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Crise financeira força Santa Cecília a encerrar operações em Fortaleza

Santa Cecília encerrou operações em Fortaleza. Veja os impactos no transporte, destino dos funcionários e como as rotas serão afetadas.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
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O transporte público de Fortaleza enfrenta mais um capítulo de instabilidade. Nesta sexta-feira (8), a empresa Santa Cecília, responsável por 31 linhas de ônibus na capital cearense, encerrou oficialmente suas atividades. A informação foi confirmada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Ceará (Sindiônibus).

A decisão ocorre em meio a uma crise financeira que já se arrastava por anos e afeta diretamente funcionários, usuários e a logística do sistema.

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Uma crise anunciada

Passageiro usando cartão para liberar passagem na catraca em viagem de ônibus
Imagem: Joa Souza/shutterstock.com

Recuperação judicial e salários atrasados

A situação da Santa Cecília ganhou destaque no fim de julho, quando veio a público que a empresa enfrentava dificuldades financeiras severas. O quadro incluía recuperação judicial, processos trabalhistas e atrasos no pagamento de salários, férias e benefícios como vale-alimentação.

Segundo relatos de funcionários e sindicatos, esses problemas persistem há pelo menos três anos, afetando a qualidade do serviço e colocando trabalhadores em situação de vulnerabilidade econômica.

Quinta empresa a deixar o sistema desde 2012

A crise não é isolada. Desde a última concessão do sistema de transporte coletivo de Fortaleza, realizada em 2012, cinco das 14 empresas vencedoras da licitação já deixaram de operar. Para o Sindiônibus, esse cenário acende um alerta sobre a sustentabilidade do modelo atual de concessões.

Destino dos funcionários

Recolocação no setor

De acordo com o presidente do Sindiônibus, Dimas Barreira, os funcionários da Santa Cecília poderão ser absorvidos por outras concessionárias que atuam na capital, assim que o processo de desligamento for concluído.

“Vamos pensar como podemos priorizar a reintegração desse pessoal no sistema, porque, naturalmente, o sistema tem rotatividade”, afirmou Barreira.

Ele explicou que há uma preocupação em evitar que a perda do emprego seja definitiva para esses trabalhadores, já que há constantes substituições no quadro de funcionários devido a saídas voluntárias ou mudanças de setor.

Mobilização sindical

O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Ceará (Sintro-CE) acompanha de perto o caso. A entidade informou que vai acionar o Ministério do Trabalho e Emprego para garantir que todos os direitos trabalhistas e salários atrasados sejam pagos.

Além disso, uma assembleia será convocada para que os trabalhadores demitidos discutam os próximos passos coletivamente. A mobilização é reflexo de uma paralisação iniciada há mais de 10 dias, quando os motoristas e cobradores decidiram interromper as atividades para pressionar pela regularização dos pagamentos.

Impacto nas rotas e operação do transporte

Imagem: Mob Ceará/Ramon Barbosa

Redistribuição da frota

A saída da Santa Cecília deixou em aberto a operação de 31 linhas de ônibus e cerca de 45 veículos que integravam a frota da empresa. Para evitar prejuízo aos passageiros, a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) anunciou que a demanda será atendida por veículos de outras operadoras.

Inicialmente, dez ônibus extras foram disponibilizados. Além disso, linhas e tabelas de horários estão sendo reorganizadas para absorver a demanda. Segundo o presidente do Sindiônibus, há ações para realocar veículos que terminam suas rotas em outras linhas, de forma a otimizar a cobertura.

“Estamos reunindo esforços para aumentar a frota e garantir que todas as viagens sejam cumpridas”, explicou Barreira.

Desafios da adaptação

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Embora o reforço emergencial seja uma solução imediata, especialistas alertam que a redistribuição da frota pode gerar atrasos e superlotação, principalmente em horários de pico. O desafio é equilibrar o atendimento sem sobrecarregar as empresas remanescentes.

Contexto do transporte público em Fortaleza

Pressões econômicas no setor

O caso da Santa Cecília reflete um problema mais amplo no transporte coletivo brasileiro: a dificuldade de manter a operação diante de custos crescentes, queda na demanda e desafios contratuais. A pandemia de Covid-19 intensificou a perda de passageiros e, mesmo com a retomada econômica, o fluxo de usuários ainda não retornou ao patamar anterior.

Modelo de concessão sob análise

A saída sucessiva de empresas desde 2012 levanta questionamentos sobre a sustentabilidade do atual modelo de licitação e concessão em Fortaleza. Críticos apontam que é preciso rever o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos e repensar o sistema tarifário para evitar novas crises.

Próximos passos e perspectivas

A curto prazo, a prioridade é garantir que as linhas da Santa Cecília continuem funcionando, mesmo que sob gestão de outras operadoras. Paralelamente, sindicatos e autoridades vão buscar soluções para assegurar o pagamento dos direitos trabalhistas dos ex-funcionários.

A médio e longo prazo, especialistas defendem que Fortaleza discuta medidas estruturais para evitar que novas empresas abandonem o sistema, como revisão de tarifas, subsídios e investimentos em modernização da frota.

Enquanto isso, passageiros e trabalhadores aguardam por um desfecho que traga estabilidade a um serviço essencial para a mobilidade urbana da capital cearense.

Imagem: Joa Souza/ Shutterstock

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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