A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4% no segundo trimestre de 2026, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (14).
O resultado representa uma queda de 0,7 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre, quando a taxa estava em 6,1%. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, quando o indicador era de 5,8%, houve recuo de 0,4 ponto percentual.
Esse foi o menor resultado para um segundo trimestre desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012. Apesar da melhora, os dados mostram que ainda existem diferenças expressivas entre os estados e que milhões de brasileiros continuam enfrentando dificuldades para encontrar trabalho.
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O que explica a queda do desemprego?

A taxa de desocupação representa a parcela da força de trabalho que está sem emprego, disponível para trabalhar e procurando uma ocupação.
A redução observada no segundo trimestre ocorre após uma alta registrada nos primeiros meses do ano. Entre janeiro e março, a taxa havia chegado a 6,1%, 1 ponto percentual acima do resultado do último trimestre de 2025.
Com a queda para 5,4%, o mercado de trabalho voltou a apresentar um dos níveis mais baixos de desocupação registrados pelo IBGE.
O indicador nacional, porém, não mostra sozinho toda a realidade dos trabalhadores. Para entender o cenário, também é necessário observar a informalidade, os rendimentos, a subutilização da força de trabalho e as diferenças regionais.
Desemprego cai em 13 estados
A melhora do indicador nacional também apareceu em boa parte dos estados. Segundo o IBGE, 13 das 27 unidades da Federação registraram queda na taxa de desocupação em relação ao trimestre anterior.
As maiores reduções ocorreram no:
- Rio Grande do Norte: -1,9 ponto percentual;
- Paraíba: -1,6 ponto;
- Acre: -1,6 ponto;
- Tocantins: -1,5 ponto;
- Alagoas: -1,3 ponto;
- Minas Gerais: -1,2 ponto;
- Mato Grosso do Sul: -1,1 ponto;
- Goiás: -1,0 ponto;
- Rondônia: -1,0 ponto.
Os números mostram que a redução do desemprego não ficou concentrada em apenas uma região do país.
Amapá tem maior taxa de desemprego
Apesar da queda nacional, alguns estados continuam apresentando taxas elevadas.
O Amapá registrou a maior taxa de desocupação do país, com 9,8%. Na sequência aparecem Bahia, com 9,1%, Pernambuco e Piauí, ambos com 8,3%, e Sergipe, com 7,9%.
A diferença é significativa quando comparada aos estados com os menores índices.
Santa Catarina registra menor desemprego
Santa Catarina apresentou a menor taxa de desemprego do país, de 2,1%.
O estado foi seguido por Mato Grosso, com 2,2%, Espírito Santo, com 2,3%, Rondônia, com 2,6%, e Mato Grosso do Sul, com 2,7%.
A diferença entre a maior e a menor taxa estadual chegou a 7,7 pontos percentuais, evidenciando como o mercado de trabalho ainda apresenta realidades muito diferentes dentro do Brasil.
1,1 milhão procuram trabalho há dois anos ou mais
Outro dado chama atenção na pesquisa: mesmo com a taxa nacional em queda, 1,1 milhão de brasileiros estavam procurando emprego havia dois anos ou mais no segundo trimestre.
O número representa uma redução de 15,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando aproximadamente 1,3 milhão de pessoas estavam nessa situação.
Também houve redução entre aqueles que começaram a procurar emprego recentemente.
Cerca de 1,1 milhão de pessoas buscavam uma ocupação havia menos de um mês, número 2,4% inferior ao registrado um ano antes.
A redução desses grupos indica uma melhora no tempo de permanência na busca por uma vaga, mas o contingente de desempregados de longa duração ainda é expressivo.
Subutilização da força de trabalho fica em 12,9%
A taxa de desemprego não considera todas as pessoas que gostariam de trabalhar ou trabalhar mais.
Por isso, o IBGE também acompanha a taxa composta de subutilização da força de trabalho, que inclui pessoas desocupadas, trabalhadores que gostariam de trabalhar mais horas e pessoas que poderiam estar disponíveis para trabalhar, mas não estavam procurando emprego.
No segundo trimestre de 2026, o indicador ficou em 12,9%.
O resultado mostra que, apesar do desemprego estar em um patamar historicamente baixo, uma parcela maior da população ainda enfrenta algum tipo de dificuldade para utilizar plenamente sua força de trabalho.
Piauí tem maior taxa de subutilização
O Piauí apresentou a maior taxa de subutilização do país, com 26,6%.
Na sequência aparecem Bahia, com 24,4%, e Alagoas, com 23,4%.
Santa Catarina novamente aparece na outra ponta, com a menor taxa, de 4,1%. Rondônia registrou 6%, enquanto Mato Grosso ficou em 6,1%.
O que é desalento?
Outro indicador acompanhado pelo IBGE é o desalento.
Ele reúne pessoas que gostariam de trabalhar, mas deixaram de procurar uma ocupação por motivos relacionados à dificuldade de encontrar emprego, entre outras situações consideradas pela metodologia da pesquisa.
Esse grupo não aparece integralmente na taxa tradicional de desemprego porque deixou de procurar trabalho.
No primeiro trimestre de 2026, o percentual de desalentados em relação à força de trabalho ou à força de trabalho potencial era de 2,1%.
Os maiores percentuais estavam no Maranhão, com 9,4%, Alagoas, com 8,1%, e Piauí, com 7%.
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Na outra ponta estavam Santa Catarina, com 0,2%, Espírito Santo, com 0,6%, e Rondônia, com 0,7%.
O que a taxa de 5,4% significa na prática?
A queda do desemprego indica que uma parcela menor da força de trabalho está sem emprego e procurando uma oportunidade.
Para quem está em busca de uma vaga, um mercado com menor taxa de desocupação tende a apresentar condições mais favoráveis para a procura por trabalho.
O resultado também pode refletir maior demanda por trabalhadores em determinados setores.
Isso não significa, porém, que todos os empregos disponíveis sejam formais, tenham salários elevados ou ofereçam as mesmas condições. A taxa de desemprego não mede diretamente a qualidade das ocupações.
Por isso, outros indicadores precisam ser considerados para avaliar de forma mais completa a situação dos trabalhadores.
O desemprego baixo significa que o mercado de trabalho está bem?
O resultado é positivo, mas não significa que todos os problemas tenham sido resolvidos.
Ainda existem 1,1 milhão de pessoas procurando trabalho há pelo menos dois anos, além de milhões de brasileiros classificados em algum nível de subutilização.
As diferenças entre os estados também permanecem bastante grandes. Enquanto Santa Catarina registrou desemprego de 2,1%, o Amapá apresentou taxa de 9,8%.
O cenário, portanto, combina uma taxa nacional historicamente baixa com desigualdades regionais e diferentes níveis de dificuldade de acesso ao mercado de trabalho.
O que pode acontecer nos próximos meses?

Os próximos resultados da PNAD Contínua serão importantes para verificar se a taxa permanecerá próxima dos atuais 5,4% ou se haverá uma nova mudança na trajetória do desemprego.
A pesquisa do IBGE permite acompanhar não apenas a quantidade de pessoas sem trabalho, mas também a evolução da ocupação, da subutilização e de outros indicadores relacionados ao mercado de trabalho.
Para o trabalhador, o resultado aponta para um ambiente nacional de desemprego relativamente baixo, mas as oportunidades continuam variando de acordo com a região, o setor de atividade e o perfil profissional.
Conclusão
A taxa de desemprego caiu para 5,4% no segundo trimestre de 2026, alcançando o menor nível para o período desde o início da série histórica do IBGE.
A melhora foi acompanhada por uma redução do número de brasileiros que estão há dois anos ou mais procurando trabalho e por quedas da desocupação em 13 estados.
Apesar disso, os dados também mostram que o mercado de trabalho brasileiro continua desigual. A subutilização chegou a 12,9%, enquanto as taxas estaduais variam de 2,1% em Santa Catarina a 9,8% no Amapá.
Assim, o resultado representa uma melhora importante no mercado de trabalho, mas deve ser analisado junto aos demais indicadores para mostrar a realidade de quem está empregado, procurando uma vaga ou fora do mercado.



