Com a entrada em vigor da tarifa de 50% sobre determinados produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, o setor de curtumes soou o alarme. Representado pelo Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), o segmento pediu medidas emergenciais para mitigar os efeitos da decisão americana e preservar sua competitividade no cenário internacional.
Curtumes solicitam negociação e medidas emergenciais para mitigar impacto de tarifa dos EUA
Setor de curtumes solicita apoio do governo para reduzir impactos da sobretaxa de 50% imposta pelos EUA.
A sobretaxa começa a valer nesta quarta-feira (6) e afeta diretamente cadeias produtivas da agroindústria nacional, o que inclui o couro — importante item de exportação do Brasil. Em resposta, o CICB participou de uma reunião com integrantes do governo federal em Brasília, ao lado de representantes de outros setores afetados.
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Encontro com ministros e vice-presidente

Na última segunda-feira (4), o CICB esteve presente em reunião conduzida pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, com participação dos ministros Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária) e Rui Costa (Casa Civil).
Durante o encontro, lideranças do agronegócio expressaram preocupação com os efeitos da medida norte-americana e defenderam a continuidade das negociações diplomáticas com os EUA. O objetivo é tentar reverter a decisão ou, ao menos, restabelecer a tarifa anterior de 10% aplicada aos produtos brasileiros.
CICB propõe medidas para evitar colapso
O CICB foi enfático: sem medidas imediatas, a indústria de curtumes corre sérios riscos de perda de mercado, queda de faturamento e demissões em cadeia. O comunicado da entidade ressalta que, diante da nova taxa de importação, os produtos brasileiros ficam menos competitivos frente aos de outros países.
Entre as sugestões apresentadas ao governo, estão:
- Pagamento imediato dos pedidos de ressarcimento de saldos credores de tributos federais, como PIS/Cofins e IPI, já homologados pela Receita Federal;
- Ampliação do programa Reintegra, com elevação de 3% nas alíquotas para incentivar exportações;
- Criação de linha de financiamento emergencial via BNDES, com juros entre 1% e 4% ao ano, destinada a empresas exportadoras afetadas e seus fornecedores;
- Reativação e aperfeiçoamento do Programa Seguro-Emprego (PSE), como forma de preservar postos de trabalho.
Exportações ameaçadas
A sobretaxa de 50% compromete não apenas o faturamento das empresas de curtumes, mas também toda a cadeia produtiva envolvida, incluindo pecuaristas, transportadores e indústrias de transformação. O couro brasileiro, reconhecido internacionalmente, é um dos principais insumos da indústria automotiva, calçadista e de móveis dos EUA.
Segundo o CICB, medidas como a liberação imediata de créditos tributários e o financiamento emergencial são essenciais para garantir capital de giro e impedir rupturas nas exportações. Além disso, o setor defende que haja previsibilidade e agilidade na compensação de tributos, fator crítico em um cenário de crise cambial e aumento de custos logísticos.
Competitividade em xeque
Para o setor de curtumes, a nova tarifa dos EUA pode significar uma vantagem competitiva injusta para países concorrentes, como Vietnã, México e China, que atualmente exportam para o mercado americano sem encargos semelhantes.
A saber, a manutenção do atual nível tarifário coloca em risco não apenas contratos já firmados, mas também a imagem internacional do Brasil como fornecedor confiável. A falta de reação coordenada pode resultar em perda de participação de mercado que levará anos para ser recuperada.
Governo avalia alternativas
Segundo fontes do setor, o governo federal demonstrou disposição para analisar os pedidos e atuar politicamente junto à Casa Branca para reverter ou mitigar os impactos da decisão tarifária. Ainda não há previsão para novas reuniões, mas o tema deve ser tratado com prioridade nos próximos encontros entre representantes do Ministério da Fazenda e da diplomacia brasileira.
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Além disso, o CICB espera que o governo implemente ações estruturantes, que envolvam políticas de apoio à exportação e revisão de incentivos fiscais, especialmente para segmentos da indústria com alto valor agregado.
Contexto da medida dos EUA

A decisão dos Estados Unidos de elevar tarifas sobre produtos brasileiros está inserida em um contexto político e comercial mais amplo, que envolve disputas bilaterais e medidas de proteção econômica adotadas internamente pelo país norte-americano.
Ainda não está claro se a medida é definitiva ou se poderá ser reavaliada após pressão do setor privado americano, que pode sofrer com o aumento dos preços de matérias-primas como o couro e outros derivados do agronegócio brasileiro.
União entre setores é essencial
Durante a reunião em Brasília, os diferentes segmentos impactados pela nova tarifa destacaram a importância de uma resposta articulada entre governo e iniciativa privada. A expectativa é de que, com ação rápida e coordenada, seja possível minimizar os danos à economia nacional.
“Trata-se de uma medida com efeitos generalizados. Se não houver apoio emergencial, a cadeia de exportação como um todo será impactada, com prejuízos para o Brasil em divisas, empregos e imagem no exterior”, alertou um dos representantes presentes na reunião.
Com informações de: Economia – UOL
