Seu Crédito Digital
O Seu Crédito Digital é um portal de conteúdo em finanças, com atualizações sobre crédito, cartões de crédito, bancos e fintechs.

Criptomoedas em queda livre: ameaças tarifárias de Trump derrubam o mercado e acendem alerta global

O mercado de criptomoedas enfrentou uma forte onda de liquidação em 23 de julho de 2025, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reacender temores de uma guerra comercial ao ameaçar o aumento de tarifas sobre países que não abrirem seus mercados.

A capitalização total do mercado cripto caiu para US$ 3,87 trilhões, enquanto o volume diário de negociações recuou 12%, chegando a US$ 195 bilhões.

A notícia provocou perdas generalizadas em praticamente todos os principais criptoativos, com destaque para Dogecoin e XRP, que lideraram as quedas. A ameaça de tarifas reforçou o clima de aversão ao risco global e atingiu particularmente os ativos digitais, que tendem a sofrer sob incertezas geopolíticas e macroeconômicas.

Leia mais:

Strategy supera 600 mil bitcoins e já detém mais de 3% do suprimento global de BTC

A pancada no mercado: queda ampla entre altcoins

Dogecoin e XRP lideram perdas entre as grandes criptomoedas

Os dados das últimas 24 horas, coletados pela plataforma CoinMarketCap, revelam um cenário de sangria entre as principais criptomoedas:

  • Dogecoin (DOGE) recuou 6,61%, sendo negociada a US$ 0,24;
  • XRP, da Ripple, teve desvalorização de 6%, sendo cotada a US$ 0,52;
  • Cardano (ADA) caiu 5,38%, para US$ 0,80;
  • Solana (SOL) cedeu 4,75%, cotada agora a US$ 190;
  • Ethereum (ETH) perdeu 2,08%, mantendo-se acima de US$ 6.400;
  • Bitcoin (BTC) teve leve queda de 0,55%, mas manteve-se resiliente, negociado acima de US$ 118 mil.

Tokens secundários também sentem o baque

Além dos gigantes, outros tokens também sofreram desvalorizações expressivas:

  • Hedera (HBAR): queda de 6,22%;
  • Chainlink (LINK): recuo de 5,25%;
  • Stellar (XLM): perda de 5,19%;
  • Shiba Inu (SHIB): baixa de 6%.

O impacto foi generalizado e refletiu a saída em massa de capital, especialmente por parte de investidores institucionais mais sensíveis a riscos geopolíticos.

Um sinal verde em meio ao vermelho: BNB sobe e mira US$ 1.200

Bitcoin
Imagem: Freepik

A exceção do dia: BNB ignora o caos e estabelece novo recorde

Enquanto o mercado cripto mergulhava, o BNB — token nativo da Binance — surpreendeu com um movimento contrário. O ativo valorizou-se e atingiu um novo recorde de US$ 809, impulsionado por um crescente interesse institucional e forte volume de negociações no ecossistema Binance.

Analistas agora projetam que o token pode atingir US$ 1.200 nas próximas semanas, caso o atual momento de força se mantenha. A valorização de BNB se destaca como uma rara exceção em um mercado dominado pela aversão ao risco.

Contexto geopolítico: ameaça de tarifas reacende temor de guerra comercial

Trump retoma discurso protecionista e exige abertura de mercados

O presidente Donald Trump, em postagem na rede Truth Social, reiterou sua intenção de impor tarifas agressivas contra países que, segundo ele, mantêm barreiras comerciais injustas contra os Estados Unidos.

“Somente reduzirei tarifas se um país concordar em abrir seu mercado”, escreveu. “Caso contrário, tarifas muito mais altas.”

O discurso segue a linha de sua política de “reciprocidade comercial”, que já norteou ações semelhantes durante seu primeiro mandato. Agora, com os EUA buscando novos acordos, como o firmado com o Japão, Trump volta a utilizar uma estratégia de “cenoura e porrete” para forçar negociações bilaterais.

1º de agosto: o prazo final

As tensões comerciais ganharam um prazo definitivo: 1º de agosto de 2025. É a data limite definida pelo governo para que países-alvo modifiquem suas políticas comerciais. Caso contrário, tarifas de até 30% entrarão em vigor.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, reforçou a inflexibilidade do prazo em entrevista à Fox News, afirmando que os EUA já arrecadaram mais de US$ 100 bilhões em tarifas desde o início da nova rodada de políticas protecionistas.

Reação dos mercados: volatilidade e fuga para ativos mais seguros

Aversão ao risco domina o cenário global

A repercussão foi imediata nos mercados financeiros globais. Bolsas na Ásia e Europa fecharam em queda, enquanto os índices futuros dos EUA abriram em território negativo. O mercado cripto, naturalmente mais volátil, respondeu com ainda mais intensidade à notícia.

Investidores buscaram refúgio em ativos tradicionais de segurança, como:

  • Títulos do Tesouro norte-americano;
  • Dólar americano (DXY subiu 1,1%);
  • Ouro, que ultrapassou novamente a marca dos US$ 2.500 por onça.

A migração para ativos considerados mais seguros evidencia a elevação da percepção de risco e pode impactar negativamente a liquidez dos mercados digitais nos próximos dias.

Inflação e Federal Reserve: novo dilema à vista

Tarifa e inflação: um duplo desafio para o Fed

Embora Trump tenha afirmado que as tarifas não impactarão a inflação, os dados recentes do CPI (Índice de Preços ao Consumidor) contradizem essa narrativa. O CPI de junho avançou para 2,7%, acima da expectativa de 2,4%, sinalizando uma possível pressão inflacionária contínua.

Com isso, analistas temem que as novas tarifas possam reacender o ciclo inflacionário, obrigando o Federal Reserve (Fed) a manter juros altos por mais tempo. Essa perspectiva pode frear a retomada de liquidez e prejudicar ativos de risco — incluindo as criptomoedas.

Opinião de especialistas: mercado pode enfrentar nova correção

Analistas alertam para prolongamento da tendência de queda

Vozes do mercado já apontam que o movimento de liquidação pode não ter terminado. Segundo o analista cripto Marcus Leclerc, da Quantum Analytics:

“Se Trump mantiver o tom hostil e o Fed for obrigado a prolongar o aperto monetário, o mercado cripto pode sofrer uma nova perna de baixa, com o Bitcoin testando níveis de US$ 105 mil ou até menos.”

Já para Elena Wu, estrategista de risco da CoinTrust Capital, o mercado cripto pode se estabilizar caso haja uma sinalização de que as tarifas serão revistas:

“O tom é beligerante agora, mas historicamente, Trump também recua quando percebe impacto direto nos mercados financeiros. Isso ainda pode mudar.”

Cenário técnico: níveis de suporte no radar dos traders

Bitcoin testa suporte, altcoins ameaçam reversão de tendência

No gráfico diário, o Bitcoin ainda sustenta a média móvel de 50 dias, em torno dos US$ 116.700, que é considerado um suporte crítico de curto prazo. A perda desse patamar pode abrir espaço para uma correção até a faixa dos US$ 109.000–110.000.

Entre as altcoins, a situação é mais delicada:

  • Ethereum precisa manter os US$ 6.250 para não entrar em tendência de baixa;
  • Cardano enfrenta pressão abaixo de US$ 0,80;
  • Solana, caso rompa os US$ 180, pode afundar até os US$ 155.

Traders de curto prazo estão reduzindo exposição e adotando estratégias defensivas, como stablecoins e futuros vendidos.

Conclusão: incertezas tarifárias ditam o rumo das criptomoedas

Criptomoedas
Imagem: CMP_NZ / Shutterstock

O impacto das ameaças tarifárias de Donald Trump mostrou, mais uma vez, a fragilidade do mercado cripto frente a fatores macroeconômicos e geopolíticos. A queda generalizada das principais criptomoedas, a fuga de capital e o aumento da aversão ao risco criam um ambiente desafiador para investidores nos próximos dias.

A contagem regressiva para 1º de agosto será decisiva. Se as tarifas forem implementadas conforme prometido, o mercado cripto poderá ver mais um capítulo de volatilidade extrema. Por outro lado, qualquer sinalização de diálogo pode amenizar as perdas e restabelecer o otimismo no curto prazo.

Enquanto isso, o investidor precisa manter a cautela, monitorar os desdobramentos e lembrar: no mercado cripto, o imprevisível é a única certeza.