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Calendário econômico destaca Copom, IPCA e inflação dos EUA nos próximos dias

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 10 min de leitura
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A semana de 10 a 14 de agosto concentra indicadores capazes de alterar as expectativas para os juros, a inflação e o desempenho dos mercados no Brasil e no exterior. No cenário doméstico, os principais eventos são a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho, ambos previstos para terça-feira (11).

O mercado também acompanha os novos números do Boletim Focus, enquanto investidores internacionais aguardam os dados de inflação dos Estados Unidos. O Consumer Price Index (CPI), equivalente ao índice de preços ao consumidor americano, será divulgado na quarta-feira (12), seguido pelo Producer Price Index (PPI), indicador de preços ao produtor, na quinta-feira (13).

A combinação desses dados pode influenciar as apostas para os próximos movimentos do Banco Central do Brasil e do Federal Reserve, além de afetar juros futuros, câmbio e bolsa.

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IPCA
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A agenda ganhou relevância depois de o Copom reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano, na reunião realizada em 4 e 5 de agosto. Foi a terceira redução consecutiva da taxa básica de juros em 2026.

Agora, a ata da reunião poderá mostrar com mais detalhes quais fatores foram considerados pelos diretores do Banco Central para tomar a decisão e, principalmente, quais condições podem determinar os próximos passos da política monetária.

O documento não necessariamente indica uma nova redução da Selic. A interpretação dependerá da avaliação do Copom sobre inflação, atividade econômica, expectativas, mercado de trabalho e ambiente externo.

Ao mesmo tempo, a divulgação do IPCA de julho permitirá verificar se a desaceleração observada em junho ganhou continuidade.

O que já se sabe sobre a inflação brasileira

O dado mais recente disponível do IPCA é o de junho. Naquele mês, o índice subiu 0,16%, depois de avançar 0,58% em maio. Com o resultado, a inflação acumulada em 2026 chegou a 3,36%, enquanto o acumulado em 12 meses ficou em 4,64%.

A composição do índice também trouxe sinais diferentes entre os grupos. Habitação teve alta de 0,63% e foi responsável pelo maior impacto positivo no mês. Já Alimentação e bebidas recuou 0,24%, ajudando a limitar o avanço do índice geral.

O resultado de julho será relevante porque ajudará a mostrar se a inflação continua perdendo força ou se determinados preços voltaram a pressionar o índice.

O calendário oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) prevê a divulgação do IPCA de julho para 11 de agosto, às 9h. Portanto, até a publicação desta atualização, o número fechado do mês ainda não estava disponível.

O que o IPCA pode mudar nas expectativas

Um resultado abaixo das projeções tende a reforçar a percepção de continuidade do processo de desinflação. Já uma inflação mais elevada ou uma composição considerada desfavorável pode aumentar a cautela dos agentes financeiros em relação ao ritmo de novos cortes da Selic.

Isso acontece porque o Banco Central não observa apenas a variação mensal do índice. A autoridade monetária também acompanha medidas de inflação subjacente, expectativas futuras, atividade econômica e outros indicadores para avaliar se a trajetória dos preços está convergindo para a meta.

Mercado já reduziu projeção para a Selic em 2026

Antes mesmo da reunião de agosto, o mercado vinha revisando para baixo suas estimativas para os juros.

No Boletim Focus divulgado em 3 de agosto, a mediana das projeções para a Selic no fim de 2026 caiu de 14% para 13,75% ao ano. Para 2027, a previsão estava em 12%, enquanto para 2028 permanecia em 10,50%.

A expectativa para o IPCA de 2026 também recuou. Naquele levantamento, a projeção passou de 5,12% para 5,03%, marcando a quinta semana consecutiva de redução. Para 2027, a estimativa estava em 4,22%.

O câmbio também aparece no radar. A previsão do mercado para o dólar no fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20 no levantamento de 3 de agosto.

O novo Focus divulgado em 10 de agosto é outro indicador importante para esta semana, pois incorpora as expectativas mais recentes dos economistas após a decisão do Copom.

Ata do Copom deve indicar o caminho dos próximos juros

A ata da 280ª reunião do Copom será publicada na terça-feira, às 8h. O documento detalha os argumentos utilizados pelos integrantes do comitê para definir a taxa Selic.

Na decisão de agosto, o Banco Central destacou a necessidade de cautela diante do cenário econômico. A autoridade também avaliou que o período prolongado de juros elevados já vinha produzindo efeitos sobre a atividade econômica, abrindo espaço para ajustes na política monetária.

A ata será observada especialmente em busca de sinais sobre o ritmo e a extensão do processo de redução da Selic.

Para o consumidor, uma queda dos juros pode reduzir gradualmente o custo de empréstimos e financiamentos. O efeito, porém, não é imediato e varia conforme o tipo de crédito, o risco do tomador e as condições praticadas pelas instituições financeiras.

Para investidores, a trajetória dos juros influencia diretamente a atratividade de aplicações de renda fixa e também interfere na precificação de ações e outros ativos.

Inflação dos Estados Unidos também entra no radar

Nos Estados Unidos, a quarta-feira (12) será marcada pela divulgação do CPI de julho, incluindo o núcleo da inflação. O indicador é acompanhado de perto porque ajuda a medir a pressão sobre os preços e pode influenciar as decisões do Federal Reserve, o banco central americano.

Na quinta-feira (13), será a vez do PPI de julho. O indicador mede a variação dos preços recebidos pelos produtores e pode oferecer pistas sobre possíveis pressões de custos ao longo da cadeia produtiva.

Os dados americanos têm impacto que ultrapassa as fronteiras dos Estados Unidos. Mudanças nas expectativas para os juros americanos podem alterar o fluxo de recursos internacionais, afetando moedas, bolsas e taxas de juros em outros países, inclusive o Brasil.

Agenda econômica: o que acompanhar de 10 a 14 de agosto

Além dos grandes indicadores de inflação e juros, a semana reúne uma série de dados sobre atividade econômica.

Segunda-feira, 10

No Brasil, estão previstos o IPC-S da primeira quadrissemana de agosto, divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), e o Boletim Focus do Banco Central.

Nos Estados Unidos, sai o Índice de Tendência de Emprego do Conference Board.

Terça-feira, 11

O dia concentra os principais eventos domésticos da semana:

  • ata da reunião do Copom;
  • IPCA de julho;
  • Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi);
  • estatísticas de Valores a Receber do Banco Central.

Nos Estados Unidos, também serão divulgados dados de emprego, vendas de casas usadas e a perspectiva energética de curto prazo da Administração de Informação de Energia (EIA).

Quarta-feira, 12

O destaque internacional será o CPI americano de julho e seu núcleo.

No Brasil, o IBGE divulga os dados do setor de serviços referentes a junho, enquanto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresenta os Indicadores Industriais do mesmo mês. O Banco Central também divulga o fluxo cambial semanal.

Quinta-feira, 13

A agenda brasileira terá as vendas no varejo de junho, o Icomex de julho, o levantamento da safra agrícola e o Índice de Confiança do Empresário Industrial.

No exterior, o principal destaque será o PPI dos Estados Unidos, acompanhado dos pedidos iniciais de seguro-desemprego.

Sexta-feira, 14

A semana termina com a Sondagem do Mercado de Trabalho da FGV e a divulgação da taxa de desocupação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), referente ao trimestre encerrado em julho.

Nos Estados Unidos, serão conhecidos os dados de vendas no varejo e a pesquisa de confiança do consumidor da Universidade de Michigan, incluindo as expectativas de inflação.

O que pode mexer com bolsa, dólar e juros

Os indicadores desta semana funcionam como peças de um mesmo cenário.

No Brasil, uma inflação mais comportada combinada com sinais de desaceleração da atividade pode fortalecer as apostas de continuidade dos cortes da Selic. Por outro lado, uma inflação persistente ou uma atividade mais forte do que o esperado pode levar o mercado a recalibrar essas expectativas.

Nos Estados Unidos, o comportamento do CPI e do PPI pode alterar as apostas sobre a política monetária do Federal Reserve. Como os juros americanos têm influência sobre o fluxo global de capitais, uma mudança relevante nas expectativas pode repercutir também sobre o real e os ativos brasileiros.

O dólar é particularmente sensível a esse movimento. Quando os investidores passam a esperar juros americanos mais altos por mais tempo, ativos considerados mais seguros podem ganhar atratividade, afetando moedas de países emergentes.

O que o consumidor deve observar

A agenda econômica não afeta apenas investidores. Os juros e a inflação têm impacto direto sobre o orçamento das famílias.

A inflação interfere no poder de compra, enquanto a Selic influencia o custo do crédito e a remuneração de diversas aplicações financeiras. Por isso, mudanças nas expectativas podem chegar ao consumidor por diferentes canais, ainda que não ocorram imediatamente.

Para quem pretende contratar financiamento, renegociar dívidas ou tomar crédito, o cenário de juros merece atenção. Já quem mantém dinheiro aplicado deve considerar que diferentes investimentos respondem de maneiras distintas às mudanças na taxa básica.

Não é possível afirmar, apenas com um indicador isolado, qual será o próximo movimento do Banco Central. A decisão dependerá do conjunto de dados disponíveis até a próxima reunião.

O que esperar nos próximos dias

IPCA
Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

A terça-feira será o principal ponto de atenção no Brasil, com a divulgação simultânea do IPCA de julho e da ata do Copom. Os dois dados poderão ajudar o mercado a avaliar se a recente redução da Selic tende a ser seguida por novos cortes.

Na quarta e na quinta-feira, a atenção se desloca para os Estados Unidos, com CPI e PPI. Esses números serão importantes para atualizar as expectativas sobre os juros americanos e, consequentemente, sobre o comportamento dos mercados globais.

Até que os dados sejam divulgados, qualquer projeção sobre os próximos passos dos bancos centrais deve ser tratada como expectativa, e não como decisão tomada.

Conclusão

A semana será decisiva para atualizar as expectativas sobre a economia brasileira e os mercados globais. O IPCA de julho e a ata do Copom devem oferecer novas pistas sobre o ritmo dos cortes da Selic, enquanto os dados de inflação dos Estados Unidos podem influenciar o cenário internacional. Para consumidores e investidores, acompanhar esses indicadores ajuda a entender os possíveis efeitos sobre juros, crédito, investimentos e poder de compra nos próximos meses.

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