A doença renal crônica chegou a um recorde histórico e se consolidou como uma das condições de saúde mais preocupantes do mundo. Um novo levantamento internacional revelou que 788 milhões de pessoas viveram com redução da função renal em 2023. Os dados reforçam a gravidade de uma enfermidade silenciosa, muitas vezes subdiagnosticada e capaz de evoluir para quadros fatais.
Continue a leitura para entender o cenário global, os riscos, as causas e por que especialistas defendem que o tema seja tratado como prioridade mundial.
Doença renal crônica atinge 788 milhões de pessoas e causa 1,5 milhão de mortes por ano
A doença renal crônica cresce em ritmo alarmante e já causa 1,5 milhão de mortes anuais no mundo. Entenda os dados, riscos e avanços;
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Doença renal crônica: a nova dimensão de uma doença silenciosa
A doença renal crônica evolui de forma progressiva, reduzindo a capacidade dos rins de filtrarem resíduos e líquidos do organismo. Nos estágios iniciais, costuma não apresentar sintomas — o que dificulta o diagnóstico e favorece a evolução para quadros graves.
O estudo, publicado na revista The Lancet, indica que cerca de 14% dos adultos no mundo convivem com algum grau da doença. Em 2023, ela foi responsável por 1,5 milhão de mortes, consolidando-se como a nona principal causa de óbito global.
Entre 1990 e 2023, o número de casos praticamente dobrou. Segundo os pesquisadores, esse salto acompanha o envelhecimento populacional e a maior exposição a fatores de risco metabólicos.
Principais riscos associados à doença renal crônica
O relatório integra o Global Burden of Disease (GBD) 2023, que analisou mais de 2,2 mil estudos e dados de 133 países. Os especialistas destacam três fatores como os mais decisivos para o avanço da doença:
- hiperglicemia, associada principalmente ao diabetes
- hipertensão arterial, que compromete vasos renais
- obesidade, que sobrecarrega o funcionamento dos rins
Além disso, a doença renal crônica é um fator que agrava outras enfermidades. O estudo aponta que a função renal comprometida contribui para 12% das mortes cardiovasculares registradas em 2023, evidenciando a forte conexão entre os dois sistemas.
Doença renal crônica: desafios no diagnóstico e na identificação precoce
A maioria dos casos identificados pelo estudo estava nos estágios iniciais — justamente quando o tratamento pode ser mais eficaz. No entanto, especialistas alertam que a doença renal crônica é subdiagnosticada.
Como grande parte dos pacientes não apresenta sintomas no começo, exames simples, como avaliação de creatinina e análise de urina, acabam sendo negligenciados.
Segundo o nefrologista Morgan Grams, ampliar o acesso ao diagnóstico precoce é “fundamental para impedir que milhões de pessoas avancem para quadros irreversíveis”.
Países de baixa renda enfrentam obstáculos ainda maiores. Nas regiões mais vulneráveis, como África Subsaariana, Sudeste Asiático e parte da América Latina, o acesso à diálise e ao transplante renal é restrito, tornando a prevenção ainda mais decisiva.
Impacto global e reconhecimento da OMS
Em 2024, a Organização Mundial da Saúde passou a incluir formalmente a doença renal crônica nas metas de redução de mortalidade por doenças não transmissíveis até 2030. A decisão foi considerada histórica, pois coloca a DRC no mesmo nível de prioridade de doenças como câncer e enfermidades cardíacas.
Especialistas afirmam que, sem esse reconhecimento institucional, políticas de saúde pública tendem a negligenciar o problema, favorecendo o aumento da mortalidade.
Doença renal crônica e incapacidade: mais uma preocupação emergente
Além do impacto na mortalidade, o estudo revela que a DRC foi a 12ª principal causa de incapacidade no mundo em 2023, afetando diretamente a qualidade de vida e a autonomia de milhões de pessoas.
A progressão da doença pode levar a:
- fadiga constante
- perda de apetite
- inchaço em pernas e tornozelos
- alterações urinárias
- dificuldade de concentração
Esses sintomas costumam surgir quando a função renal já está bastante comprometida.
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Tratamentos e novos medicamentos para desacelerar a doença
Nos últimos cinco anos, avanços importantes surgiram no tratamento da doença renal crônica, principalmente com o desenvolvimento de medicamentos capazes de:
- reduzir a inflamação renal
- desacelerar a perda da função dos rins
- diminuir o risco de eventos cardiovasculares
- evitar progressão para diálise
Embora promissores, esses medicamentos ainda não estão disponíveis de forma ampla no mundo todo. Os pesquisadores estimam que seus impactos globais só devem ser percebidos ao longo da próxima década.
Por que o diagnóstico precoce é a melhor estratégia
Como grande parte dos casos é identificada tardiamente, os especialistas reforçam que prevenir é mais eficaz — e mais barato — do que tratar.
Entre as principais recomendações estão:
- manter controle rigoroso da pressão arterial
- monitorar glicemia, especialmente em pessoas com diabetes
- realizar exames de creatinina e urina anualmente
- adotar alimentação equilibrada
- evitar uso prolongado de anti-inflamatórios sem orientação
- praticar atividade física regular
Medidas simples podem impedir que milhões de pessoas avancem para estágios graves da doença.
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Com informações de: InfoMoney
