O pesquisador brasileiro Heitor Gouvêa revelou uma brecha de segurança, através da qual o Nubank acabou expondo os dados de seus correntistas na web, sendo que qualquer pessoa poderia consultá-los, através de um “dork” (parâmetro específico de pesquisa) no Google ou no Bing, resgatando informações como nome completo, CPF, agência, número da conta e valor da transferência requisitada.
Dados de correntistas do Nubank estavam disponíveis no Google
Um pesquisador revelou uma brecha de segurança, através da qual dados de correntistas do Nubank estavam disponíveis para consulta no Google.
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Dados de correntistas do Nubank estavam disponíveis no Google
De acordo com o relatório (em detalhes) publicado em seu blog, o problema estava no recurso “Cobrar” do aplicativo da fintech, que permite criar um link compartilhável — inclusive para internautas que não possuem conta no Nubank — contendo um QR Code, o valor requisitado para pagamento e dados bancários para que o devedor consiga lhe transferir a quantia devida. Esse link pode ser compartilhado em mensageiros ou redes sociais.


Enfim, cada página de cobrança gerada através deste método possui uma URL única, e ao usar uma dork nos motores de busca, Heitor descobriu que elas estavam sendo indexadas pelos próprios. Basta clicar nos endereços para visualizar a página contendo as informações bancárias do correntista — dados que podem ser empregados para a aplicação de golpes direcionados e altamente customizados.

Para provar a gravidade da situação, o pesquisador criou um script para listar todas as URLs que foram disponibilizadas no Google e no Bing. Posteriormente, ele desenvolveu um outro código para extrair as informações bancárias em um formato de fácil leitura. O resultado: uma lista com mais de 100 nomes, CPFs, agência, conta e valor da transferência estavam na mão do especialista.

Posicionamento do Nubank
O Nubank foi notificado pelo Heitor antes da publicação do report em seu blog, e o pesquisador garante que a companhia “se posicionou de forma ética e transparente, demonstrando atenção e comprometimento”.
O site The Hack, que publicou originalmente essa matéria, entrou em contato com a assessoria de imprensa do Nubank, e recebeu o seguinte posicionamento oficial:
O Nubank informa que busca sempre melhorar seus serviços e por isso possui um time dedicado de especialistas em segurança que monitora constantemente seus sistemas. Este time avaliou o relatório produzido sobre a função cobrar, que permite realizar transferências na conta digital, e constatou que os links listados pelo Google tinham origem em outros websites indexados na Internet. Para melhorar esse controle, foram feitas algumas modificações na aplicação e solicitado o bloqueio deste tipo de resultado a partir do Google, solucionando a questão.
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A empresa lembra que as URLs para transferências para a conta do Nubank disponibilizadas por esta função são geradas exclusivamente pelo cliente em seu aplicativo. Os dados contidos em cada URL são necessários para que a transação seja executada tanto por outros clientes do Nubank quanto por pessoas que não possuam o aplicativo instalado em seus dispositivos e que, portanto, terão de utilizar outros métodos como DOCs ou TEDs. Assim, o cliente pode definir como e com quem compartilhará cada URL gerada.
Além disso, o Nubank reforça que a segurança é uma prioridade e que toma todas as precauções necessárias para manter a integridade das contas de seus clientes e para que nenhuma informação confidencial seja colocada em risco.
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Fonte: Heitor Gouvêa, The Hack
Imagem: Julio Ricco via shutterstock
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