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Caixa não prevê queda nos juros do financiamento imobiliário mesmo com queda na Selic

Caixa pode atingir R$ 1 trilhão em crédito imobiliário, mas juros continuam altos. Entenda o que muda no financiamento em 2026.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Caixa

A Caixa Econômica Federal está prestes a atingir um marco inédito: R$ 1 trilhão em carteira de crédito imobiliário em 2026. O crescimento é impulsionado por mudanças recentes nas regras de financiamento com recursos da poupança, que ampliaram o acesso ao crédito habitacional no país.

Apesar do avanço expressivo, a expectativa de quem pretende financiar um imóvel ainda esbarra em um obstáculo relevante: os juros seguem elevados e não devem cair no curto prazo.

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O que mudou no financiamento imobiliário

As alterações no modelo de crédito imobiliário envolvem principalmente o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), uma das principais fontes de recursos para financiamento habitacional.

Principais mudanças recentes

  • Financiamento de até 80% do valor do imóvel
  • Aumento do teto do imóvel para R$ 2,25 milhões
  • Liberação de mais de R$ 30 bilhões da poupança para crédito imobiliário

Essas mudanças foram viabilizadas com ajustes regulatórios que reduziram a necessidade de depósitos compulsórios no Banco Central do Brasil, permitindo maior circulação de recursos no sistema financeiro.

Como funciona o novo modelo do SBPE

O novo desenho do SBPE busca ampliar a oferta de crédito sem comprometer a sustentabilidade do sistema.

Nova lógica de funcionamento

  • Para cada R$ 1 financiado, o banco pode acessar R$ 1 da poupança
  • O uso desses recursos é liberado por até 5 anos
  • Pelo menos 80% dos financiamentos devem seguir regras do SFH

O Sistema Financeiro de Habitação (SFH) estabelece limites importantes, como:

  • Juros de até 12% ao ano + TR
  • Financiamento de imóveis dentro do teto estabelecido

Esse modelo estimula os bancos a ofertarem mais crédito habitacional, equilibrando o mercado.

Impacto para quem quer financiar um imóvel

Na prática, as mudanças ampliam o acesso ao crédito, especialmente para a classe média, que muitas vezes fica fora de programas como o Minha Casa Minha Vida.

Entre os principais benefícios estão:

Vantagens para o consumidor

  • Maior oferta de crédito
  • Possibilidade de financiar imóveis de maior valor
  • Condições mais estáveis no SFH

Por outro lado, o custo final ainda é impactado pelas taxas de juros.

Por que os juros continuam altos

Mesmo com a recente redução da taxa básica de juros, a Banco Central do Brasil ainda mantém a Selic em patamar elevado.

A taxa caiu de 15% para 14,75% em março de 2026, mas isso não foi suficiente para reduzir significativamente os juros imobiliários.

Fatores que mantêm os juros elevados

  • Custo ainda alto de captação de recursos pelos bancos
  • Incertezas econômicas globais
  • Impactos de conflitos internacionais, como a guerra no Oriente Médio
  • Pressões inflacionárias

Esses elementos aumentam a cautela das instituições financeiras na concessão de crédito.

Diferença entre SFH e SFI

Existem duas principais modalidades de financiamento imobiliário no Brasil:

Sistema Financeiro de Habitação (SFH)

  • Juros limitados (até cerca de 11,49% + TR na Caixa)
  • Imóveis dentro do teto de valor
  • Uso de recursos da poupança

Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI)

  • Sem limite de juros
  • Utilizado para imóveis de maior valor
  • Condições mais flexíveis, porém mais caras

A maioria dos contratos populares está concentrada no SFH, justamente por oferecer taxas menores.

Poupança perde força, mas segue relevante

Um dos desafios do setor é a redução dos recursos disponíveis na poupança. Nos últimos anos, muitos brasileiros migraram para investimentos mais rentáveis, como CDBs e fundos.

Mesmo assim, a poupança continua sendo uma fonte importante de financiamento imobiliário, principalmente por ser atrelada à Taxa Referencial (TR), o que permite juros mais baixos.

Expectativa para 2026 no crédito imobiliário

A Caixa projeta um volume robusto de contratações em 2026:

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Projeções do banco

  • Cerca de R$ 250 bilhões em novos financiamentos
  • Aproximadamente R$ 90 bilhões via poupança

Além disso, a mudança nas regras trouxe mais equilíbrio ao mercado. Antes, a Caixa concentrava grande parte das operações, devido à baixa atuação de outros bancos.

Agora, há maior participação das instituições privadas, ampliando a concorrência.

Concorrência entre bancos deve aumentar

Com a exigência de que 80% dos financiamentos sigam as regras do SFH para acesso aos recursos da poupança, os bancos foram incentivados a voltar ao mercado imobiliário.

Isso pode gerar:

  • Mais opções de crédito para o consumidor
  • Condições mais competitivas
  • Redução de filas e demanda reprimida

Ainda assim, o impacto direto sobre os juros tende a ser limitado no curto prazo.

O desafio do prazo dos financiamentos

Um dos fatores que limita a redução dos juros está no chamado “descasamento de prazos”.

Como isso afeta o crédito

  • Recursos da poupança podem ser usados por até 5 anos
  • Financiamentos imobiliários duram entre 12 e 18 anos

Essa diferença reduz o potencial de repasse de ganhos para o consumidor, já que o banco precisa administrar riscos ao longo de períodos mais longos.

Vale a pena financiar agora?

O cenário atual exige análise cuidadosa. Apesar dos juros ainda elevados, o mercado oferece mais opções e maior acesso ao crédito.

Pontos a considerar

  • Estabilidade das regras do SFH
  • Possibilidade de renegociação futura
  • Expectativa de valorização do imóvel

Para quem precisa comprar, o momento pode ser viável. Já para quem pode esperar, acompanhar a evolução da Selic pode fazer diferença.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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