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Desenrola 2.0 começa nesta terça; brasileiros já podem procurar bancos

Desenrola 2.0 começa hoje com descontos de até 90%. Veja quem pode aderir, bancos participantes e como renegociar suas dívidas.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Desenrola 2.0

A partir desta terça-feira (5), entra em vigor o Desenrola 2.0, nova fase do programa federal de renegociação de dívidas voltado a brasileiros inadimplentes. A iniciativa amplia o alcance da versão anterior e passa a contemplar não apenas pessoas físicas, mas também estudantes, micro e pequenos empresários, aposentados e agricultores familiares.

Podem aderir ao programa pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105 em 2026. O objetivo central é reduzir o nível de inadimplência no país e facilitar o acesso ao crédito.

Segundo dados recentes da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 80,4% das famílias brasileiras estão endividadas — o maior índice da série histórica. Já a inadimplência atingiu 29,6% em março, indicando um cenário ainda crítico, apesar de leve recuo em relação ao pico de 2025.

Bancos participantes e como aderir

Leia mais: Novo Desenrola inclui uso do FGTS e levanta preocupação

Os consumidores interessados já podem procurar os canais oficiais das instituições financeiras habilitadas. Entre os bancos participantes estão:

A adesão ocorre diretamente com os bancos, por meio de aplicativos, sites ou atendimento presencial.

Descontos e condições de pagamento

O Desenrola 2.0 oferece condições mais atrativas para incentivar a quitação das dívidas:

  • Descontos entre 30% e 90% sobre o valor total
  • Juros limitados a até 1,99% ao mês
  • Possibilidade de parcelamento ampliado

Um exemplo prático citado pelo governo mostra que uma dívida de R$ 10 mil pode cair para cerca de R$ 4,5 mil após descontos e renegociação.

Uso do FGTS para quitar dívidas

Uma das principais novidades desta edição é a possibilidade de usar recursos do FGTS para pagamento de dívidas.

Como funciona

O trabalhador poderá utilizar:

  • Até R$ 1.000
  • Ou até 20% do saldo disponível na conta

Educação financeira e restrições ao crédito

O programa também estabelece novas regras para evitar o retorno ao endividamento:

  • Bancos devem investir ao menos 1% do valor garantido em educação financeira
  • Instituições devem bloquear o uso de crédito para apostas
  • Restrições valem para cartão de crédito e modalidades como Pix parcelado

Essas medidas refletem práticas já adotadas no mercado para reduzir o risco de inadimplência recorrente.

Modalidades do Desenrola 2.0

O programa foi estruturado em diferentes frentes para atender públicos específicos.

Desenrola famílias

Voltado a pessoas físicas com dívidas bancárias e não bancárias, com foco na limpeza do nome e retomada do crédito.

Desenrola Fies

Destinado a estudantes com financiamento estudantil em atraso.

Condições principais

  • Dívidas com mais de 90 dias: desconto total de juros e multas
  • Mais de 360 dias (fora do CadÚnico): até 77% de desconto
  • Mais de 360 dias (CadÚnico): até 99% de desconto

Parcelamento pode chegar a até 150 meses, dependendo do caso.

Desenrola empresas

Focado em micro e pequenas empresas.

Para empresas até R$ 360 mil/ano

  • Carência ampliada para 24 meses
  • Prazo total de até 96 meses
  • Limite de crédito de até 50% do faturamento
  • Até 60% para empresas lideradas por mulheres

Para empresas até R$ 4,8 milhões/ano

  • Crédito ampliado até R$ 500 mil
  • Condições semelhantes de prazo e carência

Desenrola rural

Atende agricultores familiares, pescadores artesanais e cooperativas.

  • Ampliação do prazo de renegociação
  • Condições facilitadas para liquidação de dívidas antigas

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Mudanças no crédito consignado

O Desenrola 2.0 também traz alterações relevantes no crédito consignado, impactando diretamente aposentados, pensionistas do INSS e servidores públicos.

Consignado INSS

  • Margem total reduzida de 45% para 40%
  • Limite de 5% para cartão consignado
  • Prazo ampliado para até 108 meses
  • Carência de até 90 dias

Consignado para servidores públicos

  • Prazo ampliado para até 120 meses
  • Carência de até 120 dias
  • Redução gradual da margem até 30%

Essas mudanças buscam equilibrar o acesso ao crédito com maior controle do endividamento.

Impacto esperado na economia

A nova fase do Desenrola Brasil é vista como uma estratégia relevante para:

  • Reduzir o número de inadimplentes
  • Estimular o consumo
  • Ampliar o acesso ao crédito
  • Reorganizar as finanças das famílias

Especialistas do mercado financeiro apontam que programas de renegociação, quando combinados com educação financeira, tendem a gerar efeitos mais duradouros.

Vale a pena aderir ao Desenrola 2.0?

A adesão pode ser vantajosa, especialmente para quem enfrenta juros elevados ou dificuldade de negociação direta com credores.

Antes de aderir, é recomendável:

  • Avaliar o orçamento mensal
  • Comparar condições entre bancos
  • Priorizar dívidas com juros mais altos
  • Evitar assumir novos compromissos financeiros

O programa tem duração limitada de 90 dias, o que exige atenção aos prazos.

Considerações finais

O Desenrola 2.0 chega em um momento de alto endividamento das famílias brasileiras e amplia significativamente o alcance da política pública de renegociação. Com descontos expressivos, novas possibilidades de pagamento e foco em educação financeira, a iniciativa busca não apenas limpar o nome dos consumidores, mas também promover uma relação mais sustentável com o crédito.

Ainda assim, o sucesso do programa dependerá do uso consciente dessas oportunidades pelos brasileiros, evitando a reincidência no ciclo de dívidas.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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