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Dinheiro esquecido do BC será usado para estender a desoneração da folha? Entenda

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto que estende a desoneração da folha de pagamento para 2024, com reoneração gradual a partir de 2025 e compensações fiscais

Djamilla Ribeiro MartinsPor Djamilla Ribeiro Martins5 min de leitura
Dinheiro Esquecido do BC

Na madrugada desta quarta-feira (11), a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei significativo que impacta a desoneração da folha de pagamento das empresas em 2024 e estabelece uma reoneração gradual a partir de 2025. A proposta, que recebeu 253 votos a favor, 67 contra e quatro abstenções, é resultado de um acordo entre o governo federal e o Congresso Nacional.

A desoneração da folha de pagamento é uma política fiscal que visa reduzir o custo de contratação para empresas ao substituir a contribuição previdenciária patronal de 20% por alíquotas mais baixas sobre a receita bruta. Essa medida é especialmente benéfica para setores que são grandes empregadores, como têxtil, calçados, construção civil, call center, comunicação, fabricação de veículos, tecnologia e transportes.

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Detalhes do Projeto Aprovado

Manutenção da Desoneração em 2024

O projeto aprovado mantém a desoneração da folha de pagamento em 2024 nas condições atuais. Isso significa que os 17 setores da economia beneficiados continuarão a pagar alíquotas reduzidas, variando de 1% a 4,5% sobre a receita bruta, em vez da contribuição previdenciária padrão de 20%.

Reoneração Gradual a Partir de 2025

A partir de 2025, o projeto estabelece um cronograma de reoneração gradual. O plano é aumentar a contribuição sobre a folha de pagamento para 5% em 2025, 10% em 2026, 15% em 2027 e, finalmente, 20% em 2028. Essa abordagem gradual visa minimizar o impacto financeiro para as empresas enquanto ajusta a arrecadação fiscal.

Medidas de Compensação Fiscal

O projeto aprovado inclui uma série de medidas para compensar a redução de arrecadação provocada pela desoneração. As principais compensações são:

Uso de “Dinheiro Esquecido” do Banco Central

Uma das principais fontes de compensação é o uso de R$ 8,5 bilhões em “valores esquecidos” no sistema bancário, como depósitos judiciais e saldos inativos. 

O Banco Central inicialmente expressou preocupações sobre como esses recursos seriam contabilizados, mas um acordo foi alcançado para que esses valores sejam apropriados pelo Tesouro Nacional e considerados na verificação do cumprimento da meta fiscal.

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Imagem: Brenda Rocha – Blossom / Shutterstock.com

Repatriação de Recursos e Atualização de Bens

Outra medida de compensação é a repatriação de recursos depositados no exterior por brasileiros, mediante o pagamento de Imposto de Renda. O projeto também permite a atualização do valor de bens, especialmente imóveis, e a cobrança de um Imposto de Renda reduzido sobre o ganho de capital. 

Esta medida visa facilitar a regularização de ativos e aumentar a arrecadação sem exigir a movimentação física dos recursos para o Brasil.

Refis para Multas Regulatórias

O projeto prevê a criação de um programa de regularização fiscal específico para multas aplicadas por agências reguladoras e que ainda não foram incluídas na Dívida Ativa. Além disso, recursos depositados em contas judiciais que não foram sacados pelos beneficiários também serão utilizados para compensar a redução de arrecadação.

Cortes de Despesas e Taxação de Compras

O projeto inclui ainda economias com cortes de despesas relacionadas a benefícios pagos de forma irregular ou alvo de fraudes. A taxação de compras abaixo de U$ 50, que já foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também faz parte das medidas de compensação.

Processo de Aprovação e Controvérsias

Aprovação na Câmara dos Deputados

O projeto foi aprovado por 253 votos a favor, 67 contra e quatro abstenções após uma longa sessão que começou à noite e terminou por volta das 2h20 da madrugada. A votação da redação final foi adiada para a manhã seguinte devido à obstrução da oposição, e uma nova sessão foi convocada para a quinta-feira (12).

Críticas e Ajustes no Projeto

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A deputada Any Ortiz (Cidadania-RS), que era relatora do projeto, fez críticas à condução do processo pelo governo e pediu para deixar a relatoria. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), assumiu a condução do texto, e ajustes foram feitos para atender às preocupações do Banco Central.

Acordo com o STF e Repercussões Futuras

Negociações com o STF

O governo federal e o Congresso Nacional fecharam um acordo para a compensação do impacto fiscal e a reoneração gradual da folha após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). 

O ministro Cristiano Zanin havia suspendido a medida, dando prazo até quarta-feira para um acordo. O pedido de mais três dias feito pela Advocacia Geral da União (AGU) foi concedido para concluir as negociações.

Impacto no Orçamento e Expectativas Futuras

O projeto aprovado altera significativamente a forma como o governo federal gerenciará suas finanças e as políticas fiscais. A extensão da desoneração e as compensações previstas visam equilibrar a necessidade de incentivar o emprego e o crescimento econômico com a necessidade de garantir a saúde fiscal do governo. 

A eficácia dessas medidas será acompanhada de perto, e futuras revisões podem ocorrer dependendo dos resultados financeiros e econômicos.

Mão segurando notas de dinheiro de R$50, R$100 e R$200. Fundo desfocado valores a receber dinheiro esquecido
Imagem: rafapress/Shutterstock.com

Considerações Finais

A aprovação do projeto que estende a desoneração da folha de pagamento e estabelece uma reoneração gradual a partir de 2025 representa um passo importante para o equilíbrio entre estimular o emprego e gerenciar a arrecadação fiscal. 

Com a inclusão de compensações fiscais, como o uso de recursos do Banco Central e a repatriação de ativos, o governo busca mitigar o impacto da redução de receitas. A implementação dessas medidas e suas repercussões no orçamento público e na economia nacional serão cruciais para a sustentabilidade fiscal a longo prazo.

Imagem: Leonidas Santana / Shutterstock.com

Djamilla Ribeiro Martins

Autor

Djamilla Ribeiro Martins

Djamila Martins é formada em Tecnologia em Gestão Empresarial (Processos Gerenciais) pela FATEC de Santos, Licenciada em Letras pelo Instituto Federal de São Paulo e também graduada em Pedagogia pela Universidade de Marília. Com uma base sólida em educação e gestão, alia conhecimento técnico e sensibilidade didática para contribuir com conteúdos informativos, acessíveis e confiáveis no portal Seu Crédito Digital, com foco em cidadania, economia e serviços públicos.

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