Em 2024, o Brasil apresentou uma redução significativa nas áreas desmatadas em todos os seus biomas. De acordo com o Relatório Anual do Desmatamento (RAD), divulgado pela rede MapBiomas nesta quinta-feira (15), houve uma queda expressiva no ritmo da perda de vegetação nativa,indicando avanços importantes na conservação ambiental.
Apesar do dado positivo, o estudo aponta uma realidade preocupante: o Cerrado foi o ecossistema mais afetado, com mais de 652 mil hectares desmatados, superando inclusive a Amazônia.
Estados que mais desmataram em 2024

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| Estado | Área desmatada (ha) | Variação 2023-2024 |
|---|---|---|
| Maranhão | 218.298,4 | -34,3% |
| Tocantins | – | – |
| Piauí | – | – |
| Bahia | – | – |
| Pará | 2 milhões (2019-24) | – |
Mesmo com redução percentual, o Maranhão foi o estado que mais desmatou em números absolutos.
Amazônia: redução no desmatamento, mas aumento na degradação
Mesmo com a forte queda no desmatamento, a Amazônia Legal enfrentou um avanço expressivo da degradação florestal durante o mesmo intervalo.
Amazônia em números
- Área desmatada em 2024: 377.708 hectares
- Área degradada em 2024: 25 mil km² (maior que Sergipe)
- Principais causas da degradação: incêndios e seca extrema
Especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Universidade de São Paulo (USP) alertam que essa degradação pode comprometer o saldo positivo alcançado com a queda do desmatamento.
Estados com maiores perdas acumuladas
O estado do Pará, que sediará a COP30 em Belém, em novembro de 2025, é líder absoluto em perda acumulada desde 2019, com cerca de 2 milhões de hectares desmatados.
Já o Acre, menor estado da Amazônia Legal, registrou um aumento de 30% no desmatamento em relação à sua média histórica.
Situação crítica na Caatinga
Embora o bioma da Caatinga represente uma menor parcela do desmatamento nacional, ele registrou um caso extremo em 2024: um único imóvel rural no Piauí foi responsável por destruir 13.628 hectares em apenas três meses — o maior alerta já registrado pelo MapBiomas.
Municípios campeões de desmatamento na Caatinga
- Canto do Buriti
- Jerumenha
- Currais
- Sebastião Leal
Esses quatro municípios estão localizados no Piauí e lideram o ranking nacional de crescimento no desmatamento.
Outros biomas: perdas menores, mas relevantes
Mesmo com percentuais baixos, os demais biomas brasileiros também sofreram com o desmatamento:
| Bioma | Área desmatada (ha) | Participação no total |
|---|---|---|
| Pantanal | 23.295 | 1,9% |
| Mata Atlântica | 13.472 | 1,1% |
| Pampa | 896 | 0,1% |
A Mata Atlântica, mesmo sendo um dos biomas mais protegidos por lei, ainda perdeu vegetação nativa. O Pampa, por sua vez, foi o menos afetado em 2024.
Agropecuária lidera como principal causa do desmatamento
Segundo o MapBiomas, mais de 97% de toda a perda de vegetação nativa nos últimos seis anos foi causada por atividades agropecuárias. A expansão de pastagens e lavouras segue como principal motor da devastação.
Outras causas de desmatamento por bioma
- Garimpo: 99% na Amazônia
- Infraestrutura: regiões urbanas e rodovias
- Incêndios: principalmente no Pantanal e Amazônia
Perspectivas e recomendações

O relatório destaca que, apesar da redução no desmatamento, a pressão sobre os ecossistemas permanece intensa. A combinação entre degradação e desmatamento pode comprometer os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.
Recomendações do MapBiomas
- Fortalecimento dos órgãos de fiscalização ambiental
- Aplicação efetiva de sanções por desmatamento ilegal
- Monitoramento contínuo por satélite
- Apoio a práticas sustentáveis no campo
FAQ — Perguntas frequentes
Qual a diferença entre desmatamento e degradação?
Desmatamento é a remoção total da vegetação. Degradação envolve danos parciais à floresta, como queimadas e exploração seletiva.
O que é o MapBiomas?
É uma rede colaborativa que monitora o uso da terra e a cobertura vegetal do Brasil por meio de imagens de satélite.
A meta de desmatamento zero até 2030 é possível?
É um desafio viável, mas exige políticas rigorosas, investimento em fiscalização e apoio à produção sustentável.
Considerações finais
Com o Cerrado como novo epicentro da devastação e a degradação crescendo na Amazônia, os dados de 2024 revelam um país em transição ambiental. A continuidade dessa tendência dependerá de decisões políticas, fiscalização efetiva e do comprometimento nacional com a sustentabilidade.
