesse contexto, o mercado de capitais assume papel central na oferta de crédito adicional, fenômeno que não se limita ao Brasil, mas segue uma tendência global de desintermediação bancária.

Selic em queda muda, mas não elimina a atratividade

A perspectiva de juros mais baixos altera a dinâmica de alocação, mas não reduz o apelo dos FIDCs. Pelo contrário, a busca por spread e por prêmios de crédito tende a se intensificar. Marrucho avalia que fundos bem estruturados seguem atrativos como complemento à renda fixa tradicional, embora o ambiente traga maior competição e compressão de preços.

Qualidade da originação ganha protagonismo

Do beta de juros ao alfa de crédito

Com a Selic apontando queda, o desempenho dos fundos passa a depender menos do patamar dos juros e mais da capacidade de originação e seleção de ativos. Na avaliação de Leonardo Andreoli, da Hike Capital, o retorno passa a ser cada vez mais determinado pelo alfa de crédito, e não mais pelo simples carrego de juros elevados.

Desafios em um ambiente mais competitivo

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Juros mais baixos tendem a aliviar a inadimplência marginal e estimular a originação, mas também aumentam a disputa por recebíveis de melhor qualidade. Nesse cenário, gestores com processos rigorosos de análise, estruturação e monitoramento ganham vantagem competitiva.

Segmentos que podem ganhar mais tração

Crédito pulverizado e novas originações

Alguns segmentos despontam como beneficiários diretos desse novo ciclo. Crédito à pessoa física, recebíveis pulverizados de pequenas e médias empresas, cadeias de suprimentos, crédito ao agronegócio e operações originadas por fintechs aparecem como estruturas com maior potencial de crescimento.

A diversificação e a pulverização dos recebíveis ajudam a diluir riscos e tornam os FIDCs mais resilientes em diferentes cenários macroeconômicos.

Avanço dos FIDCs no varejo ainda enfrenta entraves

Incentivos de distribuição no mercado

Apesar do crescimento do interesse por parte do investidor pessoa física, a distribuição de FIDCs ainda enfrenta obstáculos. Segundo gestores, produtos como CDBs, títulos públicos, CRIs, CRAs e COEs oferecem comissões mais elevadas, o que influencia a recomendação por parte das instituições.

FIDCs como parte da estratégia de alocação

Para Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, os FIDCs deveriam ocupar espaço relevante nas carteiras moderadas. Ele defende a combinação entre liquidez, estabilidade e geração de renda, com produtos líquidos garantindo segurança e uma parcela em FIDCs pulverizados entregando retorno consistente com baixa volatilidade.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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