O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode terminar com o maior déficit nominal das contas públicas brasileiras em mais de duas décadas. Projeções de economistas apontam que o indicador poderá alcançar 8,6% do Produto Interno Bruto (PIB) ao fim do mandato, refletindo a combinação entre aumento das despesas, juros elevados e crescimento da dívida pública.
Déficit que inclui juros da dívida pode bater recorde de mais de 20 anos
Projeções indicam que o déficit nominal pode encerrar o mandato de Lula em patamar histórico. Entenda os impactos na dívida e na economia.
Os números reacenderam o debate sobre a sustentabilidade fiscal do país e os efeitos que o desequilíbrio das contas públicas pode provocar na inflação, nos juros e no crescimento econômico nos próximos anos.
Neste artigo, entenda o que é o déficit nominal, por que ele está crescendo, quais são os riscos apontados por especialistas e o que pode acontecer com a economia brasileira.
Leia mais:
Juros futuros indicam 80% de chance de corte de 0,25 ponto na Selic
O que é o déficit nominal e por que ele preocupa

O déficit nominal mede a diferença entre todas as receitas e despesas do governo, incluindo os gastos com juros da dívida pública.
Quando o governo gasta mais do que arrecada e ainda precisa pagar juros elevados, o resultado é negativo. Quanto maior esse déficit, maior tende a ser a necessidade de financiamento por meio da emissão de títulos públicos e do aumento do endividamento.
Dados divulgados pelo Banco Central mostram que o déficit nominal acumulado em 12 meses até junho chegou a 9,99% do PIB, um dos maiores níveis registrados desde o início dos anos 2000.
O indicador é considerado uma das principais referências para avaliar a saúde financeira do país, porque reúne não apenas os gastos correntes, mas também o custo do endividamento público.
Como as contas públicas evoluíram nos últimos governos
O desempenho fiscal do Brasil variou significativamente nas últimas décadas.
Durante o primeiro mandato de Lula, entre 2003 e 2006, o país registrou déficits menores, impulsionados pelo crescimento econômico e pelo aumento da arrecadação.
Nos anos seguintes, principalmente a partir da recessão iniciada em 2014, as contas públicas passaram a apresentar deterioração mais intensa. Os governos Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro enfrentaram períodos marcados por déficits elevados, pressionados por crises econômicas, programas emergenciais e aumento dos gastos públicos.
Agora, especialistas avaliam que o terceiro mandato de Lula pode encerrar com um déficit nominal médio superior ao observado nos governos anteriores.
Dívida pública ultrapassa R$ 10 trilhões
O aumento do déficit tem impacto direto sobre a dívida pública brasileira.
Segundo dados oficiais, a dívida bruta do setor público atingiu R$ 10,8 trilhões em junho, equivalente a 81,9% do PIB. Um mês antes, o índice estava em 81,1%.
A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal, projeta que a dívida encerre o ano em 82,5% do PIB.
As estimativas são ainda mais preocupantes para a próxima década. De acordo com a instituição, a dívida poderá alcançar 100% do PIB em 2032 e chegar a 115% em 2036 caso não haja mudanças significativas na política fiscal.
Por que o déficit continua aumentando
Economistas apontam três fatores principais para explicar a deterioração das contas públicas:
- crescimento acelerado das despesas governamentais;
- juros elevados;
- sucessivos déficits primários.
O déficit primário considera apenas receitas e despesas, sem incluir os juros da dívida. Quando ele se repete por vários anos, a tendência é que o endividamento avance.
Segundo análises econômicas, os gastos públicos cresceram acima da inflação no primeiro semestre, enquanto o alto patamar da taxa Selic aumentou o custo do financiamento da dívida.
Além disso, pagamentos extraordinários, como a antecipação de precatórios — dívidas judiciais da União —, contribuíram para elevar temporariamente o déficit nominal em 2026.
O que pode acontecer se a trajetória fiscal continuar
Especialistas alertam que a continuidade desse cenário pode gerar impactos em diferentes áreas da economia.
Juros elevados por mais tempo
Quando investidores percebem maior risco fiscal, tendem a exigir juros mais altos para financiar a dívida pública.
Na prática, isso pode dificultar a redução da taxa básica de juros e encarecer empréstimos, financiamentos imobiliários e crédito para empresas.
Pressão sobre a inflação
O desequilíbrio fiscal também pode aumentar as expectativas de inflação.
Com maior incerteza sobre a capacidade do governo de controlar os gastos, o mercado costuma revisar projeções econômicas, pressionando preços e afetando o poder de compra da população.
Redução dos investimentos
Juros altos e incertezas fiscais costumam desestimular investimentos privados.
Empresas tendem a adiar projetos de expansão, enquanto investidores buscam aplicações consideradas mais seguras.
Crescimento econômico mais lento
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
O aumento da dívida pública pode limitar a capacidade do governo de investir em infraestrutura, educação e programas sociais, afetando o crescimento econômico no longo prazo.
Especialistas defendem medidas de ajuste fiscal
Economistas consultados por diferentes veículos apontam que será necessário discutir medidas capazes de reduzir o ritmo de crescimento das despesas públicas.
Entre as alternativas frequentemente citadas estão:
- revisão de gastos obrigatórios;
- reformas administrativas;
- aumento da eficiência do setor público;
- ampliação da arrecadação;
- criação de mecanismos de controle fiscal.
O debate sobre possíveis soluções envolve diferentes correntes econômicas e tende a ganhar força nos próximos anos, especialmente diante das projeções para a dívida pública.
O que muda para a população
Embora os números fiscais pareçam distantes do cotidiano, seus efeitos podem chegar ao bolso dos brasileiros.
Entre os impactos possíveis estão:
- crédito mais caro;
- juros elevados por mais tempo;
- menor ritmo de crescimento da economia;
- redução da capacidade de investimento do Estado;
- aumento da inflação.
Por outro lado, especialistas ressaltam que a evolução das contas públicas depende de fatores como crescimento econômico, arrecadação, política monetária e decisões do governo nos próximos anos.
O que observar daqui para frente

Os próximos anos serão decisivos para a trajetória fiscal brasileira.
Investidores, economistas e órgãos de controle acompanham principalmente:
- a evolução da dívida pública;
- o comportamento dos juros;
- o desempenho da economia;
- eventuais reformas fiscais;
- a capacidade do governo de gerar superávits primários.
A forma como esses fatores evoluírem determinará se o país conseguirá estabilizar a dívida ou se enfrentará novos desafios fiscais ao longo da próxima década.
Conclusão
O avanço do déficit nominal e o crescimento da dívida pública colocam as contas do governo no centro do debate econômico brasileiro. Especialistas apontam que, sem medidas capazes de equilibrar receitas e despesas, o país poderá enfrentar desafios ainda maiores nos próximos anos, com impactos sobre juros, inflação e investimentos. A evolução desse cenário dependerá das decisões fiscais adotadas e da capacidade da economia de sustentar o crescimento no longo prazo.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
