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Não devolveu um PIX recebido por engano? Veja o que pode acontecer

Não devolver PIX recebido por engano pode gerar punições como multa e prisão, segundo o Código Penal.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
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A agilidade do PIX revolucionou a forma como transferimos dinheiro no Brasil, mas também trouxe novos dilemas jurídicos. Um exemplo recente ocorrido na Bahia levantou uma questão importante: o que acontece se alguém receber um PIX por engano e decidir não devolver o valor? O episódio, que ocorreu em abril de 2025, acendeu o alerta para as implicações legais dessa decisão.

Neste artigo, você vai entender quais são as consequências jurídicas de manter valores recebidos equivocadamente via PIX, com base na legislação brasileira, além de conhecer o que dizem especialistas sobre o tema.

Leia mais: Pix Automático: saiba como vai funcionar o novo modelo de cobrança no Brasil

Casos como esse estão se tornando comuns

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Imagem: Freepik e Canva

Transferências equivocadas via PIX têm se tornado mais frequentes com o aumento do uso da ferramenta. Recentemente, em Santo Estêvão (BA), uma mulher recebeu R$ 1.800,00 por engano e se recusou a devolver a quantia. O caso foi registrado pela 2ª Delegacia Territorial de Feira de Santana e está sendo investigado como crime de apropriação indébita.

Mesmo com penas previstas no Código Penal que podem parecer brandas, situações como essa têm sido levadas cada vez mais a sério pelas autoridades, dado o crescimento de ocorrências semelhantes.

O que diz a lei sobre PIX recebido por engano?

No Brasil, o Código Penal trata de situações em que alguém se apropria de bens alheios de forma indevida. Existem dois artigos que podem ser aplicados dependendo da forma como o dinheiro foi recebido:

Apropriação indébita – Art. 168 do Código Penal

Esse artigo descreve o crime de se apropriar de algo que alguém detinha legalmente, mas decide se manter em posse mesmo sem ter direito. As penas previstas vão de 1 a 4 anos de reclusão e pagamento de multa.

Forma especial de apropriação – Art. 169 do Código Penal

Quando a pessoa não tinha a posse inicial do bem, mas se aproveita de um erro, acidente ou caso fortuito para se apoderar do dinheiro, aplica-se o Art. 169. Nesse caso, a punição é mais branda: detenção de 1 mês a 1 ano ou multa.

Especialista explica o enquadramento correto

Ouvida pelo portal G1 Bahia, a advogada criminalista e professora doutora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Daniela Portugal, esclareceu o caso ocorrido em Santo Estêvão. Para ela, o enquadramento mais adequado é o do artigo 169 do Código Penal.

“No caso que você me trouxe, o sujeito ativo não detinha a posse prévia da coisa (o que afasta a incidência da apropriação indébita comum). O sujeito se apropria de coisa que chegou a seu poder por erro, que é exatamente a forma especial de apropriação do art. 169”, explicou Daniela Portugal.

A criminalista também afastou a hipótese de estelionato no caso em questão:

“O sujeito do crime não induziu a vítima a erro, o erro foi espontâneo da própria pessoa que fez o PIX errado, e o sujeito do crime apenas se aproveitou da situação. Portanto, afasta-se o estelionato do artigo 171, para aplicar a apropriação do artigo 169”, concluiu Daniela.

PIX errado: como agir corretamente

Se você receber uma quantia inesperada na sua conta via PIX, o mais prudente é conferir a origem da transferência. Caso confirme que se trata de um erro, os passos recomendados são:

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  1. Não movimentar o dinheiro: Usar o valor pode ser interpretado como má-fé;
  2. Entrar em contato com o remetente: Às vezes, o remetente consegue identificar rapidamente o erro;
  3. Procurar o banco: A instituição pode ajudar a intermediar a devolução;
  4. Registrar o caso: Em situações mais complexas, registrar um boletim de ocorrência pode proteger ambas as partes.

Justiça e PIX: quando o caso vai parar no tribunal?

Se o valor não for devolvido voluntariamente, a pessoa que fez a transferência errada pode acionar a Justiça para reaver o dinheiro. A partir daí, o caso pode virar objeto de investigação policial e até se transformar em processo criminal, como ocorreu na Bahia.

Além das punições penais, o autor da apropriação indevida pode ser obrigado a devolver a quantia com correções, por meio de ação civil.

Riscos para quem se recusa a devolver

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Imagem: rafapress/shutterstock.com

Manter o valor recebido indevidamente pode parecer vantajoso no curto prazo, mas os riscos são significativos:

  • Pena de prisão (mesmo que pequena, pode ser convertida em outras medidas);
  • Registro de antecedentes criminais;
  • Obrigação de devolução judicial com juros e correção monetária;
  • Multas definidas por decisão judicial;
  • Bloqueio de bens ou contas durante a investigação.

O avanço da tecnologia bancária exige responsabilidade e ética por parte dos usuários. O PIX, embora prático e instantâneo, não elimina a necessidade de atenção ao digitar dados e, principalmente, de honestidade ao receber valores indevidos.

Casos como o de Santo Estêvão mostram que a legislação brasileira está preparada para lidar com essas novas situações. Recusar-se a devolver um PIX feito por engano pode ser interpretado como crime, com todas as consequências previstas por lei. A orientação, portanto, é simples: se o dinheiro não é seu, devolva.

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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