O CEO do Nubank, David Vélez, voltou a se posicionar publicamente sobre temas que têm gerado grande repercussão nos últimos meses: a tributação das fintechs no Brasil, a obtenção de uma licença bancária e os planos de expansão internacional da companhia.
Nubank pode comprar banco ou solicitar licença bancária em 2026 para manter o nome e operar como banco
O CEO do Nubank rebate críticas sobre tributação e comenta licença bancária, além de detalhar a expansão internacional do banco digital.
Em entrevista recente, Vélez destacou que o Nubank vem cumprindo suas obrigações fiscais e que a instituição financeira pagou mais impostos em 2025 do que qualquer outro banco brasileiro, totalizando R$ 8,2 bilhões com uma taxa efetiva de 32%, muito acima da média de 12% dos bancos tradicionais.
O executivo ainda abordou a discussão sobre a possível elevação da tributação de fintechs, afirmando que tal medida aumentaria ainda mais a carga tributária da empresa e que a análise correta deveria ser sobre a taxa efetiva paga, e não apenas a nominal.
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Tributação e modelo de negócios do Nubank
Pagamento de impostos e carga tributária
David Vélez foi enfático ao esclarecer que o Nubank, em comparação com bancos tradicionais, já contribui significativamente com o país:
- R$ 8,2 bilhões pagos em 2025;
- Taxa efetiva de 32%, enquanto bancos tradicionais operam com média de 12%;
- Defendeu que a discussão pública deve se basear no que é efetivamente pago, não em hipóteses sobre taxas nominais.
Segundo Vélez, uma taxa efetiva mínima de 17,5% para todas as instituições financeiras seria uma solução mais justa, evitando distorções tributárias que favorecem grandes bancos históricos com décadas de operação e mecanismos de abatimento.
Debate sobre CSLL e impacto de elevação tributária
O executivo destacou que a discussão sobre Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) para fintechs poderia aumentar ainda mais a carga da instituição:
- Fintechs pagam atualmente 15% de CSLL;
- Bancos tradicionais, 20%;
- Vélez propõe igualdade de tratamento, considerando a taxa efetiva como critério principal.
O CEO reforçou que a fintech não tem histórico de décadas que permita aproveitar deduções complexas, sendo a taxa efetiva mais alta justamente por sua transparência e contribuição real ao sistema tributário brasileiro.
Licença bancária e aquisição de banco no Brasil
Exigência do Banco Central
Com a nova resolução do Banco Central (BC), qualquer instituição que tenha “banco” no nome precisa possuir uma licença bancária formal.
David Vélez anunciou que o Nubank buscará a obtenção da licença, podendo:
- Adquirir um banco existente;
- Solicitar a licença do zero.
Essa medida visa atender à regulamentação e possibilitar que o Nubank continue expandindo suas operações no país de forma plena e regularizada.
Possibilidades estratégicas
Além de cumprir as normas do BC, a aquisição de uma licença bancária poderia oferecer vantagens adicionais:
- Crédito tributário em potencial;
- Maior flexibilidade operacional;
- Fortalecimento da marca e confiança junto ao público.
Vélez afirmou que a companhia considerará licenças menores, adequadas às necessidades estratégicas do Nubank e alinhadas com a expansão planejada.
Expansão internacional do Nubank
Crescimento no México e Colômbia
O Nubank tem investido fortemente na expansão internacional:
- México: 28% da população adulta é cliente; crescimento mais rápido que o Brasil; mais de 14 milhões de clientes;
- Colômbia: crescimento ainda mais acelerado que o México; replicação bem-sucedida do modelo brasileiro.
O banco digital segue a tese de que serviços financeiros globais serão dominados por bancos digitais, aproveitando a transformação tecnológica que outras indústrias já vivenciaram, como mídia, transporte e varejo.
Entrada nos Estados Unidos
David Vélez vê os Estados Unidos como um mercado estratégico, representando 50% do sistema financeiro global:
- Mercados como Texas superam o Brasil em PIB;
- Licença bancária solicitada para operar legalmente no país;
- Expectativa de longo prazo: expansão gradual em várias regiões.
O objetivo é replicar o modelo de eficiência e atendimento digital, consolidando o Nubank como uma instituição global de serviços financeiros.
Inovação e modelo de trabalho do Nubank
Home office e ambiente híbrido
O Nubank enfrentou debates sobre a política de home office:
- A empresa optou por modelo híbrido;
- Dois dias de trabalho remoto em 2026 e três dias presenciais;
- Colaboração e inovação dependem de interação física para desenvolvimento de produtos.
Segundo Vélez, embora a distribuição digital seja central, a criatividade e a inovação exigem presença física em reuniões estratégicas, especialmente no desenvolvimento de novos produtos financeiros.
Foco no cliente e produtos acessíveis
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O Nubank prioriza eficiência operacional e redução de custos para clientes, oferecendo:
- Empréstimos com taxas competitivas;
- Ausência de tarifas em serviços básicos;
- Crescimento baseado em tecnologia, não em agências físicas;
- Carteira de crédito sem colateral, com taxas ajustadas a cada perfil.
Essa abordagem contribuiu para uma rápida bancarização no Brasil, levando milhões de pessoas anteriormente fora do sistema financeiro a acessar serviços bancários de forma digital.
Contribuição para a bancarização e inclusão financeira
Avanços do Nubank no Brasil
Nos últimos cinco anos, o Nubank expandiu sua base de clientes de 30 milhões para quase 130 milhões, transformando a bancarização de maneira inédita:
- Inclusão de mais de 100 milhões de pessoas no sistema financeiro;
- Redução do número de clientes sem acesso a crédito e serviços bancários;
- Melhoria da concorrência e estímulo à inovação no setor.
Benefícios para consumidores
Com a digitalização, os clientes passam a contar com:
- Menores taxas de juros comparadas aos bancos tradicionais;
- Produtos financeiros transparentes e sem tarifas ocultas;
- Experiência simplificada, com acesso a serviços via aplicativo;
- Maior controle e segurança em transações financeiras.
Percepção de taxas de juros e superendividamento
Comparação com bancos tradicionais
David Vélez enfatizou que comparações de taxas de juros devem considerar o tipo de crédito:
- Bancos tradicionais oferecem produtos com subsídios do governo, como consignados;
- Nubank oferece crédito sem colateral, exigindo análise de risco individual;
- Taxas aparentemente mais altas refletem perfil de risco e modelo de negócio digital.
Eficiência do modelo digital
O modelo do Nubank permite:
- Cobrar menos dos clientes, mesmo oferecendo crédito sem garantias;
- Crescer rapidamente em número de clientes;
- Manter alta satisfação do usuário, medido por métricas de NPS e qualidade do serviço;
- Contribuir para a inclusão financeira com eficiência.
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Imagem: Divulgação / Nubank
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