A partir da folha de pagamento de julho de 2025, aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que foram vítimas de descontos indevidos começarão a receber a restituição dos valores cobrados sem autorização. A medida foi anunciada oficialmente pelo presidente da autarquia, Gilberto Waller Júnior, que classificou o reembolso como um “14º salário” para milhões de segurados lesados.
14º salário do INSS chega em julho para aposentados e pensionistas
INSS começa a devolver valores de descontos indevidos a partir da folha de julho. Mais de 2 milhões de beneficiários podem ser contemplados.
O caso envolve principalmente débitos feitos por associações, sindicatos e entidades classistas nos contracheques de beneficiários, sem o devido consentimento. Estima-se que 2,3 milhões de pessoas já tenham contestado as cobranças, que variavam entre R$ 20 e R$ 48 por mês, muitas vezes repetidamente ao longo dos últimos dois anos.
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A origem da crise: falhas no controle de descontos associativos
Desde 2019, órgãos fiscalizadores como o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) já alertavam sobre irregularidades nos repasses automáticos realizados pelo INSS em favor de entidades representativas.
O que motivou os descontos indevidos?
- Cobranças automáticas incluídas na folha sem comprovação de autorização.
- Falta de controle e fiscalização por parte do INSS.
- Falhas na integração entre os sistemas de autorização e pagamento.
- Aproveitamento da vulnerabilidade de aposentados e pensionistas.
O que mudou em 2025?
Com o agravamento das denúncias e a pressão da sociedade, o INSS passou a adotar novos protocolos de verificação e restituição. A devolução dos valores começa pela folha de julho de 2025, priorizando os casos em que as entidades já devolveram os recursos diretamente à autarquia.
Como será feita a devolução dos valores
O processo de reembolso envolve várias etapas e está sendo conduzido com base em critérios definidos pelo próprio INSS. A expectativa é que o total restituído ultrapasse R$ 1 bilhão, caso todas as contestações sejam confirmadas.
Etapas do processo de devolução:
- Contestação formal do segurado;
- Notificação da entidade cobradora;
- Prazo de até 15 dias úteis para que a entidade comprove que houve autorização;
- Caso não haja comprovação, a entidade é obrigada a devolver os valores ao INSS;
- O INSS efetua o repasse ao beneficiário, a partir da folha de pagamento.
Quem recebe primeiro?
Os primeiros a serem contemplados serão aqueles cujos valores já retornaram dos cofres das entidades para o INSS. Para os demais casos, haverá um cronograma escalonado, que será divulgado futuramente.
Atendimento presencial e digital: medidas contra fraudes
Desde o fim de maio de 2025, o INSS ampliou os canais de atendimento para contestação e envio de documentos, com o objetivo de proteger os segurados mais vulneráveis.
Como contestar os descontos:
- Presencialmente nas agências dos Correios, mediante apresentação de documentos.
- A medida beneficia especialmente os segurados que não têm acesso à internet, como moradores de áreas rurais e idosos sem familiaridade com tecnologia.
Como autorizar descontos:
- Exclusivamente pelo site ou aplicativo Meu INSS, com login via Gov.br.
- A separação dos canais garante mais segurança jurídica e evita fraudes e coações.
Perfil dos descontos indevidos

Segundo levantamento do INSS, os valores cobrados indevidamente variavam, em média, entre R$ 20 e R$ 24 por mês, mas há registros de débitos de até R$ 48, em caráter recorrente.
Duração dos descontos:
A maioria dos casos analisados ocorreu entre 2022 e 2024, o que deve facilitar a comprovação da ilegalidade e agilizar os reembolsos.
Impacto sobre o orçamento dos aposentados:
Para muitos segurados, os valores restituídos ultrapassam R$ 1.000, dependendo do tempo de desconto indevido. Em um contexto de baixa renda e alta inflação, a devolução tem sido vista como um alívio financeiro significativo.
Meta do INSS: resolver todos os casos até 2026
O presidente Gilberto Waller Júnior afirmou que a autarquia está empenhada em encerrar todos os casos até 2026. O objetivo é garantir que não haja mais qualquer desconto associativo sem autorização expressa e documentada do segurado.
Medidas previstas:
- Criação de um banco de dados unificado com registros de consentimento;
- Integração de sistemas entre INSS, entidades e instituições financeiras;
- Revisão de todos os acordos de repasse firmados com associações;
- Auditorias periódicas e relatórios públicos de transparência.
Onde acompanhar a devolução do valor
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Para verificar se está incluído no cronograma de devoluções e o valor a ser restituído, o segurado pode acessar:
1. Site ou aplicativo Meu INSS:
- Acesse com login Gov.br;
- No menu principal, selecione “Extrato de pagamento”;
- Verifique se há crédito extra ou observações sobre “restituição de descontos”.
2. Central de atendimento 135:
- Atendimento gratuito de segunda a sábado;
- Informar CPF e responder perguntas de segurança.
3. Aplicativo da Carteira de Trabalho Digital:
- Acompanhamento de autorizações e descontos;
- Visualização de históricos de vínculos e dados trabalhistas.
Casos que ainda estão em análise
Nem todos os 2,3 milhões de beneficiários que contestaram os descontos terão os valores pagos imediatamente. Segundo o INSS, parte dos processos ainda está em fase de verificação documental, especialmente nos casos em que:
- A entidade solicitou prorrogação de prazo para apresentar provas;
- Houve divergência entre as informações do segurado e da associação;
- Existem débitos de valores maiores, que requerem análise jurídica.
O INSS informou que irá divulgar lotes mensais de restituição, com prioridade para os casos mais antigos e valores mais altos.
INSS pede atenção a golpes e fraudes

Diante da ampla repercussão da devolução, o INSS alerta os segurados para a existência de tentativas de golpe, especialmente por telefone, SMS ou redes sociais.
Dicas de segurança:
- O INSS nunca solicita dados bancários ou senhas por telefone;
- A comunicação oficial é feita apenas pelos canais do Meu INSS, 135 ou gov.br;
- Não clique em links desconhecidos enviados por aplicativos de mensagens;
- Não forneça documentos a terceiros fora de locais oficiais.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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