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Projetos cripto intensificam defesas para contornar ameaça quântica e proteger US$ 2 trilhões

Com o avanço da computação quântica, projetos como Bitcoin, Solana e mais implementam defesas pós-quânticas para proteger US$ 2 trilhões em cripto‑ativos.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira5 min de leitura
Cripto

À medida que a computação quântica progride, o ecossistema de criptomoedas — com valor estimado em cerca de US$ 2 trilhões — enfrenta um desafio existencial: suas bases criptográficas, consideradas inquebráveis em computadores clássicos, podem se tornar vulneráveis.

Diante disso, projetos como Bitcoin, Solana e Algorand estão implementando medidas de segurança pós-quântica para antecipar esse futuro inevitável.

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O que é computação quântica e por que ela ameaça o cripto‑mundo

A computação quântica utiliza qubits, que diferem dos bits tradicionais ao poder representar simultaneamente 0 e 1. Isso permite processamento massivo paralelo e possível solução de problemas considerados inquebráveis pelos computadores clássicos, como criptografia baseada em fatoração de primos.

  • Em 2023, o Google anunciou o processador Willow, capaz de executar cálculos específicos em apenas cinco minutos; embora ainda longe de quebrar o Bitcoin, este marco reforça a urgência.
  • Em 2019, o chip Sycamore, também do Google, resolveu tarefas que levariam milênios em apenas alguns minutos .

Estima-se que hoje sejam necessários milhões de qubits para ameaçar a criptografia do Bitcoin — muito acima da capacidade atual (Sycamore possui 53 e o Condor, da IBM, 1.121) . Porém, estudos sugerem que um ataque real pode demandar apenas cerca de 1 milhão de qubits ruidosos .

Bitcoin: BIP 360 e o movimento para endereços pós-quânticos

Bitcoin
Imagem: tungtaechit / shutterstock.com

O Bitcoin Improvement Proposal 360 (BIP 360), idealizado pelo desenvolvedor Hunter Beast, propõe uma nova estrutura de endereços chamada P2QRH (Pay‑to‑Quantum‑Resistant‑Hash). Essa proposta visa:

  1. Introduzir algoritmos pós-quânticos como Falcon e CRYSTALS‑Dilithium.
  2. Permitir migração gradual de bitcoins de carteiras clássicas para novas carteiras seguras via rede — sem exigir hard fork imediato .

Outras medidas propostas

  • O protocolo “hourglass” (ampulheta) sugere limitar o uso de transações vulneráveis (como P2PK) para detectar e reagir a ataques quânticos .
  • BIPs como QRAMP propõem hard forks para migração obrigatória a carteiras resistentes.

Desafios

  • Aceitação da comunidade e apoio de nós, exchanges e custodians.
  • Migração de satoshis antigos com chaves públicas expostas (como os de Satoshi) para novos endereços.
  • Coordenação global para manter descentralização e evitar rupturas da rede.

Algorand: pioneirismo com Falcon e FALCON‑512

Algorand foi uma das primeiras blockchains a adotar o algoritmo pós-quântico Falcon, aprovado pelo NIST como padrão FIPS. A rede utiliza assinaturas FALCON em State Proofs, que garantem a validade dos últimos blocos sem precisar expor chaves vulneráveis.

Algorand 4.0 e opções híbridas

Na versão 4.0, foi implantada a escolha entre Falcon e SPHINCS+, este último mais seguro mas com maior custo computacional; o benchmark indica que o Falcon mantém 95% do throughput, enquanto o SPHINCS+ reduz o TPS entre 42‑68%.

Tecnologia e preparação

A rede proporciona mecanismos para assinatura pós-quântica em transações e votos de consenso (VRFs), mostrando que seu projeto foi pensado com resiliência quântica desde o início .

Solana: Winternitz Vault e assinaturas únicas

Winternitz One‑Time Signatures (WOTS)

Solana lançou o Winternitz Vault, uma camada opcional que utiliza assinaturas hash-baseadas WOTS, gerando chaves distintas a cada transação:

  • Cada assinatura é única, reduzindo a reutilização de chaves vulneráveis .
  • Usa Keccak‑256 truncado para garantir segurança de 112 bits contra computadores quânticos.

Disponibilidade

  • Atualmente opcional: usuários devem migrar manualmente para esse “cofre” poupar do modelo clássico .

Vantagens

  • Proteção imediata para investidores com fundos em Solana.
  • Mantém as vantagens de velocidade e flexibilidade da rede.

Outras iniciativas significativas

  • A startup QAN desenvolve contratos inteligentes com resistência quântica em fase beta.
  • A suíça SEALSQ lançou o chip QS7001, baseado nos algoritmos CRYSTALS‑Kyber e Dilithium — ambos padronizados pelo NIST.
  • O Projeto 11 oferece recompensas por quebrar “versões brinquedo” dos algoritmos, estimulando testes de segurança.

Quanto tempo resta? Uma corrida contra o relógio

Apesar da urgência, especialistas concordam que a ameaça quântica não é iminente, e o setor ainda dispõe de alguns anos para se preparar.

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Contudo, o ritmo de evolução dos processadores quânticos, como o Willow e estudos sobre ataques Shor, sugerem que é preciso agir agora para evitar crises no futuro. A expectativa é que, se acelerarem, esses investimentos precisem ser concluídos nos próximos 5 a 10 anos.

Problemas na encruzilhada: descentralização e migração

Compliance sem perder liberdade

A migração para drivers pós-quânticos exige ampla atualização: nodes, carteiras, exchanges, custodians e usuários comuns deverão implementar padrões.

Risco de fragmentação

Mudanças rápidas sem consenso ampliado podem causar divisão de redes (forks), e fundos em carteiras antigas poderão ser atacados.

Custo e retorno

Equilíbrio entre segurança e performance — como mostrou o Algorand 4.0 — será fundamental. Custos computacionais elevados podem limitar adoção.

O panorama futuro do cripto‑mundo

Preparação estratégica

A adoção de algoritmos como Falcon, SPHINCS+, Dilithium e WOTS demonstra preparação proativa, diferente de estilos anteriores, que esperavam respostas apenas após ocorrerem ataques.

Transparência e teste

Projetos que incentivam auditorias e testes externos, como o Projeto 11, fortalecem a confiança e antecipam falhas.

Importância da régulação

Com padrões definidos pelo NIST, chuvas de chips pós-quânticos e adoção corporativa, temos clima ideal para implementação de soluções em larga escala.

Considerações finais

Bitcoin criptomoedas
Imagem: Freepik

A computação quântica representa o maior risco à segurança das criptomoedas desde o surgimento do Bitcoin. Projetos que se antecipam — como Bitcoin com BIP 360, Algorand com Falcon e Solana com Winternitz — ganham vantagem competitiva e oferecem mais confiança ao mercado.

A corrida quântica já começou, e somente quem investir em segurança profunda e descentralizada poderá navegar com tranquilidade nesse mar digital turbulento.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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