Desde sua criação em novembro de 2020, o Pix transformou o modo como os brasileiros realizam pagamentos. Com aceitação praticamente universal, a ferramenta do Banco Central já é utilizada por 92% da população adulta, segundo nova pesquisa do Google divulgada nesta quinta-feira (17).
O levantamento reforça a consolidação do Pix como principal meio de pagamento no país, rivalizando diretamente com o tradicional cartão de crédito.
O estudo aponta ainda que o Pix movimentou impressionantes R$ 64 bilhões em 2024, consolidando seu papel não apenas como método de transferência, mas também como alternativa e complemento ao cartão de crédito.
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Pix e cartão de crédito: coexistência ou substituição?

Segundo o Google, o cenário atual é de complementariedade entre os meios de pagamento. O Pix ocupa espaços antes dominados pelo cartão, especialmente em transações digitais, do cotidiano e de menor valor. Por outro lado, o cartão de crédito segue firme nas compras de alto custo e parcelamentos.
Mas essa divisão começa a se desfazer com o avanço do Pix parcelado, que tem ganhado força entre os brasileiros e poderá redefinir as preferências financeiras nos próximos meses.
“Há uma convivência entre o tradicional e o novo. O Pix não anula o cartão de crédito, mas já disputa com ele em várias situações”, afirmou Gustavo Pena, head de Indústria e Fintechs do Google.
O crescimento do Pix parcelado
Ainda em fase de ampliação, a ferramenta Pix parcelado — já disponível em algumas instituições e com lançamento oficial nacional previsto para setembro de 2025 — é conhecida por 52% dos brasileiros, segundo a pesquisa.
Seu funcionamento é simples: o consumidor envia o valor total via Pix, mas o débito é feito em parcelas na conta bancária, enquanto o vendedor recebe o montante integral de forma imediata. Isso permite, por exemplo, a compra de um eletrodoméstico sem comprometer o limite do cartão.
O modelo tem atraído especialmente quem não possui acesso ao crédito tradicional ou não quer comprometer o limite do cartão, criando uma alternativa mais inclusiva para parcelamentos.
Cartão de crédito ainda forte, mas com novos desafios
Apesar do avanço do Pix, o cartão de crédito ainda é o meio mais utilizado, especialmente nas classes A e D/E, por razões distintas: os mais ricos buscam os programas de recompensa e cashback, enquanto os mais pobres se beneficiam do aumento do limite concedido por bancos e fintechs.
Entretanto, 58% dos consumidores afirmam ter aumentado os gastos no cartão nos últimos cinco anos, o que também revela certa dependência que pode ser impactada pelas novas funcionalidades do Pix.
O crescimento do uso do Pix não elimina o cartão, mas obriga as instituições a modernizarem suas ofertas para manter a competitividade.
O Pix domina o ambiente digital e cotidiano
No digital, Pix avança nas compras e assinaturas
A pesquisa revela que o Pix domina o ambiente digital em transações de baixo valor, como:
- Pagamentos de assinaturas de streaming e serviços;
- Compras em aplicativos de entrega;
- Pagamentos entre familiares ou transferências pessoais;
- Compras online em pequenos e-commerces.
Já o cartão de crédito ainda lidera em:
- Reservas de hotel e passagens aéreas;
- Compras de eletrônicos e móveis de maior valor;
- Serviços digitais de alta recorrência.
No presencial, Pix ganha dos cartões
Quando se trata de ambiente presencial, o Pix é o preferido dos consumidores brasileiros para:
- Compras do dia a dia;
- Restaurantes e bares;
- Estabelecimentos de entretenimento;
- Pagamento a prestadores de serviços autônomos.
Segundo o Google, cerca de 9 em cada 10 lojistas brasileiros já aceitam Pix, e muitos preferem o meio devido à liquidação imediata e menor custo de operação em comparação com cartões, que envolvem maquininhas e taxas de antecipação.
O Pix é o futuro, dizem os brasileiros

A percepção popular sobre o Pix é altamente favorável. O estudo revela que:
- 86% dos brasileiros acreditam que o Pix será o principal meio de pagamento do futuro;
- 80% consideram o Pix mais rápido que outros métodos;
- 75% o acham mais fácil de usar;
- A maioria aponta o Pix como mais seguro e confiável do que outras formas de pagamento.
Thais Melendez, líder de Insights Estratégicos do Google, avalia que o brasileiro está mais digital e consciente em relação às finanças, e o Pix se encaixa nessa nova realidade:
“Vemos um consumidor mais empoderado, mais atento ao custo e à eficiência. O Pix funciona como facilitador nesse processo de amadurecimento financeiro.”
Perfil dos usuários do Pix
Faixa etária
O Pix é amplamente adotado em todas as idades, mas com maior presença entre os mais jovens:
- De 18 a 24 anos: 76% utilizam frequentemente;
- Acima de 55 anos: apenas 42% aderiram totalmente à ferramenta.
Essa diferença indica a necessidade de educação digital para expandir o uso entre o público mais velho, sobretudo em áreas rurais e periferias urbanas.
Classe social
O uso do Pix é expressivo em todas as classes, mas:
- A classe C é a que mais utiliza o Pix no cotidiano;
- A classe A usa o Pix com foco em eficiência e velocidade;
- As classes D e E veem no Pix uma forma de inclusão e acesso a pagamentos digitais.
Inovação e novos serviços

O Google também vem investindo na integração do Pix ao seu ecossistema. Em 2024, a empresa incluiu a opção de transferência via Pix no Google Pay, ampliando as formas de pagamento disponíveis em sua carteira digital.
Segundo Melendez, a empresa está atenta às mudanças nos hábitos do consumidor brasileiro e pretende adaptar seus serviços à medida que novos modelos de pagamento, como o Drex e o Open Finance, ganham relevância.
Cartão x Pix: o que esperar do futuro?
O cenário traçado pelo estudo do Google é de coexistência competitiva. O cartão de crédito ainda será essencial em algumas situações, mas o Pix — especialmente com o parcelado — está conquistando rapidamente o espaço do consumo rotineiro.
A popularização de soluções como o Pix Garantido, que permite parcelamento com garantias, tende a atrair ainda mais usuários, inclusive da base bancarizada mais recente.
O grande trunfo do Pix está em sua simplicidade, acessibilidade e baixo custo, atributos que o tornam praticamente universal no país com maior desigualdade de acesso financeiro da América Latina.
