Durante o debate sobre o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda, a deputada Júlia Zanatta (PL-SC) apresentou um projeto que propõe eliminar totalmente a cobrança do tributo no Brasil. A proposta abrange tanto pessoas físicas quanto jurídicas, prevendo a extinção do Imposto de Renda no país. Se aprovado, o Brasil deixaria de cobrar uma das principais fontes de arrecadação federal. A proposta é considerada ousada e polêmica, mas, na visão da deputada, pode devolver liberdade financeira ao cidadão.
Imposto de Renda pode acabar! Deputada apresenta proposta surpreendente
Deputada Júlia Zanatta propõe extinção total do Imposto de Renda no Brasil, abrangendo pessoas físicas e jurídicas e promovendo liberdade financeira.
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O que diz o projeto de lei

O Projeto de Lei nº 4329/2025 é direto e detalhado. No artigo 1º, declara extinta a tributação sobre a renda no Brasil e proíbe a cobrança de qualquer imposto dessa natureza, abrangendo o Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) e o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ).
O artigo 2º revoga leis que regulamentam a cobrança, como a Lei nº 7.713/1988 e a Lei nº 9.430/1996. Já o artigo 3º determina que a medida entrará em vigor 180 dias após a publicação. Segundo Zanatta, a mudança tem caráter urgente, pois o imposto limita o direito do indivíduo de usufruir plenamente do fruto do próprio trabalho.
Raízes históricas do imposto
O projeto inclui um histórico do tributo. O imposto de renda surgiu no Reino Unido no século XVIII como medida temporária para financiar os gastos das Guerras Napoleônicas. Com o tempo, foi mantido e passou a desempenhar diferentes funções nos sistemas fiscais modernos.
O texto também cita Karl Marx e Friedrich Engels, que, em 1848, no Manifesto Comunista, defenderam um imposto progressivo como medida necessária para implantar o comunismo em um país. Para a deputada, esse histórico mostra como o tributo se consolidou como instrumento de controle estatal sobre os cidadãos.
No Brasil, o imposto de renda foi instituído pela primeira vez em 1922, formalizado pela Lei nº 4.625, tornando-se desde então uma fonte central de recursos para o governo.
Críticas ao modelo atual
A deputada argumenta que o imposto de renda funciona como um mecanismo de espoliação. O cidadão não apenas entrega parte da renda, como também deve declarar todos os detalhes de seus rendimentos. Em caso de erro ou omissão, está sujeito a multas pesadas e até sanções criminais.
Outro ponto levantado é a falta de retorno para a sociedade. O Brasil ocupa o 117º lugar no ranking mundial de liberdade econômica de 2025 e, no exame internacional do PISA, ficou na 44ª posição entre 56 países. Apesar de ser a 9ª maior economia do mundo em PIB anual, não figura entre os países com maior PIB per capita nem com melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
Relação com a reforma tributária

O projeto critica a Reforma Tributária aprovada em 2024, que criou o Imposto sobre Valor Adicionado (IVA), unificando tributos federais e estaduais. A alíquota projetada para o Brasil é de 28,55%, a maior do mundo, superando a Hungria, que lidera com 27%.
Segundo Zanatta, esse cenário evidencia a tendência de aumento da carga tributária. O fim do imposto de renda seria, na visão da deputada, um contrapeso a esse avanço, abrindo espaço para um modelo mais simples e menos invasivo.
Liberdade individual e curva de Laffer
O projeto defende a extinção do imposto com base em argumentos econômicos. A deputada menciona a Curva de Laffer, teoria que descreve a relação entre carga tributária e arrecadação, mostrando que, além de certo ponto, o aumento de impostos reduz a produção e incentiva a informalidade, diminuindo a receita do Estado.
Embora a teoria não defenda a extinção de tributos, ela serve para fundamentar que tributar diretamente a renda penaliza quem gera riqueza e inibe o dinamismo econômico. A proposta sugere que a riqueza circule livremente, com arrecadação sustentada por tributos menos invasivos e ligados à atividade econômica real.
Impactos possíveis e debate político
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Se aprovado, o projeto teria impactos profundos nas contas públicas. O imposto de renda é responsável por uma parte significativa da arrecadação federal. Sua extinção exigiria novas fontes de receita ou cortes drásticos nos gastos públicos.
Críticos alertam para riscos de desequilíbrio fiscal. Sem o imposto de renda, programas sociais, investimentos em saúde e educação e até o funcionamento da máquina pública poderiam ser comprometidos.
Reações e perspectivas
A proposta gerou intenso debate político. Partidos liberais e defensores de políticas de desburocratização apoiam a ideia, defendendo liberdade financeira e estímulo à economia. Já especialistas em finanças públicas alertam para a necessidade de planejamento rigoroso para evitar déficit e impactos negativos sobre serviços essenciais.
Alternativas para manter a arrecadação

Entre as alternativas sugeridas, destacam-se:
- Ampliação de impostos sobre consumo e serviços de luxo, menos invasivos que tributar diretamente a renda.
- Incentivo à formalização e redução da evasão fiscal por meio de tecnologia e fiscalização eficiente.
- Revisão de gastos públicos, promovendo eficiência e cortes em áreas de baixa prioridade.
Conclusão
O projeto de lei de Júlia Zanatta é um marco no debate sobre tributação no Brasil. Ele propõe não apenas extinguir o imposto de renda, mas questionar a forma como o Estado arrecada e distribui recursos. A medida tem potencial de transformar a economia e a vida financeira dos cidadãos, mas levanta preocupações sobre sustentabilidade fiscal e manutenção de políticas públicas. O país aguarda a tramitação e o posicionamento do Congresso, que terá papel decisivo na decisão sobre essa proposta histórica.
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