A praticidade do Pix revolucionou a forma como transferimos dinheiro, mas a mesma agilidade que torna o sistema eficiente também abre espaço para erros. Todos os dias, usuários relatam terem enviado valores para contas erradas.
É crime não devolver Pix enviado por engano? Entenda
Descubra se é crime ficar com Pix enviado por engano e o que fazer ao receber valores indevidos.
Em muitos desses casos, a pessoa que recebeu a quantia se recusa a devolver, o que pode ter consequências legais sérias.
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A apropriação de valores por engano é crime?

Quando alguém recebe um Pix por engano e decide não devolver, está, de fato, cometendo um crime. O Código Penal Brasileiro trata dessa situação de forma clara no artigo 169, que descreve como crime de apropriação de coisa alheia aquilo que é recebido por erro, acidente ou força da natureza.
“Apropriar-se de coisa alheia vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza: pena – detenção, de um mês a um ano, ou multa.”
Isso significa que, se a pessoa que recebeu o Pix indevido não tomar a iniciativa de devolver o valor em até 15 dias, poderá ser processada criminalmente por apropriação indébita, correndo o risco de ser condenada a prisão de até um ano ou multa, conforme a decisão judicial.
Como agir ao receber um Pix por engano
Mesmo que pareça vantajoso manter o dinheiro recebido por erro, as consequências legais tornam essa escolha arriscada. A melhor atitude é devolver o valor imediatamente, e o próprio sistema bancário facilita esse processo.
A maioria dos bancos oferece um recurso específico para devolução do Pix, acessível diretamente pelo aplicativo. Veja como proceder:
- Acesse o extrato da sua conta pelo aplicativo ou Internet Banking;
- Encontre a transação recebida por engano;
- Toque na opção de “Devolver”, “Estorno” ou “Reembolso” (dependendo do banco);
- Escolha o valor a ser devolvido;
- Confirme a operação.
Depois de feito o reembolso, salve o comprovante da devolução. Isso servirá como uma prova em caso de qualquer questionamento futuro.
Se você tiver dificuldades para encontrar essa opção, o ideal é entrar em contato com o seu banco para receber orientações sobre como proceder corretamente.
E se for você quem fez o Pix errado?
O Banco Central não prevê um meio automático de cancelamento de Pix após o envio. Isso significa que, se você foi a pessoa que transferiu o valor incorretamente, a solução mais imediata é tentar contato com o destinatário e pedir a devolução.
Caso o recebedor se recuse a devolver o dinheiro, você pode recorrer a vias legais. A primeira medida é registrar um Boletim de Ocorrência (BO), que pode ser feito presencialmente em uma delegacia ou pela internet, por meio da Delegacia Virtual do seu estado.
Com o BO em mãos, é possível judicializar o caso e solicitar a devolução dos valores. Como o não reembolso pode configurar crime, essa é uma forma de pressionar o recebedor e garantir a restituição.
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Devolver é uma atitude legal, e ética
Apesar de parecer inofensivo, manter um valor recebido por engano não apenas compromete a ética do recebedor como pode ter consequências penais. A devolução imediata demonstra boa-fé e evita qualquer tipo de ação judicial.
Além disso, a rapidez no reembolso pode evitar transtornos para quem errou, especialmente em casos de quantias elevadas, como valores de aluguel, parcelas de carro ou compras importantes. Nesse sentido, o bom senso e o respeito ao próximo são aliados da legalidade.
Dicas para evitar erros ao fazer Pix

A melhor forma de evitar esse tipo de situação é a atenção antes de confirmar uma transferência. Veja algumas dicas simples para evitar erros:
- Confira todos os dados do recebedor antes de finalizar o Pix;
- Prefira usar chaves Pix validadas (como e-mail ou CPF);
- Para valores altos, faça uma pequena transferência teste antes;
- Salve contatos confiáveis no aplicativo bancário.
Tomar cuidado na hora de realizar uma transferência pode poupar você de dores de cabeça, e outras pessoas de possíveis transtornos judiciais
Em tempos de transações instantâneas, agir com responsabilidade e respeito é fundamental para preservar a confiança nas ferramentas digitais, e para se manter dentro da legalidade.
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