A divulgação do PIB brasileiro do 2º trimestre de 2025, marcada para esta terça-feira (2), deve confirmar uma desaceleração em relação ao início do ano. Juros elevados e incertezas globais, como as tarifas impostas pelos Estados Unidos, já refletem na atividade econômica.
PIB desacelera no 2º trimestre; veja fatores que afetaram a economia
PIB brasileiro do 2º trimestre de 2025 deve desacelerar com impacto de juros altos, agropecuária e indústria mais fracas, apontam economistas e bancos.
As projeções indicam crescimento de 0,3% em relação ao trimestre anterior e 2,1% sobre o mesmo período de 2024, após alta de 1,4% no 1º trimestre, segundo ASA Investimentos e Banco Pine. O Daycoval estima avanço de 0,5% trimestral e 2,4% anual.
Para Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa do Banco Pine, o crescimento de 2025 deve se concentrar no primeiro semestre, limitado pelo cenário financeiro restritivo e pela instabilidade externa.
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Impactos no setor industrial e varejista

O Banco Daycoval destaca que a indústria da transformação enfrenta riscos de baixa, refletindo atividade mais fraca, enquanto o varejo deve sofrer efeitos negativos sobre o consumo das famílias. Entre os riscos de alta, o setor automotivo apresenta potencial de resiliência, e a safra agrícola ainda pode influenciar positivamente transportes e logística.
Produção industrial em desaceleração
Segundo Leonardo Costa, economista da ASA, os dados setoriais do IBGE apontam para desaceleração industrial. Em junho, a produção industrial subiu apenas 0,1% na comparação com maio e caiu 1,3% em relação a junho de 2024. Estes resultados ficaram abaixo das projeções, que apontavam 0,4% na base mensal e 0,6% na anual.
Indicadores antecedentes, como volume de serviços, produção e índices de confiança, reforçam a expectativa de trajetória mais moderada da economia brasileira, avalia Cristiano Oliveira.
Agropecuária perde fôlego no 2º trimestre
No setor agropecuário, que impulsionou o crescimento no 1º trimestre devido à supersafra de 2025, espera-se redução do ritmo de expansão. O Banco Pine projeta retração de 1,7% no trimestre, após alta de 12,2% no período anterior. De acordo com o Departamento de Pesquisa Econômica do Daycoval, os números ainda serão positivos, mas com viés de desaceleração, refletindo a sazonalidade típica do setor.
Formação bruta de capital fixo recua

Sob a ótica da demanda, destaca-se o recuo esperado na formação bruta de capital fixo. O Banco Pine projeta queda de 2,3% no trimestre, interrompendo seis trimestres consecutivos de expansão. A alta taxa de juros real e as incertezas globais têm desestimulado investimentos, segundo Oliveira.
O consumo das famílias, especialmente de bens sensíveis ao crédito, deve continuar em crescimento moderado, estimado em 0,3%, enquanto o governo mantém gastos também discretos. As importações recuam 1,8% e as exportações avançam 0,7%, segundo projeções do Pine.
Perspectivas para o restante de 2025
Se as estimativas se confirmarem, o carregamento estatístico para o restante do ano será de 2,4%. Para o terceiro trimestre, o Banco Pine projeta crescimento de 0,1% em relação ao 2º trimestre, com fechamento gradual do hiato do produto devido à política monetária restritiva.
“Entre o 3º e 4º trimestre de 2026, o hiato deve se aproximar da neutralidade sem provocar retração severa da economia brasileira”, acrescenta Oliveira. O Banco Daycoval projeta crescimento de 0,1% no 3º trimestre e recuo de 0,1% no 4º trimestre, resultando em alta anual de 2,2% em 2025 e 1,9% em 2026.
As projeções de desaceleração do PIB abrem espaço para que o Comitê de Política Monetária (Copom) considere iniciar o ciclo de corte de juros ainda no último trimestre de 2025, conforme avaliação de economistas.
Setores que impulsionam e freiam o crescimento
Setor automotivo
Apesar do cenário geral mais fraco, a indústria automotiva apresenta sinais de resistência. Investimentos e vendas internas podem apoiar parcialmente a produção industrial, mantendo o setor relevante na composição do PIB.
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Transporte e logística
O transporte e a logística ainda se beneficiam dos efeitos indiretos da safra agrícola, embora essa influência seja mais limitada do que no primeiro trimestre.
Serviços e comércio
O setor de serviços acompanha a trajetória mais lenta da indústria e do varejo, refletindo menor confiança do consumidor e impacto das taxas de juros elevadas.
Agropecuária
O desempenho do agro, embora menor do que no 1º trimestre, continua sendo um componente positivo, com destaque para culturas sazonais que influenciam exportações e produção de alimentos.
Cenário externo e incertezas globais

As tensões comerciais internacionais, especialmente envolvendo os Estados Unidos, contribuem para o clima de incerteza, afetando decisões de investimento e exportações brasileiras. Economistas reforçam que a conjuntura global é fator-chave para a manutenção do ritmo de crescimento doméstico.
Considerações finais
O PIB do 2º trimestre de 2025 deve confirmar uma trajetória mais moderada de crescimento para o Brasil, com destaque para a desaceleração industrial, recuo nos investimentos e impacto limitado do setor agropecuário. A expectativa de continuidade da política monetária restritiva e incertezas globais sugerem que a economia brasileira enfrentará desafios para sustentar o ritmo de expansão observado no início do ano.
