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Crise maior à vista? IOF revela problemas mais profundos, diz Gilmar

Gilmar Mendes diz que crise do IOF revela falhas de diálogo e expõe tensão institucional entre Executivo e Congresso.

A recente disputa em torno do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) ultrapassou as barreiras fiscais e expôs um problema mais profundo nas engrenagens institucionais do país: a crescente tensão entre os Poderes da República. Foi o que afirmou o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (2), durante o Fórum de Lisboa, evento internacional promovido por ele em Portugal.

Para o decano da Corte, a crise envolvendo a judicialização da derrubada do decreto presidencial sobre o IOF é apenas a manifestação visível de um conflito mais amplo, que aponta para a ausência de diálogo e coordenação entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Leia mais: Decisão sobre IOF vai para Moraes e pode afetar seu bolso

IOF: mais sintoma que causa, segundo Gilmar

Haddad IOF
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

Gilmar foi direto: “Eu acho que o IOF, essa crise do IOF, é mais a revelação de um sintoma do que da doença. Eu acho que nós precisamos tratar da doença, a falta de diálogo, a falta de coordenação. Isso aqui é apenas a ponta do iceberg de uma crise e nós precisamos resolver e debelar a crise”, declarou a jornalistas presentes no evento.

As palavras do ministro surgem após o governo federal recorrer ao STF na tentativa de validar o decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que aumentou a alíquota do IOF. A medida havia sido rejeitada pelo Congresso Nacional, o que provocou o embate jurídico e político.

Judicialização do caso: entenda o que está em jogo

O governo, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), entrou com uma Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) no Supremo. O objetivo é confirmar a legalidade do decreto que elevou o IOF, argumentando que o ato não excede os limites da legislação vigente. A AGU também sustentou que a derrubada da medida pelo Congresso representa uma invasão de competências, ferindo o equilíbrio entre os Poderes.

A decisão sobre o caso será tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, designado relator da ação. Moraes também conduz outros processos relacionados ao mesmo decreto: uma ação do PL, contrária ao aumento do tributo, e outra do PSOL, que defende a decisão do Congresso de revogar o decreto.

STF pode favorecer Executivo, dizem especialistas

IOF
Imagem: Andre Nery / shutterstock.com

Nos bastidores, ministros do STF avaliam que é difícil comprovar que o decreto presidencial tenha extrapolado os limites do poder regulamentar conferido ao Executivo. Pela Constituição Federal, o Congresso só pode suspender normas do governo que abusarem desse poder, como nos casos em que criam direitos ou deveres não previstos em lei.

Com base nesse entendimento, há uma tendência no Supremo de validar atos do Executivo — especialmente quando não há evidência de que a norma descumpre a legislação. O aumento do IOF, apesar de impopular, estaria tecnicamente dentro das prerrogativas do presidente da República.

Separação dos Poderes em foco

A possível interferência do Legislativo sobre um decreto do Executivo reacende o debate sobre o princípio da separação dos Poderes, cláusula fundamental da Constituição de 1988. Segundo juristas, anular o aumento do imposto sem base legal clara poderia representar uma afronta à autonomia do Poder Executivo.

Esse cenário evidencia a necessidade de maior maturidade institucional. Como disse Gilmar Mendes, “é hora de todos assumirem a responsabilidade que têm com o país e evitarem a escalada de uma crise que pode sair do controle”.

Com informações de: CNN Brasil